{"id":299,"date":"2017-02-06T13:28:53","date_gmt":"2017-02-06T15:28:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/?p=299"},"modified":"2017-02-06T13:28:53","modified_gmt":"2017-02-06T15:28:53","slug":"rumo-a-vulnerabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/rumo-a-vulnerabilidade\/","title":{"rendered":"Rumo \u00e0 vulnerabilidade"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o fosse meu amigo, desconfiaria da veracidade da hist\u00f3ria. Coisa de romance mam\u00e3o com a\u00e7\u00facar para refor\u00e7ar, em gente cr\u00e9dula, que a vida pode, sim, ter um final feliz.<\/p>\n<p>Do tipo que engole v\u00edrgulas e pontos enquanto fala, o personagem principal desse caso come\u00e7ou a me narrar o tal encontro com uma empolga\u00e7\u00e3o de poucos sortudos que podem compartilhar um enredo de filme, s\u00f3 que na vida real.<\/p>\n<p>Eu ouvia curiosa. Para resumir, esse cara rom\u00e2ntico estava juntando os cacos de uma separa\u00e7\u00e3o. Tentando preencher o cora\u00e7\u00e3o, foi buscar na mem\u00f3ria recorda\u00e7\u00f5es de amores passados. Lembrou-se da mo\u00e7a de uns quatro encontros, datados de h\u00e1 pelo menos uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Dela, s\u00f3 tinha um antigo e-mail. Enviou uma sauda\u00e7\u00e3o sem expectativa de retorno. Mas a mo\u00e7a de outros tempos respondeu. Feliz com o contato. Ela tamb\u00e9m remendava a alma estra\u00e7alhada pelo fim de um casamento. Assim, mantiveram uma conversa virtual, tentando se reconhecerem pelo tom das palavras digitadas, e identificarem o interesse do passado.<\/p>\n<p>Ela estava fora da cidade. N\u00e3o poderiam se ver pessoalmente. Mas ela arriscou: com passagem marcada para Tail\u00e2ndia, o convidou para ir junto. Ele n\u00e3o titubeou e comprou o bilhete rumo \u00e0 \u00c1sia. Sem v\u00ea-la antes. Ambos arriscaram. Se encontrariam apenas na v\u00e9spera do embarque. Daria tempo de desistirem, mas se entregaram ao imprevis\u00edvel.<\/p>\n<p>N\u00e3o sabiam se sentiriam tes\u00e3o ao se encontrarem. Se iriam se beijar, se teriam afinidades, se sentiriam arrepios com o respectivos perfumes. N\u00e3o tinham qualquer certeza de que se encantariam pelas formas f\u00edsicas, transformadas nos \u00faltimos anos. Que seguran\u00e7a teriam de que ficariam bem 20 dias juntos, do outro lado do mundo? N\u00e3o passavam de dois desconhecidos sem medo do acaso.<\/p>\n<p>Estavam vulner\u00e1veis. Abertos ao \u00f4nus e ao b\u00f4nus daquela experi\u00eancia. Tive inveja do meu amigo e daquela mo\u00e7a. A coragem deles me fez lembrar a conclus\u00e3o da americana Bren\u00e9 Brown, que passou mais de 12 anos estudando o tema\u00a0 da vulnerabilidade. Em seu livro, <em>A coragem de ser imperfeito<\/em>, ela diz que o medo de errar, de fracassar ou de nos expormos emocionalmente nos rouba as possibilidades de acerto, justamente o que d\u00e1 sentido \u00e0 vida.<\/p>\n<p>&#8220;Vulnerabilidade n\u00e3o \u00e9 conhecer vit\u00f3ria ou derrota, \u00e9 compreender a necessidade de ambas, \u00e9 se envolver, se entregar por inteiro&#8221;, diz Bren\u00e9. Meu amigo n\u00e3o leu a tese da americana, mas seguiu o seu cora\u00e7\u00e3o. Embarcou nessa aventura. A sua nova companheira foi igualmente corajosa. N\u00e3o tiveram receio do insucesso e agora podem contar essa hist\u00f3ria de amor, que lhes teria sido afanada pelo simples temor de viver.<\/p>\n<p>Escreva: fsduarte@hotmail.com<\/p>\n<p>Facebook: (In) Confid\u00eancias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o fosse meu amigo, desconfiaria da veracidade da hist\u00f3ria. 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