{"id":245,"date":"2023-06-13T13:08:38","date_gmt":"2023-06-13T16:08:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/jusbraziliense\/?p=245"},"modified":"2023-06-13T17:52:05","modified_gmt":"2023-06-13T20:52:05","slug":"o-direito-penal-e-a-edificacao-da-moral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/jusbraziliense\/2023\/06\/13\/o-direito-penal-e-a-edificacao-da-moral\/","title":{"rendered":"O Direito Penal e a edifica\u00e7\u00e3o da moral"},"content":{"rendered":"<h2>Por <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/paulo-bernardo-fonseca-de-romero-0254691b7\/\">Paulo Romero<\/a> e<a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/ritanmachado\/\"> Rita Machado\u00a0<\/a><\/h2>\n<h1>N\u00e3o \u00e9 raro ouvirmos de parentes e amigos que n\u00e3o se pode fazer algo ou ter certas atitudes porque \u00e9 crime, ou escutar, at\u00e9 em forma de cr\u00edtica, que alguma conduta deveria ser criminalizada, tornar-se crime.<\/h1>\n<h2>A vis\u00e3o de que o Direito Penal atua como uma r\u00e9gua da moral social ou individual, diga-se de passagem, \u00e9 at\u00e9 bastante comum, e infelizmente, ela se confunde com o objeto central desta seara do direito.<\/h2>\n<p>O papel, em regra, do Direito Penal \u00e9 a tutela dos bens jur\u00eddicos quando estes s\u00e3o violados de forma grave, e a prote\u00e7\u00e3o, em tese, se d\u00e1 pela tipifica\u00e7\u00e3o de certas condutas como crime, que em seu preceito prim\u00e1rio tem a descri\u00e7\u00e3o dessa conduta (C\u00f3digo Penal, Art. 121 &#8211; Matar algu\u00e9m) e em seu preceito secund\u00e1rio (Pena &#8211; reclus\u00e3o de seis a vinte anos) possui a pena cominada a ela, que poder\u00e1 ser aplicada legitimamente ap\u00f3s o rito do processo. De certa forma, a pena cominada revela a caracter\u00edstica de proibi\u00e7\u00e3o de forma velada.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que exista uma compatibiliza\u00e7\u00e3o entre a conduta imoral e a conduta tipificada, mas quando isto n\u00e3o ocorre fica clara uma ideia: nem tudo que \u00e9 imoral \u00e9 il\u00edcito, e nem tudo que \u00e9 moral \u00e9 l\u00edcito. A compreens\u00e3o da diferen\u00e7a entre o imoral e a tutela do bem jur\u00eddico \u00e9 mais do que necess\u00e1ria, \u00e9 essencial que se entenda que a \u00e9gide da moral n\u00e3o \u00e9 o Direito Penal, n\u00e3o ser\u00e1 e nunca poder\u00e1 ser.<\/p>\n<p>A separa\u00e7\u00e3o entre o Direito Penal e a moral traz consigo duas possibilidades: o dever de justificar as proibi\u00e7\u00f5es e as penas e, al\u00e9m disso, nos permite falar de uma \u00e9tica de legisla\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9tica diz respeito tanto a poder julgar leis como imorais assim como admitir que a previs\u00e3o de crimes no nosso C\u00f3digo se d\u00e1 por raz\u00f5es pol\u00edticas e morais.<\/p>\n<p>E \u00e9 neste ponto que se funda o problema, apesar da finalidade do Direito Penal ser a tutela do bem jur\u00eddico, que por si s\u00f3 j\u00e1 pode parecer vazia, ampla e arbitr\u00e1ria, o processo de criminaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 no final um ato pol\u00edtico, emanado de representantes do povo. A raz\u00e3o de ser n\u00e3o \u00e9 a moral, mas pode ser fruto dela. Assim j\u00e1 postulava John Stuart Mill, \u201c<em>onde quer que haja uma classe dominante, uma parte da moralidade do pa\u00eds emana de seus interesses e de seus sentimentos de classe superior<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Paulo Romero e Rita Machado\u00a0 N\u00e3o \u00e9 raro ouvirmos de parentes e amigos que n\u00e3o se pode fazer algo ou ter certas atitudes porque \u00e9 crime, ou escutar, at\u00e9 em forma de cr\u00edtica, que alguma conduta deveria ser criminalizada, tornar-se crime. 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