{"id":130,"date":"2016-05-09T12:23:22","date_gmt":"2016-05-09T15:23:22","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/?p=130"},"modified":"2016-05-09T12:23:22","modified_gmt":"2016-05-09T15:23:22","slug":"louca-eu-maluco-voce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/louca-eu-maluco-voce\/","title":{"rendered":"Louca eu, maluco voc\u00ea"},"content":{"rendered":"<p>O conceito de louco est\u00e1 banalizado. H\u00e1 muito deixou de ser refer\u00eancia apenas de diagn\u00f3stico psiqui\u00e1trico. Pode-se dizer que todo mundo ficou maluco de vez. Se voc\u00ea \u00e9 sincero demais, certamente \u00e9 pinel. Caso fale de menos \u00e9 igualmente tant\u00e3. Mo\u00e7a que ama em demasia \u00e9 desequilibrada, e a que nunca teve uma paix\u00e3o precisa urgentemente de um div\u00e3. Quando o cara liga no outro dia \u00e9 carente digno de terapia; caso n\u00e3o telefone nunca, \u00e9 inseguro traumatizado. Talvez um tarja preta ajude o pobre rapaz.<\/p>\n<p>E assim estamos todos surtados. O que n\u00e3o precisa ser interpretado como algo ruim, por\u00e9m. Ser louco virou predicado, parte da ess\u00eancia humana. O louco \u00e9 ser tamb\u00e9m engra\u00e7ado, encantadoramente aut\u00eantico. Em tempos de tantas m\u00e1scaras e rela\u00e7\u00f5es superficiais, se a maluquice traz \u00e0 tona verdades pessoais, ent\u00e3o, prefiro viver em um manic\u00f4mio.<\/p>\n<p>A loucura coletiva e popularizada, essa sem CID psiqui\u00e1trico, revela a alma de cada pessoa. Aquilo de mais genu\u00edno que levamos dentro de n\u00f3s mesmos. A escritora Tati Bernardi acaba de lan\u00e7ar o livro <em>Depois a louca sou eu,<\/em>\u00a0em que faz gra\u00e7a do pr\u00f3prio descontrole emocional. Em um dos cap\u00edtulos, ela fala que temos todos um bicho interno, reprimido, domado, justamente por ser imprevis\u00edvel. Concordo com ela. A diferen\u00e7a \u00e9 que algumas pessoas libertam essa fera. Dizem o que pensam, fazem o que manda o cora\u00e7\u00e3o e ganham o t\u00edtulo de totocas\u00a0 da cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Eu mesma j\u00e1 tentei subjugar meu animal interior \u2014 algumas vezes, arredio, e, outras tantas, d\u00f3cil em demasia \u2014, com a qu\u00edmica da ind\u00fastria farmac\u00eautica. N\u00e3o s\u00f3 eu, quase a totalidade das pessoas que conhe\u00e7o j\u00e1 tomaram umas gotinhas da serenidade. Ritalina e rivotril est\u00e3o a\u00ed dispon\u00edveis para amansar a mente e roubar um pouco da personalidade.<\/p>\n<p>Prefiro ser doida. Daquelas de jogar pedra. Prefiro os igualmente malucos. Gente fora da casinha tem alma liberta e, por isso, incomodam tanto. Fazem o que os outros n\u00e3o t\u00eam coragem de assumir. J\u00e1 dizia Osho, o guru indiano e mestre da medita\u00e7\u00e3o, que, ficar louco vez ou outra \u00e9 necessidade b\u00e1sica para ser s\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o me ofendo se me definem desequilibrada. Gosto da imprevisibilidade do pensamento descontrolado. Em cartaz, est\u00e1 o filme <em>Nise<\/em>, que conta a hist\u00f3ria da psiquiatra brasileira que revolucionou, nos anos 1950, o tratamento de pacientes esquizofr\u00eanicos. Atribui-se a ela, justamente a m\u00e9dica do dom\u00ednio da mente, uma frase de grande lucidez:\u201cN\u00e3o se curem al\u00e9m da conta. Gente curada demais \u00e9 chata!\u201d Estou com ela. Acredito que destempero dos pensamentos tem, verdadeiramente, seu charme.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Siga-nos no facebook: In Confid\u00eancias<\/p>\n<p>Contato: <em>fsduarte@hotmail.com<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O conceito de louco est\u00e1 banalizado. H\u00e1 muito deixou de ser refer\u00eancia apenas de diagn\u00f3stico psiqui\u00e1trico. Pode-se dizer que todo mundo ficou maluco de vez. Se voc\u00ea \u00e9 sincero demais, certamente \u00e9 pinel. Caso fale de menos \u00e9 igualmente tant\u00e3. Mo\u00e7a que ama em demasia \u00e9 desequilibrada, e a que nunca teve uma paix\u00e3o precisa urgentemente de um div\u00e3. Quando [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-130","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=130"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":131,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130\/revisions\/131"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=130"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=130"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/inconfidencias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=130"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}