{"id":194,"date":"2016-07-25T13:16:14","date_gmt":"2016-07-25T16:16:14","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/?p=194"},"modified":"2016-07-25T13:16:14","modified_gmt":"2016-07-25T16:16:14","slug":"luz-de-lourdes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/luz-de-lourdes\/","title":{"rendered":"A luz de Lourdes"},"content":{"rendered":"<p>Fico em Nova York por mais uma semana. Vim fazer um curso em uma universidade americana. Ali, tem gente de todas as partes do mundo, estudando ou ensinando. Gente com cole\u00e7\u00e3o de diplomas, com uma tecla SAP dispon\u00edvel no c\u00e9rebro para falar qualquer idioma.<\/p>\n<p>Mas tenho certeza que n\u00e3o ser\u00e1 dos de curr\u00edculo invej\u00e1vel a maior li\u00e7\u00e3o que levarei para casa. Estou segura de que a pessoa mais brilhante com a qual esbarrei nesta viagem atende por Lourdes. <\/p>\n<p>Nome t\u00e3o comum no Brasil \u00e9 assinado por uma venezuelana pixota, residente h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas nos Estados Unidos. A pouca altura, por\u00e9m, n\u00e3o lhe rouba a grandeza da hist\u00f3ria de vida que escreveu.<\/p>\n<p>Introduzimos nossa conversa em ritmo morno, falando do Brasil, de comida e de dan\u00e7a. Por alguma raz\u00e3o, ela comentou ter se separado h\u00e1 oito meses, de maneira que reagi com a piada clich\u00ea de que dever\u00edamos sair por essa cidade vibrante para encontrarmos um namorado: um para mim e outro para ela.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o fez caso de minha proposta pouco original e come\u00e7ou a falar de amor. O tema t\u00e3o comum, compreendido em qualquer l\u00edngua, na narrativa de Lourdes, ganhou contornos dignos de romance. <\/p>\n<p>A senhora alegre de 59 anos, foi casada tr\u00eas vezes. Tem tr\u00eas filhos e uma soma de netos que se referem a ela como a &#8220;super abuela&#8221;. Movida por paix\u00e3o, se casou pela primeira vez aos 20.<\/p>\n<p>Descobriu que a chama do amor esmoreceu e se viu encantada por pessoas, homens ou mulheres. Teve namoradas, mas o cora\u00e7\u00e3o foi fisgado por um homem que um dia apareceu na sua frente sujo, com aspecto de quem tinha a rua como lar. Ofecereu a ele, casa, comida e roupa lavada. Amor tamb\u00e9m. Tiveram uma filha.<\/p>\n<p>Logo, o amor surpreendeu novamente e lhe trouxe uma companheira, a mesma com quem rompeu recentemente. Com sabedoria adquirida na vida e n\u00e3o nos bancos acad\u00eamicos, essa taxista me disse que \u00e9 preciso deixar sarar o cora\u00e7\u00e3o antes de outro chegar.<\/p>\n<p>Completou o discurso dizendo que dentro de todos n\u00f3s h\u00e1 uma luz, ansiosa por brilhar e atrair energia em volta. O segredo \u00e9 deix\u00e1-la resplandecer e fluir no ritmo do universo. &#8220;Permita que a vida siga em harmonia. Nesse caminho, \u00e9 poss\u00edvel encontrar algumas fagulhas que alimentar\u00e1 o fogo que \u00e9 viver. Voc\u00ea, ent\u00e3o, precisar\u00e1 saber o que fazer: ou ele te ilumina, ou te queima e te faz sofrer&#8221;, me disse essa senhora iluminada.<\/p>\n<p>Escreva: fsduarte@hotmail.com<br \/>\nFacebook: In Confid\u00eancias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fico em Nova York por mais uma semana. Vim fazer um curso em uma universidade americana. Ali, tem gente de todas as partes do mundo, estudando ou ensinando. Gente com cole\u00e7\u00e3o de diplomas, com uma tecla SAP dispon\u00edvel no c\u00e9rebro para falar qualquer idioma. 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