{"id":36207,"date":"2026-07-06T00:00:47","date_gmt":"2026-07-06T03:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/?p=36207"},"modified":"2026-07-06T10:47:59","modified_gmt":"2026-07-06T13:47:59","slug":"personagem-do-dia-25-ancelotti-falhou-como-protagonista-do-brasil-na-copa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/personagem-do-dia-25-ancelotti-falhou-como-protagonista-do-brasil-na-copa\/","title":{"rendered":"Personagem do Dia 25: Ancelotti falhou como protagonista do Brasil na Copa"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Nova Jersey \u2014<\/strong> O Brasil desembarcou pela primeira vez em uma Copa apostando num t\u00e9cnico como protagonista \u2014 e n\u00e3o em um jogador fora de s\u00e9rie com cal\u00e7\u00e3o, camisa e chuteira. At\u00e9 Vinicius Junior, autor de quatro gols na fase de grupos, era coadjuvante. O craque do time em 2026 usava terno, sapato social, \u00e9 penta da Champions League com Milan e Real Madrid; campe\u00e3o nacional nas cinco principais ligas da Europa \u2014 Alem\u00e3o, Espanhol, Franc\u00eas, Italiano e Ingl\u00eas \u2014 mas fez um trabalho ruim no torneio desconhecido por ele. Aos 67 anos, Carlo Ancelotti havia disputado o Mundial como meia em 1986 e em 1990, e no papel de assistente de Arrigo Sacchi em 1994. Fracassou na primeira vez como t\u00e9cnico na elimina\u00e7\u00e3o contra a Noruega por 2 x 1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os gols do carrasco Erling Haaland s\u00e3o resultado da inseguran\u00e7a t\u00e1tica do italiano. As convic\u00e7\u00f5es foram sendo minadas desde a apresenta\u00e7\u00e3o do Brasil em 27 de maio, na Granja Comary, em Teres\u00f3polis, na Regi\u00e3o Serrana do Rio. Ele tinha uma ideia clara: um 4-4-2 com os volantes Casemiro e Bruno Guimar\u00e3es e quatro atacantes: Luiz Henrique, Raphinha, Vinicius Junior e Matheus Cunha. Os amistosos contra o Panam\u00e1 e o Egito o fizeram mudar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O craque do Brasil na Copa erra pela primeira vez na escala\u00e7\u00e3o contra o Marrocos na estreia. Bugada, a Sele\u00e7\u00e3o inicia o torneio com Roger Iba\u00f1ez de lateral-direito, Lucas Paquet\u00e1 no meio de campo em vez de Danilo Santos, do Botafogo, que pedia passagem desde os amistosos contra a Fran\u00e7a e a Cro\u00e1cia, e o centroavante Igor Thiago e n\u00e3o Matheus Cunha. Em vez de proteger a defesa, Casemiro fez papel de \u201cmeia\u201d e s\u00f3 n\u00e3o testemunhamos um desastre completo no primeiro tempo porque o talento de Vinicius Junior impediu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria sobre o fr\u00e1gil Haiti indicou que o craque do time havia encontrado a forma\u00e7\u00e3o ideal. Ancelotti devolveu Matheus Cunha ao time e sacou Iba\u00f1ez para come\u00e7ar com Danilo na lateral-direita. Encerrou a sequ\u00eancia de seis jogos consecutivos sofrendo gol, mas a defesa sofria. Alisson trabalhou muito naquela noite na Filad\u00e9lfia na qual Raphinha se machucou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O goleiro tamb\u00e9m teve muito trabalho em Miami, quando Ancelotti viu Rayan dar conta de substituir Raphinha na direita. Derrotou a fraca Esc\u00f3cia por 3 x 0, mas novamente viu a defesa vacilar em v\u00e1rios trechos da partida e exigir muito de Alisson sob as traves.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A minha impress\u00e3o no in\u00edcio da fase eliminat\u00f3ria era de que o Brasil estava no fio da navalha. Bastaria enfrentar um advers\u00e1rio minimamente organizado, como Marrocos, para o risco da queda precoce se consumar. Ancelotti repetiu a forma\u00e7\u00e3o inicial pela primeira vez contra o Jap\u00e3o. A mesma da vit\u00f3ria contra a Esc\u00f3cia. Danilo falhou no gol do Jap\u00e3o. Lucas Paquet\u00e1 saiu lesionado no intervalo. Endrick entrou bem. Casemiro empatou o jogo. Gabriel Martinelli saiu do banco para decretar a virada dific\u00edlima contra o ing\u00eanuo Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bastaram quatro jogos para a Noruega decifrar o Brasil. Notou que a melhor defesa contra o time do craque Ancelotti era o ataque. Sobretudo porque disp\u00f5e do que a Sele\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem faz tempo: um camisa 9 como Haaland do Manchester City e um 10 do naipe de Odegaard, um dos maestros do Arsenal. Ambos diferenciaram os vikings da Sele\u00e7\u00e3o nas oitavas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Numa invers\u00e3o de pap\u00e9is inaceit\u00e1vel, o Brasil entregou a bola para a Noruega. Comportou-se como sele\u00e7\u00e3o pequena, \u00e0 espera de uma bola para contra-atacar em transi\u00e7\u00e3o r\u00e1pida apostando em um passe de Bruno Guimar\u00e3es, at\u00e9 ent\u00e3o com quatro assist\u00eancias, no talento de Vinicius Junior e na velocidade de Martinelli, o eleito para a vaga de Paquet\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O in\u00edcio do jogo lembrou aquele da estreia contra Marrocos. Dominado, o Brasil sofreu gol. Foi salvo pelo impedimento autom\u00e1tico. Quando se leva um susto desse, a ordem \u00e9 aproveitar a primeira oportunidade. Vini tentou, mas viu o goleiro Nyland salvar com o joelho. Bem no jogo, Martinelli acertou passe preciso para Matheus Cunha e o camisa 9 foi derrubado dentro da \u00e1rea. Salvo pelo VAR, o juiz deu p\u00eanalti e ali come\u00e7ava a elimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em pouco mais de um ano de trabalho, Ancelotti nunca deixou claro quem \u00e9 o cobrador de p\u00eanalti da Sele\u00e7\u00e3o. Houve ru\u00eddos dentro de campo em dois amistosos. Contra a Tun\u00edsia, Est\u00eav\u00e3o bateu, acertou, estava em campo quando houve uma segunda infra\u00e7\u00e3o e o italiano mandou Lucas Paquet\u00e1 bater. O meia errou e o jogo terminou 1 x 1. O t\u00e9cnico justificou que a ideia foi tirar o peso das costas de Est\u00eav\u00e3o. Contra a Cro\u00e1cia, Endrick sofreu p\u00eanalti, pegou a bola para bater e Ancelotti mandou Igor Thiago cobrar. Na entrevista, disse que o batedor seria Matheus Cunha caso estivesse dentro das quatro linhas naquela partida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma das contradi\u00e7\u00f5es. Levantamento do blog aponta que o Brasil fez 12 gols de p\u00eanalti no ciclo iniciado em 2023 at\u00e9 a Copa de 2026. Lucas Paquet\u00e1, Raphinha, Vinicius Junior, Neymar, Est\u00eav\u00e3o e Igor Thiago converteram. Dos seis, somente Vinicius Junior estava em campo naquele momento. Matheus Cunha, indicado para bater contra a Cro\u00e1cia se fosse necess\u00e1rio, tamb\u00e9m. Surpreendentemente, a escolha recaiu sobre Bruno Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O volante colecionava nove cobran\u00e7as na carreira entre tempo regulamentar e decis\u00f5es por p\u00eanaltis. Duas pelo Athletico-PR, duas com a camisa do Lyon e cinco pelo Newcastle. Tinha apenas um erro contra o Bournemouth neste ano pela Copa da Inglaterra. Ele bateu mal contra a Noruega e viu o goleiro Nyland (1,92m) se agigantar ainda mais na partida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O comportamento do Brasil n\u00e3o mudou. Em alguns trechos do jogo, a posse de bola era inferior a 30%. A Noruega rondava a \u00e1rea. Sem um \u201cOdegaard\u201d para chamar de seu no meio de campo, a Sele\u00e7\u00e3o n\u00e3o controlava o jogo. Carente de um \u201cHaaland\u201d no ataque, viu o garoto Endrick entrar sozinho na cara de Nyland depois de uma assist\u00eancia milim\u00e9trica de Vinicius Junior e desperdi\u00e7ar a melhor oportunidade verde-amarela na partida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O padr\u00e3o de excel\u00eancia do Haaland n\u00e3o permite erros como o de Endrick. Houve um tempo em que o Brasil tinha caras como ele. Rom\u00e1rio e Ronaldo se fingiam de mortos. Quando menos se esperava, decidiam jogos como esse. Principalmente, quando o t\u00e9cnico advers\u00e1rio errava. Altera\u00e7\u00f5es equivocadas de Ancelotti bugaram novamente o Brasil. As trocas de Rayan por Danilo Santos e de Martinelli por Neymar encorajaram a Noruega. O Brasil passou a ter Vinicius Junior, Neymar e Endrick na frente. Tr\u00eas a menos na marca\u00e7\u00e3o! Casemiro e Bruno Guimar\u00e3es n\u00e3o entregavam mais o f\u00f4lego renovado por Danilo Santos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Brasil tinha naquele momento: Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalh\u00e3es e Douglas Santos; Bruno Guimar\u00e3es, Casemiro e Danilo Santos; Endrick, Neymar e Vinicius Junior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tinha tudo para dar errado. Deu justamente no setor em que Rayan se desdobrava auxiliando Danilo para deter Nusa no primeiro tempo e controlar Andreas Schjelderup no segundo tempo. O ponta-esquerda de 22 anos do Benfica virou a pe\u00e7a-chave do jogo. Foi dele o cruzamento na medida para Haaland superar a disputa com Gabriel Magalh\u00e3es e abrir o placar. Foi dele tamb\u00e9m o passe para o segundo, aproveitando falhas de Danilo e Gabriel Magalh\u00e3es. O centroavante recebe e chuta cruzado no canto esquerdo de Alisson.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eliminado pela sexta edi\u00e7\u00e3o consecutiva por uma sele\u00e7\u00e3o europeia, o Brasil ainda teve tempo de ver Neymar protagonizar as \u00faltimas cenas lament\u00e1veis em quatro participa\u00e7\u00f5es na Copa. Peitou o goleiro Nyland, converteu o p\u00eanalti, arrumou confus\u00e3o com Odegaard e tomou cart\u00e3o amarelo nos 23 minutos em campo. Estava consumado o fracasso do Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fran\u00e7a, Inglaterra, Argentina e at\u00e9 a modesta Noruega confiaram a Copa aos seus melhores jogadores. O Brasil fez diferente. Entregou o destino da Sele\u00e7\u00e3o ao maior treinador do mundo. Pela primeira vez, o craque vestia terno, gravata e sapato social em vez de chuteiras. E justamente ele falhou quando o Mundial come\u00e7ou de verdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"Z0466AL7Af\"><p><a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/personagem-do-dia-24-ounahi-o-maestro-que-o-mundo-descobriu\/\">Personagem do dia 24: Ounahi, o maestro que o mundo descobriu<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"\u201cPersonagem do dia 24: Ounahi, o maestro que o mundo descobriu\u201d \u2014 Blog Drible de Corpo\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/personagem-do-dia-24-ounahi-o-maestro-que-o-mundo-descobriu\/embed\/#?secret=hs7lJKjSlL#?secret=Z0466AL7Af\" data-secret=\"Z0466AL7Af\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\n<p><strong>X: @marcospaulolima<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><strong>Instagram: @marcospaulolima.jor<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Nova Jersey \u2014 O Brasil desembarcou pela primeira vez em uma Copa apostando num t\u00e9cnico como protagonista \u2014 e n\u00e3o em um jogador fora de s\u00e9rie com cal\u00e7\u00e3o, camisa e chuteira. 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