{"id":356,"date":"2017-05-08T17:26:06","date_gmt":"2017-05-08T20:26:06","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/?p=356"},"modified":"2017-05-08T18:19:18","modified_gmt":"2017-05-08T21:19:18","slug":"maturidade-da-infancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/maturidade-da-infancia\/","title":{"rendered":"A maturidade da inf\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div>Quando comentei com um amigo que comecei a fazer aula de patina\u00e7\u00e3o e, finalmente, estava realizando um sonho de crian\u00e7a, ele, sem qualquer entusiasmo, respondeu: &#8220;Alguns sonhos a gente deixa na inf\u00e2ncia!&#8221;\u00a0N\u00e3o me aborreci com a insossa recomenda\u00e7\u00e3o, pois, assim como ele, muitos realmente acreditam que crescer \u00e9 se despedir, definitivamente, do menino ou da menina que fomos um dia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ao contr\u00e1rio, quanto mais velha fico, mais certeza eu tenho de que amadurecer \u00e9 sin\u00f4nimo de uma conviv\u00eancia pac\u00edfica \u00a0entre a mulher que me tornei e a garota que um dia fui, ou mesmo, aquela n\u00e3o pude ser.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>No caso, a minha inabilidade com os patins \u00e9 resultado da preocupa\u00e7\u00e3o excessiva dos meus pais. Por causa da chance de eu me estatelar no ch\u00e3o, quebrar os ossos e a cabe\u00e7a, eles preferiram n\u00e3o romper o pr\u00f3prio ju\u00edzo. Patins era, ent\u00e3o, brincadeira proibida em minha casa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o cresci frustrada, mas nunca silenciei o desejo de deslizar em cima de quatro rodas. At\u00e9 que fiquei grandinha o suficiente para n\u00e3o precisar da autoriza\u00e7\u00e3o dos meus pais para sair por a\u00ed patinando. Foi quando me deparei com cerceamento ainda maior do que o deles: o meu pr\u00f3prio.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O medo de cair e ficar afastada do trabalho; o medo de passar pelo vexame de me estabacar com o desajeito de quem n\u00e3o tem mais a leveza do corpo nem da alma de uma crian\u00e7a, que pouco se importa com os tombos; o medo de n\u00e3o conseguir; o medo que paralisa as pernas e rouba nossas pequenas vit\u00f3rias. Como meu amigo, ent\u00e3o, a gente acaba por deixar para tr\u00e1s os sonhos de quando \u00e9ramos pequenos grandes aventureiros.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas eu decidi pagar o mico, sentir as pernas doerem por tens\u00e3o em cima de uma bota de desliza. Ao meu lado, um m\u00e9dico, um professor de literatura e uma funcion\u00e1ria p\u00fablica, que deixaram a inf\u00e2ncia h\u00e1 pouco mais de tempo do que eu, andamos como rob\u00f4s, travados pelo p\u00e2nico, pela ansiedade e pelo excesso de equipamento de prote\u00e7\u00e3o &#8211; isso \u00e9 o bom senso que traz a idade, ainda bem!<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Cada um de n\u00f3s teve uma raz\u00e3o para aprender esse esporte depois de grandes. Cada um de n\u00f3s tem uma motiva\u00e7\u00e3o hoje para persistir em realizar esse feito. Em comum, todos n\u00f3s somos sortudos em nos permitir acolher nosso menino ou menina e deix\u00e1-los se divertirem.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Claro que j\u00e1 ca\u00ed, obviamente pensei em desistir, mas n\u00e3o! Sigo com meu grupo de gente crescida que tem o aval mais importante para fazer o que bem entender: a autopermiss\u00e3o. Que privil\u00e9gio! Afinal, como diria o Pequeno Pr\u00edncipe, de Antoine de Saint-Exup\u00e9ry: &#8220;As pessoas grandes n\u00e3o entendem nada sozinhas&#8221;. Por isso, tem horas que \u00e9 preciso convidar a sua crian\u00e7a interna a vir \u00e0 tona e deixar a vida mais divertida. Foi o que fiz. \u00c9 o que eu e meus companheiros estamos fazendo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Escreva: fsduarte@hotmail.com<\/div>\n<div>Facebook: (jn) Confid\u00eancias<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando comentei com um amigo que comecei a fazer aula de patina\u00e7\u00e3o e, finalmente, estava realizando um sonho de crian\u00e7a, ele, sem qualquer entusiasmo, respondeu: &#8220;Alguns sonhos a gente deixa na inf\u00e2ncia!&#8221;\u00a0N\u00e3o me aborreci com a insossa recomenda\u00e7\u00e3o, pois, assim como ele, muitos realmente acreditam que crescer \u00e9 se despedir, definitivamente, do menino ou da menina que fomos um dia. 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