{"id":139,"date":"2016-05-16T12:33:05","date_gmt":"2016-05-16T15:33:05","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/?p=139"},"modified":"2016-05-16T12:33:05","modified_gmt":"2016-05-16T15:33:05","slug":"todas-queremos-um-principe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/todas-queremos-um-principe\/","title":{"rendered":"Todas queremos um pr\u00edncipe"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia, sans-serif\"><span style=\"font-size: small\">Ela fala com suavidade. Tem trejeitos e eleg\u00e2ncia de um cisne. O pesco\u00e7o impecavelmente ereto \u00e9 habilidade de poucas. As meninas adoram os movimentos delicados, coreografados e imitam a mo\u00e7a que personifica uma verdadeira princesa. A aula \u00e9 de bal\u00e9 para crian\u00e7as e conheci na semana passada. Tom rosa e la\u00e7os de fita nos cabelos enfeitam as pequenas bailarinas. A dan\u00e7arina adulta refor\u00e7a o imagin\u00e1rio infantil e transforma em passos de dan\u00e7a em uma lenta fuga da fr\u00e1gil cinderela, que \u00e9 perseguida pela bruxa e espera a salva\u00e7\u00e3o, claro, do pr\u00edncipe.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia, sans-serif\"><span style=\"font-size: small\">O discurso feminino de emponderamento e a autonomia podem at\u00e9 criticar os enredos que definem as mulheres como personagens em busca de um belo par para livr\u00e1-las de todo o mal. \u00c0s m\u00e3es moderninhas, que querem filhas menos dependentes da ideia de amor rom\u00e2ntico, recomendo atear fogo \u00e0s hist\u00f3rias de contos de fadas, nas quais, necessariamente, a pobre donzela s\u00f3 encontrar\u00e1 a felicidade quando um formoso cavaleiro chegar a galopes. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia, sans-serif\"><span style=\"font-size: small\">Ent\u00e3o, tire, imediatamente, sua filha do bal\u00e9. Decrete o fim do cor-de-rosa no arm\u00e1rio. Nunca mencione nomes amea\u00e7adores como Bela Adormecida, Rapunzel e muito menos o de Cinderela. N\u00e3o alimente o mito de que elas s\u00e3o delicadas, fr\u00e1geis e de que, um dia, v\u00e3o esbarrar com um grande amor. N\u00e3o estimule a suavidade dos gestos nem a eleg\u00e2ncia dos passos.\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia, sans-serif\"><span style=\"font-size: small\">Acho a independ\u00eancia da mulher louv\u00e1vel. Uma conquista da qual n\u00e3o se pode abrir m\u00e3o. Ainda bem n\u00e3o somos mais ensinadas a servir a um homem, que, com muita sorte, nos transformar\u00e1 em protagonistas de um conto de fadas. Mas tenho minhas d\u00favidas, por\u00e9m, se \u00e9 poss\u00edvel mudar a ess\u00eancia da alma feminina a ponto de n\u00e3o faz\u00ea-la n\u00e3o querer mais ser amada ou protegida como uma rainha.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia, sans-serif\"><span style=\"font-size: small\">Digo isso porque me espantaram os gritinhos de euforia, inveja e de puro tes\u00e3o mesmo, vindos de uma plateia de incont\u00e1veis mulheres no Vivo Open Air, na semana passada, que exibiu o cl\u00e1ssico <i>Dirty Dancing<\/i>. O filme completa quase tr\u00eas d\u00e9cadas e ainda arranca suspiro dessa mulherada que briga por direitos iguais e se orgulha de ser financeiramente, e emocionalmente, independente.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia, sans-serif\"><span style=\"font-size: small\">Tamb\u00e9m sou dessas que deseja a liberdade. Nada melhor que ser dona de si mesmo, do que gostar de si pr\u00f3pria acima de todas as coisas, mas, que um belo sorriso e um olhar penetrante de um homem como Johnny Castle, vivido pelo ator Patrick Swayze, bambeia as pernas e acelera o cora\u00e7\u00e3o, ah, isso sim.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia, sans-serif\"><span style=\"font-size: small\">Quase 30 anos depois, as mulheres ainda s\u00e3o ati\u00e7adas pela possibilidade de serem desejadas por um homem m\u00e1sculo e sensual. Prova disso foi o alvoro\u00e7o que a plateia de advogadas, funcion\u00e1rias p\u00fablicas, jornalistas, engenheiras, professoras bem resolvidas causaram quando o bailarino do filme arrancou a jaqueta para dan\u00e7ar, fixou o olhar e puxou a cintura da personagem Baby com virilidade.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia, sans-serif\"><span style=\"font-size: small\">A personagem interpretada por Frances Houseman tamb\u00e9m era determinada, especialmente para os anos 1980. Contrariou pai e m\u00e3e e fisgou o bonit\u00e3o. Ainda bem que, de l\u00e1 para c\u00e1, conquistamos o direito de apontar nossos escolhidos com cada vez menos julgamento, mas desconfio que ainda caiba a eles alguns passos da sedu\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Utopia, sans-serif\"><span style=\"font-size: small\">A menina que dan\u00e7a bal\u00e9 na inf\u00e2ncia \u00e9 a mesma adulta que sonha, ainda que n\u00e3o admita, ser rodopiada por um homem viril e n\u00e3o vacilante. Assim como Baby, \u00e9 por um forte e decidido Johnny que elas se rendem e cedem o direito da dan\u00e7a. Interpretem como quiser, mas alguns passos do ritual do acasalamento cabem aos machos, ainda que as f\u00eameas estejam mais ativas, seletivas e descoladas. S\u00e3o as princesas modernas, que escrevem as atuais hist\u00f3rias de amor. Elas tamb\u00e9m querem um pr\u00edncipe, e melhor ainda se ele for um lindo, gostoso e souber dan\u00e7ar. <\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Ela fala com suavidade. Tem trejeitos e eleg\u00e2ncia de um cisne. O pesco\u00e7o impecavelmente ereto \u00e9 habilidade de poucas. As meninas adoram os movimentos delicados, coreografados e imitam a mo\u00e7a que personifica uma verdadeira princesa. A aula \u00e9 de bal\u00e9 para crian\u00e7as e conheci na semana passada. Tom rosa e la\u00e7os de fita nos cabelos enfeitam as pequenas bailarinas. 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