{"id":525,"date":"2023-01-29T10:05:22","date_gmt":"2023-01-29T13:05:22","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/?p=525"},"modified":"2023-01-29T10:05:22","modified_gmt":"2023-01-29T13:05:22","slug":"nossa-morte-de-cada-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/nossa-morte-de-cada-dia\/","title":{"rendered":"Nossa morte de cada dia"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_526\" aria-describedby=\"caption-attachment-526\" style=\"width: 258px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/01\/69D59787-0735-4260-B360-D132077A3BE3.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-526\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/01\/69D59787-0735-4260-B360-D132077A3BE3.jpeg\" alt=\"\" width=\"258\" height=\"176\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/01\/69D59787-0735-4260-B360-D132077A3BE3.jpeg 258w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/01\/69D59787-0735-4260-B360-D132077A3BE3-230x157.jpeg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 258px) 100vw, 258px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-526\" class=\"wp-caption-text\">Gomez<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cA morte \u00e9 um dia que vale a pena viver&#8221;. Esse \u00e9 o brilhante t\u00edtulo do livro da m\u00e9dica Ana Cl\u00e1udia Quintana. Ela lida com pacientes diagnosticados com doen\u00e7as terminais. Gente que tem, pela medicina, dias contados para viver.<\/p>\n<p>Mas quem n\u00e3o teria? S\u00f3 n\u00e3o sabemos quantos&#8230; Essa \u00e9 a reflex\u00e3o proposta pela profissional que encara a senten\u00e7a de morte como uma chance de viver melhor. Assisti a uma palestra dela, em que defendeu que, quando perdemos algu\u00e9m, essa pessoa se mant\u00e9m viva, em sil\u00eancio, na nossa rotina pelo o que ela nos deixou na lembran\u00e7a, pelos exemplos que nos inspira, pelo que ela nos disse. Essa \u00e9 a vida que a morte de algu\u00e9m nos proporciona.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, a vida \u00e9 a arte de morrer todos os dias. E n\u00e3o falo aqui da morte biol\u00f3gica do nosso corpo, que a cada dia em funcionamento tamb\u00e9m \u00e9 um a menos no prazo previsto para a sua vida \u00fatil.<\/p>\n<p>Morremos muitas vezes ao longo do mesmo dia: de raiva, de sono, de fome. Saudade tamb\u00e9m mata. Morremos igualmente de amor. Mesmo poder homicida t\u00eam o desgosto e o descaso. Matam tamb\u00e9m o ci\u00fames e o cansa\u00e7o. Morre-se pelo exagero, na verdade. Estamos sempre \u201cmortos\u201d de desejos e h\u00e1 sempre quem \u201cmorreu\u201d de alegria.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m matamos todos os dias. E as nossas v\u00edtimas s\u00e3o sonhos e fantasias. Matamos diariamente pessoas e lembran\u00e7as. H\u00e1 um monte de falecidos em nosso cora\u00e7\u00e3o: gente que se foi de morte natural, pelo distanciamento inerente \u00e0 vida, e gente que enterramos vivos por falta de melhor op\u00e7\u00e3o, para seguirmos vivos.<\/p>\n<p>Temos todos, ainda, grande potencial suicida e matamos nossa ess\u00eancia, nossa espontaneidade para nos acomodarmos aos moldes alheios. Essa \u00e9 a pior das mortes. \u00c9 justamente essa que nos impede de nos mantermos vivos, dentro dos outros, quando verdadeiramente formos embora.<\/p>\n<p>O assassinato de nossa personalidade, sim, \u00e9 crime inafian\u00e7\u00e1vel, visto imperdo\u00e1vel. \u00c9 pass\u00edvel de senten\u00e7a de morte depois da pr\u00f3pria morte. Afinal, se vivemos como defuntos, como solucionar a pergunta que a doutora Ana Cl\u00e1udia fez a plateia durante a sua apresenta\u00e7\u00e3o: &#8220;Qual a marca voc\u00ea quer deixar na sua vida?&#8221; Se estamos mortos em vida, desde agora, n\u00e3o h\u00e1 como responder.<\/p>\n<p>Escreva: fsduarte@hotmail.com<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA morte \u00e9 um dia que vale a pena viver&#8221;. Esse \u00e9 o brilhante t\u00edtulo do livro da m\u00e9dica Ana Cl\u00e1udia Quintana. Ela lida com pacientes diagnosticados com doen\u00e7as terminais. Gente que tem, pela medicina, dias contados para viver. Mas quem n\u00e3o teria? 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