{"id":36355,"date":"2026-07-20T00:00:28","date_gmt":"2026-07-20T03:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/?p=36355"},"modified":"2026-07-20T10:48:37","modified_gmt":"2026-07-20T13:48:37","slug":"ferran-torres-tubarao-espanhol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/ferran-torres-tubarao-espanhol\/","title":{"rendered":"Personagem do Dia 39: O Tubar\u00e3o espanhol chamado Ferran Torres"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nova Jersey \u2014<\/strong> O rel\u00f3gio marcava 106 minutos quando a partida parecia caminhar para os p\u00eanaltis. O desgaste superava a inspira\u00e7\u00e3o, e cada dividida carregava o peso de uma Copa do Mundo. Foi ent\u00e3o que Nico Williams encontrou Ferran Torres infiltrando entre os zagueiros argentinos. Bastou um toque para vencer Emiliano Mart\u00ednez, intranspon\u00edvel at\u00e9 ent\u00e3o com 11 defesas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dezesseis anos depois de o meia Andr\u00e9s Iniesta decidir a final contra a Holanda, no Soccer City, em Johannesburgo, um atacante destinado a viver entre o banco e a equipe titular escreveu o nome na hist\u00f3ria. A conclus\u00e3o certeira no MetLife Stadium n\u00e3o valeu apenas um campeonato. Representou a recompensa de uma carreira constru\u00edda muito mais na persist\u00eancia do que nos holofotes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ascens\u00e3o do camisa 11 jamais seguiu o roteiro reservado aos fen\u00f4menos precoces. Enquanto Lamine Yamal, Pedri, Gavi e Nico Williams despertavam entusiasmo imediato e concentravam a aten\u00e7\u00e3o da imprensa, ele percorria um caminho menos glamouroso. Conviveu com o estigma da irregularidade, viu chances desperdi\u00e7adas transformarem-se em piadas nas redes sociais, enfrentou concorr\u00eancia feroz no Manchester City de Pep Guardiola e no Barcelona atravessou sucessivas janelas de transfer\u00eancias cercado por especula\u00e7\u00f5es sobre a poss\u00edvel sa\u00edda. Em vez de alimentar pol\u00eamicas, preferiu responder da maneira que mais conhece: treinando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Natural de Foios, pequeno munic\u00edpio da Comunidade Valenciana, Ferran nasceu em 29 de fevereiro de 2000, uma data que, como a Copa do Mundo, s\u00f3 aparece no calend\u00e1rio a cada quatro anos. Formado pelo Valencia, destacou-se desde cedo menos pelo espet\u00e1culo individual do que pela intelig\u00eancia coletiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A velocidade, a leitura dos espa\u00e7os e a capacidade de aparecer onde a jogada pedia fizeram dele um atacante valorizado por todos os treinadores, ainda que nem sempre compreendido pelas arquibancadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Guardiola enxergou essas virtudes ao lev\u00e1-lo para o futebol ingl\u00eas. A maturidade, entretanto, floresceu na Catalunha. Antes do Mundial, viveu a temporada mais produtiva da carreira, consolidando-se como uma pe\u00e7a vers\u00e1til capaz de atuar em qualquer posi\u00e7\u00e3o do setor ofensivo. Desembarcou nos Estados Unidos longe do status de protagonista, mas sustentando o melhor momento t\u00e9cnico desde a sa\u00edda de Mestalla.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao longo da Copa do Mundo, aceitou sem qualquer resist\u00eancia a fun\u00e7\u00e3o desenhada por Luis de la Fuente. Iniciou boa parte dos compromissos entre os reservas, entrou em praticamente todas as partidas e transformou-se em uma alternativa capaz de alterar o panorama dos confrontos. Diante de Portugal, participou do gol decisivo de Merino que levou a sele\u00e7\u00e3o \u00e0s quartas de final. Contra a Argentina, repetiu o papel com efici\u00eancia ainda maior. Entrou quando os defensores demonstravam sinais evidentes de exaust\u00e3o, atacou os espa\u00e7os com precis\u00e3o e definiu o campe\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O apelido &#8220;El Tibur\u00f3n&#8221; nunca pareceu t\u00e3o apropriado. O predador pode permanecer longo tempo quase impercept\u00edvel antes do ataque. Quando identifica a oportunidade, dificilmente desperdi\u00e7a. A imagem acompanha Ferran desde os primeiros anos como profissional e resume sua maneira de interpretar o jogo. Durante muito tempo aguardou a chance capaz de justificar a confian\u00e7a depositada pelos treinadores. O destino reservou esse instante para a noite mais importante da carreira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desde as categorias de base, as decis\u00f5es costumam extrair o melhor de Ferran Torres. Campe\u00e3o europeu sub-19 e protagonista em diferentes sele\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o da Espanha, acostumou-se a responder com personalidade quando a press\u00e3o aumentava. A final da Copa apenas ampliou uma caracter\u00edstica percebida muito antes da fama internacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O futebol costuma erguer est\u00e1tuas para g\u00eanios, dribladores e artistas capazes de dominar partidas sozinhos. Ferran Torres pertence a uma linhagem diferente. A dos profissionais capazes de transformar a disciplina em virtude, aceitar pap\u00e9is secund\u00e1rios e permanecer prontos quando a oportunidade finalmente aparece.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim como Iniesta em 2010, bastou um \u00fanico toque para cruzar definitivamente a fronteira entre um excelente jogador e um personagem eterno da sele\u00e7\u00e3o espanhola. O tubar\u00e3o escolheu o instante exato para atacar. Naquele breve movimento dentro da \u00e1rea, conquistou um lugar definitivo na hist\u00f3ria do futebol. Em uma final desenhada para o encontro entre Lionel Messi e Lamine Yamal, o roteiro reservou o papel principal ao coadjuvante. O dia 19 de julho de 2026 n\u00e3o pertenceu aos dois maiores astros da decis\u00e3o. O dia 19 de julho de 2026 parecia destinado aos grandes astros. Coube ao Tubar\u00e3o devorar a \u00faltima presa da Espanha na Copa do Mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"E4m7JHSXj2\"><p><a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/defesas-ganham-copas-espanha-prova-a-tese-de-carlo-ancelotti\/\">&#8220;Defesas ganham Copas&#8221;: Espanha prova a tese de Carlo Ancelotti<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"\u201c\u201cDefesas ganham Copas\u201d: Espanha prova a tese de Carlo Ancelotti\u201d \u2014 Blog Drible de Corpo\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/defesas-ganham-copas-espanha-prova-a-tese-de-carlo-ancelotti\/embed\/#?secret=18P0Zn2Qty#?secret=E4m7JHSXj2\" data-secret=\"E4m7JHSXj2\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\n<p><strong>X: @marcospaulolima<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><strong>Instagram: @marcospaulolima.jor<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova Jersey \u2014 O rel\u00f3gio marcava 106 minutos quando a partida parecia caminhar para os p\u00eanaltis. 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