{"id":204,"date":"2016-08-15T15:04:52","date_gmt":"2016-08-15T18:04:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/?p=204"},"modified":"2016-08-15T15:04:52","modified_gmt":"2016-08-15T18:04:52","slug":"ate-nunca-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/ate-nunca-mais\/","title":{"rendered":"At\u00e9 nunca mais"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o aconteceu comigo. Ainda, receio. Por isso, compartilho a indigna\u00e7\u00e3o. N\u00e3o conhe\u00e7o a mo\u00e7a em quest\u00e3o, mas sim quem convive com ela. Contaram que escondia seus desejos atr\u00e1s das camadas de gordura em excesso no seu corpo. At\u00e9 que chegou o dia de se livrar da adiposa cortina de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fez uma cirurgia que lhe cortou um naco do est\u00f4mago e a obrigou a diminuir a fome, al\u00e9m do peso. O novo corpo, por\u00e9m, s\u00f3 aumentou as ganas de ser amada. Volta e meia sa\u00eda com um rapaz, personagem de alguma hist\u00f3ria infrut\u00edfera.<\/p>\n<p>At\u00e9 que o conheceu. Mensagens di\u00e1rias de conte\u00fado carinhoso s\u00f3 refor\u00e7avam a suspeita de que ele estava interessado. Ela, feliz, retribu\u00eda. Sa\u00edam para o cinema e para jantar. Ela entendia, ent\u00e3o, que ele n\u00e3o queria s\u00f3 sexo. Bom sinal. Talvez o amor tivesse chegado. <\/p>\n<p>Um dia, ele simplesmente n\u00e3o respondeu mais as mensagens dela. Foi caguetado pelo &#8220;check&#8221; marcado em azul da mensagem visualizada. Fez quest\u00e3o de ler e mostrar que simplesmente n\u00e3o queria responder. Foi embora, sem an\u00fancio, sem dizer tchau.<\/p>\n<p>A mo\u00e7a entrou em descompasso. Desconfio que nem p\u00f4de descontar as frustra\u00e7\u00f5es na panela de brigadeiro quente, j\u00e1 que, para isso, lhe fazia o peda\u00e7o descartado do est\u00f4mago.<\/p>\n<p>V\u00edtima do desequil\u00edbrio emocional alheio, se perguntou que culpa ela teria. Nenhuma, minha querida. N\u00e3o h\u00e1 desculpa para algu\u00e9m sair da sua vida sem despedida. Que bata a porta, berre e diga que n\u00e3o volte nunca mais. Que chore, lamente, d\u00ea beijos para aliviar a culpa, mas diga adeus.<\/p>\n<p>A tecnologia facilitou as despedidas covardes. As pessoas s\u00f3 deletam, bloqueiam e somem. Sem explica\u00e7\u00f5es, sem empatia. Nenhuma justificativa me faria entender tal comportamento. Fico tentando imaginar como fazia essa gente medrosa antes do escudo das telas de telefones e computadores. <\/p>\n<p>Me lembrei, ent\u00e3o, de uma conversa com um amigo: ele me contou que, quando o telefone fixo era uma das poucas maneiras de manter um contato apaixonado, sua m\u00e3e nunca era sua aliada quando mo\u00e7a j\u00e1 desinteressante, mas ainda interessada, ligava e ele n\u00e3o queria atender. &#8220;Diga que n\u00e3o estou&#8221;, implorava.<\/p>\n<p>A m\u00e3e, por\u00e9m, n\u00e3o cedia. S\u00f3 lhe entregava o fone e dizia: se ele n\u00e3o quisesse mais, que avisasse \u00e0 menina. Se ele aprendeu, n\u00e3o me arrisco a dizer, mas o que essa mulher tentava ensin\u00e1-lo era justamente o que muitos n\u00e3o sabem fazer: ter a coragem de acabar uma hist\u00f3ria com a mesma bravura de quem se entrega \u00e0 perigosa e incerta aventura do in\u00edcio de um romance.<\/p>\n<p>Escreva: fsduarte@hotmail.com<br \/>\nFacebook: In Confid\u00eancias <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o aconteceu comigo. Ainda, receio. Por isso, compartilho a indigna\u00e7\u00e3o. N\u00e3o conhe\u00e7o a mo\u00e7a em quest\u00e3o, mas sim quem convive com ela. Contaram que escondia seus desejos atr\u00e1s das camadas de gordura em excesso no seu corpo. At\u00e9 que chegou o dia de se livrar da adiposa cortina de prote\u00e7\u00e3o. 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