{"id":498,"date":"2023-01-01T19:02:43","date_gmt":"2023-01-01T22:02:43","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/?p=498"},"modified":"2023-01-01T20:27:29","modified_gmt":"2023-01-01T23:27:29","slug":"eterno-porque-nao-durou-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/eterno-porque-nao-durou-2\/","title":{"rendered":"Eterno porque n\u00e3o durou"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_500\" aria-describedby=\"caption-attachment-500\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/01\/C8950736-EE4F-4689-88F9-9FA73FFEC31F.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-500\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/01\/C8950736-EE4F-4689-88F9-9FA73FFEC31F-300x218.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"218\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/01\/C8950736-EE4F-4689-88F9-9FA73FFEC31F-300x218.jpeg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/01\/C8950736-EE4F-4689-88F9-9FA73FFEC31F-768x558.jpeg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/01\/C8950736-EE4F-4689-88F9-9FA73FFEC31F-1024x743.jpeg 1024w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/01\/C8950736-EE4F-4689-88F9-9FA73FFEC31F-1440x1045.jpeg 1440w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/01\/C8950736-EE4F-4689-88F9-9FA73FFEC31F-800x581.jpeg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/01\/C8950736-EE4F-4689-88F9-9FA73FFEC31F-550x399.jpeg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/01\/C8950736-EE4F-4689-88F9-9FA73FFEC31F-230x167.jpeg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-500\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Caio Gomez<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma vez li um texto de um escritor porto-riquenho \u2014 cujo talento merecia que eu me lembrasse do nome dele \u2014 que, sabiamente, chegava \u00e0 seguinte conclus\u00e3o: &#8220;todo amor plat\u00f4nico \u00e9 eterno.&#8221;<\/p>\n<p>Exatamente por ser improv\u00e1vel \u00e9 igualmente infind\u00e1vel. O &#8220;e se tivesse acontecido&#8221; \u00e9 um verdadeiro escudo para se manter perfeito para sempre. O amor que n\u00e3o se concretizou tamb\u00e9m n\u00e3o foi corro\u00eddo pelos desgastes da realidade e da conviv\u00eancia. Assim, \u00e9 para sempre absoluto, benef\u00edcio do que \u00e9 id\u00edlico.<\/p>\n<p>Isso me fez lembrar tamb\u00e9m de uma hist\u00f3ria real da qual me aproprio sem a autoriza\u00e7\u00e3o dos protagonistas. Por ser um furto, protejo a identidade dos mesmos, que me cedem parte do passado sem consentimento.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de 50 anos, ela conheceu o rapaz bonito que lhe roubou o cora\u00e7\u00e3o. Uma trai\u00e7\u00e3o em tempos conservadores o obrigou a se juntar a uma outra pessoa e a deixou com a alma aos cacos.<\/p>\n<p>Mais de meio s\u00e9culo depois, ela mant\u00e9m a foto dele ao lado da dela. Ambos com os belos tra\u00e7os da juventude. Na mesma carteira, ela tamb\u00e9m guarda o retrato do falecido marido, igualmente ao lado de um 3\u00d74 dela, s\u00f3 que em nova pose.<\/p>\n<p>Enquanto mostra as recorda\u00e7\u00f5es, acaricia o rosto do primeiro amor, eternizado em um papel. N\u00e3o esconde a paix\u00e3o guardada na mente. Com a permiss\u00e3o que a idade lhe concede, de livr\u00e1-la de julgamentos, ela balan\u00e7a os dois bra\u00e7os com os punhos fechados, como quem pragueja e diz: &#8220;por que n\u00e3o larguei tudo e fui atr\u00e1s dele?&#8221;<\/p>\n<p>N\u00e3o faltou desejo, mas coragem. Ambos com nova fam\u00edlia, esse amor do passado n\u00e3o fez parte do futuro. Ao mesmo tempo, \u00e9 mais presente do que qualquer recorda\u00e7\u00e3o. Aquela senhora nunca se esqueceu daquele belo rapaz e construiu nova vida ao lado de outro homem, carregando no peito a d\u00favida do &#8220;e se&#8221;.<\/p>\n<p>E se tivessem ficado juntos? E se esse amor tivesse sido vivido? N\u00e3o ousaria dar uma reposta a essa dona que, aos 93 anos, ainda amaldi\u00e7oa aquela despedida. Eu me arriscaria a dizer a ela, no entanto, que \u00e9 uma sortuda. Justamente por n\u00e3o ser real, esse amor \u00e9 eterno. Minha senhora, acredite, essa \u00e9 \u00fanica forma de ele ser para sempre.<\/p>\n<p>Escreva: fsduarte@hotmail.com<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Uma vez li um texto de um escritor porto-riquenho \u2014 cujo talento merecia que eu me lembrasse do nome dele \u2014 que, sabiamente, chegava \u00e0 seguinte conclus\u00e3o: &#8220;todo amor plat\u00f4nico \u00e9 eterno.&#8221; Exatamente por ser improv\u00e1vel \u00e9 igualmente infind\u00e1vel. O &#8220;e se tivesse acontecido&#8221; \u00e9 um verdadeiro escudo para se manter perfeito para sempre. 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