{"id":260,"date":"2016-11-14T12:07:50","date_gmt":"2016-11-14T14:07:50","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/?p=260"},"modified":"2023-01-04T08:12:26","modified_gmt":"2023-01-04T11:12:26","slug":"prazer-em-se-conhecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/prazer-em-se-conhecer\/","title":{"rendered":"Prazer em se conhecer"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\">No \u00faltimo s\u00e1bado, tinha tempo de sobra e resolvi preench\u00ea-lo assistindo a filmes. Aleatoriamente, escolhi dois que, no fim das contas, me fizeram refletir sobre o mesmo tema: n\u00e3o nos conhecemos a n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>Comecei pelo brasileiro \u201cDesculpe o transtorno\u201d, de Tom\u00e1s Portella. A tentativa da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 de transformar em com\u00e9dia a hist\u00f3ria de um homem, vivido por Greg\u00f3rio Duvivier, que tem duas personalidades: o Duca, carioca debochado, e o Eduardo, o cara certinho e reprimido. Ele se apaixona por B\u00e1rbara, na pele de Clarice Falc\u00e3o, que tamb\u00e9m evita olhar para a pr\u00f3pria vida ao se preocupar em demasia com os dramas alheios.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, fui ver \u201cA intrometida\u201d, no qual a vi\u00fava Marnie (Susan Sarandon) se v\u00ea perdida ao perder o marido. Ela n\u00e3o consegue conduzir a pr\u00f3pria liberdade, o dinheiro na conta, os mais \u00edntimos desejos e acaba se afastando dela mesma ao tentar viver a rotina da filha Lori (Rose Byrne) e de desconhecidos a sua volta.<\/p>\n<p>Ambas as narrativas s\u00e3o fic\u00e7\u00e3o, mas cheias de personagens reais. Quantos de n\u00f3s nos encaramos como verdadeiros estranhos? H\u00e1 tempos, conclu\u00ed que desde que nascemos somos moldados pelos desejos e mandos do outros.<\/p>\n<p>Criamos um roteiro de vida para caber nas expectativas dos nossos pais, depois, para sermos aceitos pelos nossos amigos, mais adiante, para atrair o olhar e ganhar o amor do sexo oposto. Nos esfor\u00e7amos o tempo todo para cumprir as normas do trabalho, a etiqueta social e alcan\u00e7ar o p\u00f3dio constru\u00eddo pela sociedade.<\/p>\n<p>Enquanto isso, nossa ess\u00eancia se encolhe e desaparece diante nos holofotes externos. A luz que esperamos que nos ilumine externamente ofusca nossa vista para olharmos para dentro. Outras vezes, nossa identidade n\u00e3o cabe dentro dos moldes impostos social e culturalmente: explode e grita at\u00e9 ganhar espa\u00e7o. Sorte de quem a resgata e a liberta.<\/p>\n<p>Foi o que aconteceu com o Eduardo no filme. Durante toda a vida foi o que o pai desejou que ele fosse, mas esqueceu de ouvir o que queria ser. At\u00e9 que um dia, sua verdadeira ess\u00eancia pediu socorro, e de forma exagerada, o filme mostra que ele se transforma em Duca, o cara que ele gostaria de ter sido.<\/p>\n<p>Tanto medo de atender nossos pr\u00f3prios sonhos e instintos, que ocupamos a mente com a vida do outro. Foi assim com Marnie, que come\u00e7ou a viver a hist\u00f3ria de desconhecidos e da filha para n\u00e3o ter que tra\u00e7ar seu pr\u00f3prio destino. Mesmo acontece com B\u00e1rbara, do enredo brasileiro, que faz de tudo para aliviar a dor do outro para estar enrolada demais para olhar para as pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>Eu tamb\u00e9m poderia viver qualquer um desses tr\u00eas personagens. Tamb\u00e9m passei muito tempo tentando seguir as regras impostas por algu\u00e9m para merecer, ao final, uma medalha de ouro e aplausos. Se conhecer d\u00e1 medo e uma certeza amendrontadora: a de que s\u00f3 voc\u00ea pode saber como se fazer feliz.<\/p>\n<p>Escreva: fsduarte@hotmail.com<\/p>\n<p>Facebook: In Confid\u00eancias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo s\u00e1bado, tinha tempo de sobra e resolvi preench\u00ea-lo assistindo a filmes. Aleatoriamente, escolhi dois que, no fim das contas, me fizeram refletir sobre o mesmo tema: n\u00e3o nos conhecemos a n\u00f3s mesmos. Comecei pelo brasileiro \u201cDesculpe o transtorno\u201d, de Tom\u00e1s Portella. 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