{"id":199,"date":"2016-08-01T13:26:09","date_gmt":"2016-08-01T16:26:09","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/?p=199"},"modified":"2016-08-01T13:26:09","modified_gmt":"2016-08-01T16:26:09","slug":"moda-de-ser-voce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/moda-de-ser-voce\/","title":{"rendered":"A moda de ser voc\u00ea"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 estive em Nova York no outono. Passei uma temporada na primavera e talvez, se escolha minha for, nunca visitarei esse lugar de inverno pouco amistoso, capaz de congelar minha respira\u00e7\u00e3o e, vai saber, at\u00e9 meus pensamentos.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 a primeira vez que venho no ver\u00e3o, de calor grudento e de liberdade coletiva. Digo isso porque nunca vi tantas mulheres \u00e0 vontade com o corpo exposto. Atribui-se \u00e0s brasileiras uma tranquilidade em exibir a carne que, na verdade, n\u00e3o alcan\u00e7amos, como desfrutam as belas de v\u00e1rias nacionalidades nessa torre de Babel.<\/p>\n<p>Em alta temperatura, as mulheres nas ruas de Nova York s\u00e3o invej\u00e1veis pela sensualidade de serem lindas exatamente como s\u00e3o. Para aliviar o calor, deixam \u00e0 mostra as pernas em shorts min\u00fasculos ou vestidos curt\u00edssimos. N\u00e3o tem idade que as reprima. Vi coxas fl\u00e1cidas bronzeadas pelo dia desfrutado na praia caminharem com a mesma eleg\u00e2ncia que as enrijecidas pelas juventude. Vi celulites desinibidas. N\u00e3o h\u00e1 entre elas tentativa de esconder umas das marcas mais genuinamente femininas.<\/p>\n<p>E a beleza se estende da cabe\u00e7a aos p\u00e9s. Nessas ruas fervilhantes, voc\u00ea se monta justamente para n\u00e3o se notada. Diferente \u00e9 o discreto. Aqui, elas se sentem livres para pintar as unhas de cores que nem sei dar nome ao tom. <\/p>\n<p>O rosto melado de suor n\u00e3o dispensa a maquiagem. Ao contr\u00e1rio, quanto mais iluminado os p\u00f3s e os blushes, mais real\u00e7ado fica o brilho da esta\u00e7\u00e3o. As negras fazem arte com o cabelo obedientemente rebelde. Sorte que n\u00e3o desfrutam as pessoas de pele amarelada como eu.<\/p>\n<p>As modelos reais dessa cidade americana quase n\u00e3o usam salto. Seria uma agress\u00e3o contra p\u00e9s constantemente apressados. Mas at\u00e9 de chinelos s\u00e3o igualmente charmosas. Elas saem de t\u00eanis com a mesma gra\u00e7a de quem est\u00e1 nas alturas. N\u00e3o h\u00e1 rasteiras sem estilo ou sapatilhas insossas. Tudo faz parte de um figurino bem pensado e charmoso.<\/p>\n<p>Senti uma ponta de inveja da alforria fashion conquistada por elas. Completamente vestidas, est\u00e3o mais libertas que brasileiras totalmente desnudas. S\u00e3o donas do direito de serem belas sem julgamentos, modismos ou dress code massificado. &#8220;Vista-se como quiser, voc\u00ea est\u00e1 na Am\u00e9rica e ningu\u00e9m vai te olhar&#8221;, uma delas me explicou, enquanto eu desfilava com meu vestido de paet\u00eas e chinelos pelo metr\u00f4.<\/p>\n<p>Escreva: fsduarte@hotmail.com<br \/>\nFacebook: In Confid\u00eancias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 estive em Nova York no outono. Passei uma temporada na primavera e talvez, se escolha minha for, nunca visitarei esse lugar de inverno pouco amistoso, capaz de congelar minha respira\u00e7\u00e3o e, vai saber, at\u00e9 meus pensamentos. Mas \u00e9 a primeira vez que venho no ver\u00e3o, de calor grudento e de liberdade coletiva. 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