{"id":281,"date":"2017-01-02T11:44:50","date_gmt":"2017-01-02T13:44:50","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/?p=281"},"modified":"2017-01-02T11:44:50","modified_gmt":"2017-01-02T13:44:50","slug":"acabar-para-recomecar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/acabar-para-recomecar\/","title":{"rendered":"Acabar para recome\u00e7ar"},"content":{"rendered":"<p>Algo roubou de mim o prazer de sentir o sabor dos doces. Tamb\u00e9m pode ter sido algu\u00e9m e, nesse caso, n\u00e3o sei se foi obra de Deus &#8211; me aben\u00e7oando para manter o peso e a sa\u00fade &#8211; ou do diabo, que me puniu tirando um dos lenientes da minha alma.<\/p>\n<p>Pesquisei no Google algo que pudesse associar minha aparente mudan\u00e7a no paladar a qualquer patologia. Nada! Ent\u00e3o, precisei definir se essa minha recente dificuldade em degustar o que \u00e9 feito de a\u00e7\u00facar foi presente ou condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fiquei com a primeira op\u00e7\u00e3o. N\u00e3o reconhecer completamente o gosto do chocolate ou do doce de leite \u00e9\u00a0 uma forma menos sofrida de evit\u00e1-los. Afinal, coisas que aparentemente nos deixam felizes, na verdade, podem nos causar um bocado de danos. Resolvi, assim, estender a minha decis\u00e3o de controlar alegrias nocivas e, para 2017, abrir m\u00e3o de coisas supostamente agrad\u00e1veis, mas que deixam enormes estragos.<\/p>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o para o novo ano vale para mim e para voc\u00ea. Jogue fora o desejo de comprar simplesmente para acumular coisas que nunca ser\u00e3o usadas. Tamb\u00e9m reflita que n\u00e3o compensa a culpa de comer exageradamente por simples desejo, e menos ainda a ressaca moral depois de se fartar de bebida em nome do ef\u00eamero relaxamento et\u00edlico.<\/p>\n<p>Troque o grupo numeroso de colegas distantes pelo conv\u00edvio pr\u00f3ximo com os amigos seletos. Substitua a ruidosa e animada farra, tantas vezes superficial, pelo<br \/>\nprofundo sil\u00eancio do encontro consigo mesmo. Deixe de lado as pessoas t\u00f3xicas, que dizem capazes de se emocionar com o enredo de um filme infantil, mas se mant\u00eam indiferentes aos sentimentos de protagonistas da vida real.<\/p>\n<p>Repense a meta de acumular dinheiro, s\u00f3 para ter a falsa sensa\u00e7\u00e3o de riqueza, enquanto a vida passa e voc\u00ea perde o seu maior tesouro, que \u00e9 viver. N\u00e3o finja sentir amor pelo medo da solid\u00e3o. Lembre-se de que se seu cora\u00e7\u00e3o estiver ocupado pela pessoa errada, n\u00e3o haver\u00e1 espa\u00e7o para a certa.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenha medo da turbul\u00eancia que vem com a mudan\u00e7a. Nada pior do que falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a de uma rotina insossa. E n\u00e3o desanime com a incerteza: saiba que &#8220;cada fim venta um recome\u00e7o&#8221;, ousaria plagiar Rubem Alves.<\/p>\n<p>Escreva: fsduarte@hotmail.com<\/p>\n<p>Facebook: In Confid\u00eancias<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algo roubou de mim o prazer de sentir o sabor dos doces. Tamb\u00e9m pode ter sido algu\u00e9m e, nesse caso, n\u00e3o sei se foi obra de Deus &#8211; me aben\u00e7oando para manter o peso e a sa\u00fade &#8211; ou do diabo, que me puniu tirando um dos lenientes da minha alma. 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