{"id":201,"date":"2016-08-08T15:03:10","date_gmt":"2016-08-08T18:03:10","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/?p=201"},"modified":"2016-08-08T15:03:10","modified_gmt":"2016-08-08T18:03:10","slug":"vontade-de-mudar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/vontade-de-mudar\/","title":{"rendered":"Vontade de mudar"},"content":{"rendered":"<p>Algu\u00e9m me explicou dia desses, com a sabedoria de quem n\u00e3o foge do amor, menos ainda da dor, que h\u00e1 um lugar fora do nosso c\u00edrculo rotineiro de conforto chamado \u201cmadriguera\u201d. Em espanhol, essa palavrinha me soou desconhecida. Pedi que me traduzissem. Em portugu\u00eas, uma das possibilidades de explic\u00e1-la seria dizer que se trata de uma esp\u00e9cie de toca, local tranquilo onde qualquer um se sente protegido.<\/p>\n<p>Passei, ent\u00e3o, a desejar ardentemente encontrar o tal caminho que me levaria a esse o\u00e1sis da alma, mas n\u00e3o sei bem por onde come\u00e7ar. A amiga que me apresentou o termo me deu a dica: para chegar at\u00e9 l\u00e1, \u00e9 preciso abrir a gaiola na qual estamos acostumados a viver, enclausurados por uma suposta seguran\u00e7a, na verdade, medrosa.<\/p>\n<p>A ideia de bater as asas por esse ref\u00fagio me encantou. Onde estaria a minha \u201cmadriguera\u201d? Conclu\u00ed que cada uma assume formatos distintos, depende do tamanho da vontade de viver de cada um. Se assim for, a minha \u00e9 gigante. Fora da minha gaiola, imagino um mundo de possibilidades, ainda que, por enquanto, esteja na porta, apenas espiando o que tem do lado de l\u00e1 da grade.<\/p>\n<p>Descobri que os passos para fora de nossa pris\u00e3o mental e emocional podem ser dados aos poucos. Pequenos gestos s\u00e3o libertadores. Diante do espelho, me lembrei disso h\u00e1 menos de uma semana. Estava cansada da minha cara desmilinguida, t\u00e3o sem sal quanto meu cabelo liso e sem corte. De supet\u00e3o, fui ao sal\u00e3o. O cabeleireiro era um jordaniano. Uma boa escolha que poderia trazer picotes de sotaque estrangeiro a meus fios, j\u00e1 t\u00e3o familiares e enjoativos.<\/p>\n<p>Com um sotaque forte, ele me olhou de cima a baixo. De frente e de costas. Sentada e em p\u00e9. E me deu a senten\u00e7a: \u201cou repicamos ou cortamos curto\u201d. Hesitei. Mudar n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Deixar para tr\u00e1s a jaula que nos traz confian\u00e7a d\u00e1 medo. Bastou, ent\u00e3o, me lembrar do conceito rec\u00e9m-apresentado da \u201cmadriguera\u201d para decidir. \u201cCorte! Fa\u00e7a o que voc\u00ea quiser\u201d, determinei. Com a navalha, ele deixou minha nuca exposta. Meu cabelo que, por anos, foi cultivado at\u00e9 o meio das costas, estava em peda\u00e7os no ch\u00e3o. <\/p>\n<p>Com ele, ficou um pouco espalhado ali uma parte da minha conhecida fisionomia. Se cabelo d\u00e1 for\u00e7a \u00e0 Sans\u00e3o, a falta dele oferece novos ares \u00e0s mulheres. A mudan\u00e7a da apar\u00eancia promove a interior. O modo que te olham \u00e9 diferente, os interesses que voc\u00ea atrai s\u00e3o igualmente distintos. Sem alguns cent\u00edmetros de cabelo, me sinto mais leve. Quem sabe assim fica mais f\u00e1cil voar e visitar o abrigo desconhecido, e t\u00e3o tentador, que me espera?<\/p>\n<p>Escreva: fsduarte@hotmail.com<br \/>\nFacebook: In Confidencias<br \/>\n\u00a9 2016 Microsoft Termos Privacidade e cookies Desenvolvedores Portugu\u00eas (Brasil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algu\u00e9m me explicou dia desses, com a sabedoria de quem n\u00e3o foge do amor, menos ainda da dor, que h\u00e1 um lugar fora do nosso c\u00edrculo rotineiro de conforto chamado \u201cmadriguera\u201d. Em espanhol, essa palavrinha me soou desconhecida. Pedi que me traduzissem. 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