{"id":182,"date":"2016-07-04T12:56:39","date_gmt":"2016-07-04T15:56:39","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/?p=182"},"modified":"2016-07-04T12:58:30","modified_gmt":"2016-07-04T15:58:30","slug":"182-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/182-2\/","title":{"rendered":"Gente charmosa"},"content":{"rendered":"<p>Minha vis\u00e3o anda emba\u00e7ada. A cabe\u00e7a parece funcionar como a de quem sobreviveu a uma borracheira e agora enfrenta a ressaca. Como quem bebe em exagero, tenho passado por momentos na vida com extrema intensidade: demais ou de menos.<\/p>\n<p>Nesse processo, critiquei e fui criticada. Julguei duramente o outro como tamb\u00e9m fui ju\u00edza cruel comigo mesma. Nesse caminho turvo, andei em uma pista escorregadia entre a for\u00e7a e o desespero. Mandei gente embora da minha vida, desisti de algumas batalhas, me preparei bravamente para tantas outras.<\/p>\n<p>Descobri que pouco deveria me importar com o que pensa o outro. Mal consigo colocar minhas ideias no lugar, imagina controla o pensamento alheio&#8230; Assim, tomei uma corajosa decis\u00e3o: s\u00f3 quero por perto quem gosta de mim.<\/p>\n<p>Quem sou eu para apontar o dedo? Cheia de defeitos, busco, diariamente, tamb\u00e9m minha medalha de &#8220;pessoa bacana&#8221;. Seria enorme pretens\u00e3o dividir o mundo entre &#8220;pessoas que me merecem&#8221; e as &#8220;que n\u00e3o me merecem&#8221;. A defini\u00e7\u00e3o soaria simplista e vaidosa. Burra, at\u00e9! Ningu\u00e9m \u00e9 totalmente certo ou errado. Equivocada s\u00e3o suas expectativas em rela\u00e7\u00e3o a outro ser humano, t\u00e3o fr\u00e1gil e confuso como voc\u00ea.<\/p>\n<p>Mais brilhante que eu, certamente, o escritor ingl\u00eas Oscar Wilde encontrou uma forma de classificar a gente. No livro &#8220;O esfinge e seus segredos&#8221;, Marcello Rollemberg compila as melhores frases da obra do autor, entre elas a seguinte defini\u00e7\u00e3o: &#8220;\u0116 um absurdo dividir as pessoas entre boas e m\u00e1s. As pessoas ou s\u00e3o charmosas ou tediosas.&#8221;<\/p>\n<p>Nenhuma outra me encantaria tanto. J\u00e1 que n\u00e3o tenho direito de condenar ningu\u00e9m, ao menos me cabe a escolha de s\u00f3 conviver com as charmosas. Gente tediosa \u00e9 entediada. Gente com charme \u00e9 alegre, ri com gosto, de verdade. Chora tamb\u00e9m! De dor ou por amor.<\/p>\n<p>Pessoas charmosas tentam sempre falar a verdade, s\u00e3o coerentes com suas a\u00e7\u00f5es. Pessoas tediosas dizem que querem hoje e desistem amanh\u00e3. S\u00e3o incapazes de sentirem empatia e nada lhes preocupa mais que do pr\u00f3prio prazer. <\/p>\n<p>Gente charmosa \u00e9 generosa, reconhece as pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es, sem querer colocar as falhas na conta do outro. Quem tem charme tamb\u00e9m luta para ser est\u00e1vel emocionalmente. Tediosos s\u00e3o confusos, inseguros. <\/p>\n<p>Entediantes gostam de receber, mas n\u00e3o sabem dar. S\u00e3o ego\u00edstas por ess\u00eancia e acomodados por op\u00e7\u00e3o. Gostam de falar de si mesmos, mas s\u00e3o incapazes de se interessar pela vida de quem est\u00e1 ao lado. N\u00e3o se importam se marcaram e te deixaram esperando; se encenaram epis\u00f3dios da vida e n\u00e3o te avisaram que tudo n\u00e3o passava de um teatro. <\/p>\n<p>Gente que encanta se preocupa, coloca em pr\u00e1tica a m\u00e1xima que diz:<br \/>\n&#8220;N\u00e3o fa\u00e7a com o outro aquilo que n\u00e3o queria que fizessem com voc\u00ea&#8221;. Retribui, tem cuidado, \u00e9 transparente. Liga, arruma tempo, faz. Muito mais dif\u00edcil espalhar formosura que enfado. N\u00e3o digo ser simples, mas \u00e9 uma escolha. E eu decido ser charmosa.<\/p>\n<p><strong>Escreva: fsduarte@hotmail.com<br \/>\nFacebook: In Confid\u00eancias<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minha vis\u00e3o anda emba\u00e7ada. A cabe\u00e7a parece funcionar como a de quem sobreviveu a uma borracheira e agora enfrenta a ressaca. Como quem bebe em exagero, tenho passado por momentos na vida com extrema intensidade: demais ou de menos. Nesse processo, critiquei e fui criticada. Julguei duramente o outro como tamb\u00e9m fui ju\u00edza cruel comigo mesma. 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