{"id":292,"date":"2017-01-23T13:30:02","date_gmt":"2017-01-23T15:30:02","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/?p=292"},"modified":"2017-01-23T13:31:48","modified_gmt":"2017-01-23T15:31:48","slug":"um-ano-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/um-ano-depois\/","title":{"rendered":"Um ano depois&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: Utopia, sans-serif\"><span style=\"font-size: small\">Fazia quase um ano que n\u00e3o nos fal\u00e1vamos. De amigos pr\u00f3ximos, nos tornamos dois estranhos. Distanciamento potencializado por morarmos em pa\u00edses diferentes. At\u00e9 que decidi ter not\u00edcias, dar um al\u00f4 e saber como ele andava. A resposta, carregada pela frieza comum \u00e0s mensagens de computador, me deixou certa de que, para aquela pessoa, o tempo n\u00e3o passou. O tom era o mesmo que me levou a me afastar. O mesmo peso, a mesma postura soberba, vitimizada e julgadora. Senti a fadiga me golpear. Pedi desculpas por incomodar esse desconhecido. O amigo que me cativou em outros tempos, definitivamente, n\u00e3o existia mais. Estava no passado.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia, sans-serif\"><span style=\"font-size: small\">Eu s\u00f3 me despedi e apaguei o contato daquele rapaz. Vida que segue. A minha, diferentemente da dele, est\u00e1 no caminho da mudan\u00e7a. Am\u00e9m! N\u00e3o sou a mesma de um ano atr\u00e1s e lamentei por ele ter fincado os p\u00e9s na mesmice, por se olhar no espelho e s\u00f3 ver a transforma\u00e7\u00e3o ditada pelo tempo, aquela que se enxerga na apar\u00eancia. Pelo que soube, agora usa \u00f3culos e tem mais fios grisalhos. Tamb\u00e9m me parece que ganhou algum peso. Mas o esp\u00edrito e os sentimentos eram os mesmos, estagnados e inertes.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia, sans-serif\"><span style=\"font-size: small\">Em um ano, tanta coisa pode acontecer, por\u00e9m. Um infort\u00fanio quem n\u00e3o aproveita uma das coisas boas da passagem do tempo: a possibilidade de renova\u00e7\u00e3o. \u00c0 minha volta, no ano que passou, vi gente ter coragem de dar fim a casamentos t\u00e3o longos quanto infelizes. Choraram, sofreram, mas j\u00e1 secaram as l\u00e1grimas e encontraram aconchego em bra\u00e7os de novo amor. Vi gente ter a bravura de enfrentar os pr\u00f3prios fantasmas e entrar na terapia. Eu mesma me mantive firme no div\u00e3. Procurei da medicina que acalma os nervos \u00e0s crendices que n\u00e3o resolvem os problemas, mas pelo menos d\u00e3o sossego passageiro ao cora\u00e7\u00e3o. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia, sans-serif\"><span style=\"font-size: small\">Peguei estrada para ouvir de um s\u00e1bio o que o desenho do c\u00e9u, no momento em que nasci, me traria de sorte e de sina pelos meus pr\u00f3ximos anos de vida. N\u00e3o s\u00e3o solu\u00e7\u00f5es, sei bem, mas autoconhecimento e livramento s\u00e3o processos solit\u00e1rios. \u00c9 preciso encontrar o seu, n\u00e3o importam os atalhos.\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia, sans-serif\"><span style=\"font-size: small\">Em um ano, conheci quem plantou \u00e1rvores e vi plantas florirem. Minha sobrinha aprendeu a falar, uma amiga teve o segundo filho, o terceiro. Eu cortei o cabelo que mantive longo por anos. Estive em Cancun, na Tail\u00e2ndia, na Gr\u00e9cia e em Nova York e Nova Orleans. Visitei minha av\u00f3 em Minas Gerais e fui, pela primeira vez, a uma das mais lindas paisagens do Brasil: o litoral norte de S\u00e3o Paulo. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia, sans-serif\"><span style=\"font-size: small\">Briguei com algumas pessoas. Selei amizade com outras. Pedi perd\u00e3o aos que tinha ferido, fui perdoada por uns e ignorada por outros. Teve quem me ferisse tamb\u00e9m e n\u00e3o voltou para se desculpar. \u00c9 vida que segue. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia, sans-serif\"><span style=\"font-size: small\">Tomei porre, fiz dieta e sa\u00ed dela.Tamb\u00e9m comecei a usar \u00f3culos,mas cheguei ao fim de mais um ano ilesa: nada de fios brancos. Ainda! Acordei cedo e fiz exerc\u00edcio, em um dia. No outro, deu pregui\u00e7a, desliguei o despertador e dormi mais um pouco. Tive culpa uma hora, mas me perdoei em seguida. Limpei o arm\u00e1rio, me desfiz de roupas que n\u00e3o combinam mais comigo. Comprei novas. Chorei algumas noites sozinha, mas ri muitas vezes acompanhada. \u00c9 vida que segue. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia, sans-serif\"><span style=\"font-size: small\">Quanta coisa pode ser diferente em 365 dias. Meu irm\u00e3o se mudou de casa e adotou um gato. Minha m\u00e3e parece finalmente ter decidido enfrentar o medo de avi\u00e3o e est\u00e1 com passagens compradas para Jerusal\u00e9m. Pude ver que a f\u00e9 dela \u00e9 maior do que o pavor de voar. Acompanhei gente adoecendo e se recuperando. Tamb\u00e9m me despedi de quem n\u00e3o teve a mesma sorte.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia, sans-serif\"><span style=\"font-size: small\">Fico entediada com mesmice, com gente que n\u00e3o se mexe. Todo mundo reclama, \u00e9 fato, mas \u00e9 preciso sacudir o que n\u00e3o satisfaz mais e seguir. E n\u00e3o h\u00e1 tempo de esperar para come\u00e7ar na pr\u00f3xima semana, no pr\u00f3ximo m\u00eas ou no pr\u00f3ximo ano. Voc\u00ea corre o risco de tudo mudar a sua volta e s\u00f3 voc\u00ea ficar, inadequado e envelhecido, em um cen\u00e1rio modificado no qual voc\u00ea n\u00e3o cabe mais. Se deixar para depois, pode ser que&#8221; o caf\u00e9 tenha esfriado, que o dia tenha virado noite, que a chuva tenha passado e a saudade, acabado.&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p>Escreva: fsduarte@hotmail.com<\/p>\n<p>Facebook: (In) Confid\u00eancias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fazia quase um ano que n\u00e3o nos fal\u00e1vamos. De amigos pr\u00f3ximos, nos tornamos dois estranhos. Distanciamento potencializado por morarmos em pa\u00edses diferentes. At\u00e9 que decidi ter not\u00edcias, dar um al\u00f4 e saber como ele andava. A resposta, carregada pela frieza comum \u00e0s mensagens de computador, me deixou certa de que, para aquela pessoa, o tempo n\u00e3o passou. O tom era [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-292","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/292","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=292"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/292\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":294,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/292\/revisions\/294"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=292"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=292"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=292"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}