{"id":396,"date":"2017-07-17T12:21:06","date_gmt":"2017-07-17T15:21:06","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/?p=396"},"modified":"2017-07-17T12:21:06","modified_gmt":"2017-07-17T15:21:06","slug":"eu-nao-me-canso-dos-ipes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/eu-nao-me-canso-dos-ipes\/","title":{"rendered":"Eu n\u00e3o me canso dos ip\u00eas"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div>Est\u00e1 aberta a temporada de ip\u00eas. Eu definiria essas \u00e1rvores como sendo o clich\u00ea menos enfadonho de Bras\u00edlia. Sim, porque, como parte do ciclo da natureza, eles brotam e colorem a capital das mesmas cores, no mesmo per\u00edodo, todos os anos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00c9 a repeti\u00e7\u00e3o mais original trazida pelo in\u00edcio da seca. Ainda que presen\u00e7a certa, os ip\u00eas s\u00e3o esperados com igual ansiedade a cada esta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o perdem o charme, n\u00e3o desapontam e atraem os mesmos olhares, ainda que conhecidos, mas n\u00e3o menos surpreendidos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E eles n\u00e3o aparecem sozinhos. Mesmo que soberanos em uma paisagem ressequida, a beleza dessas \u00e1rvores \u2014 que exibem flores em cachos, de cores vistosas \u2014 \u00e9 exaltada pela question\u00e1vel feiura das plantas mirradas do cerrado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os ip\u00eas ficam ainda altivos ao lado de \u00e1rvores que hibernam em forma de seu pr\u00f3prio esqueleto. Seus galhos aparentemente mortos, retorcidos, sem flores, sem folhas, se recolhem para dar espa\u00e7o \u00e0 exuber\u00e2ncia dos ip\u00eas em tons de roxo, rosa, amarelo ou branco.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Na paisagem des\u00e9rtica, eles ganham ainda mais destaque, o que me faz pensar que a natureza \u00e9 mesmo um belo exemplo de equil\u00edbrio. Se brotassem todos juntos, teriam que dividir a majestade. Em apresenta\u00e7\u00e3o solo, viram reis absolutos, para os quais se dirigem aplausos, flashes, sorrisos e agradecimentos pela beleza da vida.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Apesar das apari\u00e7\u00f5es predefinidas, a presen\u00e7a dos ip\u00eas t\u00eam come\u00e7o, meio e fim. N\u00e3o se esbarra com eles o ano todo, em qualquer lugar. Ali\u00e1s, a planta s\u00edmbolo do Brasil \u2014 e arriscaria dizer de Bras\u00edlia \u2014 tem algumas de suas esp\u00e9cies restritas a nosso continente.Por isso se tornam t\u00e3o especiais.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00c9 beleza que se admira eventualmente, raz\u00e3o pela qual, t\u00e3o esperada. Se fossem aos montes, se n\u00e3o dividissem espa\u00e7o com generosa vegeta\u00e7\u00e3o que se torna invis\u00edvel para n\u00e3o lhes roubar a cena, talvez os ip\u00eas passassem despercebidos. Excesso \u00e9 veneno para a magia. S\u00e1bios os ip\u00eas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Da\u00ed serem clich\u00eas que n\u00e3o cansam. Assim como outros tantos esperados pela vida, como bolo de anivers\u00e1rio, buqu\u00ea lan\u00e7ado ao fim da festa de casamento e promessa insana de amor eterno feita pela paix\u00e3o. Roteiros que se repetem para temperar de gra\u00e7a a nossa rotina, essa sim, muitas vezes fastidiosa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Escreva: fsduarte@hotmail.com<\/div>\n<div>Facebook: (In) Confid\u00eancias<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 aberta a temporada de ip\u00eas. Eu definiria essas \u00e1rvores como sendo o clich\u00ea menos enfadonho de Bras\u00edlia. Sim, porque, como parte do ciclo da natureza, eles brotam e colorem a capital das mesmas cores, no mesmo per\u00edodo, todos os anos. \u00c9 a repeti\u00e7\u00e3o mais original trazida pelo in\u00edcio da seca. 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