{"id":37680,"date":"2026-11-03T23:29:42","date_gmt":"2026-11-04T02:29:42","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/?p=37680"},"modified":"2026-11-03T23:29:44","modified_gmt":"2026-11-04T02:29:44","slug":"matheus-cunha-resgata-a-mistica-do-fergie-time-no-teatro-dos-sonhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/matheus-cunha-resgata-a-mistica-do-fergie-time-no-teatro-dos-sonhos\/","title":{"rendered":"Matheus Cunha resgata a m\u00edstica do &#8220;Fergie Time&#8221; no Teatro dos Sonhos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O rel\u00f3gio pode at\u00e9 ser inimigo da maioria dos times, mas sempre teve um significado diferente para o Manchester United de Sir Alex Ferguson. Em Old Trafford, os minutos finais n\u00e3o representavam necessariamente a contagem regressiva para o fim de uma partida. Muitas vezes, anunciavam o in\u00edcio de um pesadelo para os advers\u00e1rios. O Fergie Time virou uma marca registrada de uma equipe especialista em desafiar o imposs\u00edvel, empurrada pela tradi\u00e7\u00e3o, pela atmosfera do est\u00e1dio e pela convic\u00e7\u00e3o de nunca desistir. Contra a Roma, essa velha identidade deu sinais de vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A express\u00e3o ganhou espa\u00e7o no vocabul\u00e1rio do futebol ingl\u00eas nos anos 1990. A primeira refer\u00eancia registrada pelo jornal The Guardian apareceu em mar\u00e7o de 1998, numa provoca\u00e7\u00e3o sobre os minutos adicionais supostamente generosos destinados ao Manchester United. A fama, entretanto, vinha de antes. Em abril de 1993, Steve Bruce marcou dois gols nos instantes finais contra o Sheffield Wednesday, em Old Trafford, numa vit\u00f3ria fundamental para a caminhada rumo ao primeiro t\u00edtulo da Premier League sob o comando de Ferguson.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas foi em Barcelona, em 26 de maio de 1999, que a m\u00edstica alcan\u00e7ou dimens\u00e3o universal. Na decis\u00e3o da Liga dos Campe\u00f5es, o Bayern de Munique vencia por 1 x 0 at\u00e9 os acr\u00e9scimos. Teddy Sheringham empatou aos 46 minutos do segundo tempo. Pouco depois, Ole Gunnar Solskjaer aproveitou a cobran\u00e7a de escanteio de David Beckham e decretou a virada por 2 x 1. Em aproximadamente tr\u00eas minutos, o United conquistou a Europa e completou a hist\u00f3rica tr\u00edplice coroa, com os t\u00edtulos ingl\u00eas e da Copa da Inglaterra. Sir Alex Ferguson havia transformado a insist\u00eancia em uma virtude coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vit\u00f3ria por 3 x 2 sobre a Roma recuperou um pouco daquela atmosfera. O Manchester United foi para o intervalo perdendo por dois gols, depois de sofrer com os pr\u00f3prios erros e a efici\u00eancia italiana. A rea\u00e7\u00e3o come\u00e7ou com Bruno Fernandes, de p\u00eanalti, e ganhou contornos \u00e9picos nos minutos finais. Matheus Cunha marcou duas vezes, aos 38 e aos 41 da etapa complementar, para inverter o placar em Old Trafford. Uma noite de reden\u00e7\u00e3o para uma equipe pressionada por nove partidas sem vencer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O brasileiro assumiu o papel principal. Em oito minutos, concentrou praticamente todos os ingredientes de uma hist\u00f3ria improv\u00e1vel: balan\u00e7ou a rede duas vezes, tirou a camisa para comemorar com a torcida, recebeu o primeiro cart\u00e3o amarelo e acabou expulso ap\u00f3s nova advert\u00eancia por uma falta. Uma participa\u00e7\u00e3o t\u00e3o intensa quanto contradit\u00f3ria. Her\u00f3i da rea\u00e7\u00e3o, Cunha deixou o gramado antes do apito final. A explos\u00e3o de alegria quase cobrou um pre\u00e7o alto demais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 algo de emblem\u00e1tico nessa sequ\u00eancia. Cunha personifica um Manchester United capaz de produzir momentos de enorme intensidade, mas ainda sujeito a epis\u00f3dios de descontrole. O talento individual resolveu uma partida complicada; a expuls\u00e3o, por sua vez, lembrou a import\u00e2ncia do equil\u00edbrio emocional em uma equipe submetida a tanta press\u00e3o. O brasileiro foi protagonista da noite, tanto pela capacidade de decis\u00e3o quanto pelo excesso na comemora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A refer\u00eancia a Ferguson vai al\u00e9m da coincid\u00eancia de uma virada nos instantes derradeiros. O escoc\u00eas construiu uma cultura competitiva na qual a persist\u00eancia fazia parte do repert\u00f3rio. Os times dele n\u00e3o precisavam dominar os 90 minutos para continuar acreditando na vit\u00f3ria. Sabiam transformar a urg\u00eancia em combust\u00edvel, ocupar o campo advers\u00e1rio e fazer o rel\u00f3gio trabalhar a favor da press\u00e3o. O Fergie Time n\u00e3o era apenas uma discuss\u00e3o sobre acr\u00e9scimos. Era uma mentalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A noite contra a Roma oferece ao torcedor uma lembran\u00e7a dessa heran\u00e7a. Tamb\u00e9m imp\u00f5e uma reflex\u00e3o: recuperar a m\u00edstica \u00e9 diferente de reconstruir uma identidade. Uma vit\u00f3ria espetacular pode devolver confian\u00e7a, aproximar arquibancada e equipe e criar um ambiente favor\u00e1vel \u00e0 retomada. A consist\u00eancia, entretanto, depende de trabalho, organiza\u00e7\u00e3o e continuidade. Nenhum clube vive indefinidamente de lembran\u00e7as, por mais gloriosas que sejam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Manchester United ainda tem uma longa caminhada para voltar ao patamar de excel\u00eancia estabelecido por Sir Alex Ferguson. Mas noites como essa ajudam a alimentar a esperan\u00e7a. Em Old Trafford, a Roma descobriu da maneira mais dolorosa uma velha li\u00e7\u00e3o: enquanto houver tempo no cron\u00f4metro, o United n\u00e3o pode ser considerado derrotado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desta vez, a assinatura da virada foi brasileira. Matheus Cunha escreveu o nome dele em uma noite de inspira\u00e7\u00e3o, excessos e emo\u00e7\u00e3o. O Fergie Time ganhou uma nova vers\u00e3o. E Old Trafford voltou a acreditar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A virada do Manchester United constru\u00edda com dois gols de Matheus Cunha tem um peso hist\u00f3rico que talvez nem ele saiba dos tempos dourados de Sir Alex Ferguson<\/p>\n","protected":false},"author":31,"featured_media":37682,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[2331,1553,301,252,2333,36,1191,2330,2332],"class_list":["post-37680","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-esporte","tag-fergie-time","tag-futebol-ingles","tag-manchester-united","tag-matheus-cunha","tag-old-trafford","tag-premier-league","tag-roma","tag-sir-alex-ferguson","tag-teatro-dos-sonhos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37680","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/31"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37680"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37680\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37683,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37680\/revisions\/37683"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37682"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37680"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37680"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37680"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}