{"id":36158,"date":"2026-06-30T18:36:58","date_gmt":"2026-06-30T21:36:58","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/?p=36158"},"modified":"2026-07-01T12:04:34","modified_gmt":"2026-07-01T15:04:34","slug":"personagem-do-dia-20-odegaard-o-10-noruegues-lancado-por-ancelotti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/personagem-do-dia-20-odegaard-o-10-noruegues-lancado-por-ancelotti\/","title":{"rendered":"Personagem do dia 20: Odegaard, o 10 noruegu\u00eas lan\u00e7ado por Ancelotti"},"content":{"rendered":"<p class=\"PDq2pG_selectionAnchorContainer\"><strong>New Jersey \u2014<\/strong> O duelo entre Brasil e Noruega reserva um encontro curioso nas oitavas de final da Copa do Mundo. De um lado, Carlo Ancelotti. Do outro, Martin Odegaard, l\u00edder de assist\u00eancias da Noruega na Copa, com tr\u00eas, incluindo o passe para o primeiro gol na vit\u00f3ria por 2 x 1 contra a Costa do Marfim. A hist\u00f3ria dos dois come\u00e7ou muito antes da partida do pr\u00f3ximo domingo, no MetLife Stadium, \u00e0s 17h (de Bras\u00edlia).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2015, foi o treinador italiano quem entregou ao garoto noruegu\u00eas a primeira oportunidade no elenco principal do Real Madrid. Aos 16 anos, o meia desembarcava na Espanha cercado por uma expectativa desproporcional at\u00e9 para um prod\u00edgio. Tratava-se de um dos adolescentes mais observados do planeta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A fama havia chegado cedo. Aos 15 anos, atuava na primeira divis\u00e3o da Noruega pelo Stromsgodset. Antes de completar 16, estreou na sele\u00e7\u00e3o principal. Clubes de toda a Europa enviavam observadores a Drammen para acompanhar aquele jovem capaz de enxergar espa\u00e7os invis\u00edveis para a maioria dos jogadores da mesma idade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O sonho, por\u00e9m, transformou-se em uma longa travessia. Entre o peso da camisa merengue e a concorr\u00eancia de astros consagrados, o talento escandinavo passou anos \u00e0 procura de espa\u00e7o. Acumulou empr\u00e9stimos, mudou de pa\u00eds, adaptou-se a diferentes estilos de jogo e viu a promessa conviver com a d\u00favida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A an\u00e1lise apressada costuma tratar esse per\u00edodo como uma decep\u00e7\u00e3o. Ignora um detalhe fundamental. Odegaard n\u00e3o disputava posi\u00e7\u00e3o com jogadores comuns. \u00c0 frente dele estavam Modric, Kroos e Casemiro, um dos trios de meio-campo mais vitoriosos da hist\u00f3ria do futebol europeu. O desafio do noruegu\u00eas era muito mais complexo do que a simples compara\u00e7\u00e3o entre expectativa e realidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ancelotti jamais foi um advers\u00e1rio nessa caminhada. Quando retornou ao clube, em 2021, manifestou o desejo de aproveitar o meia. O problema era outro. Depois de tantas idas e vindas, o jogador n\u00e3o buscava mais uma oportunidade. Precisava de um projeto.<\/p>\n<p>A passagem pela Real Sociedad havia sido decisiva para essa mudan\u00e7a de percep\u00e7\u00e3o. Pela primeira vez, o futebol europeu enxergava n\u00e3o apenas um fen\u00f4meno de marketing ou uma aposta para o futuro, mas um articulador capaz de decidir partidas em alto n\u00edvel. O garoto-prod\u00edgio come\u00e7ava a dar lugar ao jogador pronto.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que surgiu Mikel Arteta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se Ancelotti apresentou Odegaard ao futebol de elite, o treinador espanhol foi quem lhe ofereceu uma identidade. No Arsenal, encontrou minutos, confian\u00e7a e responsabilidades. Mais importante: recebeu liberdade para comandar. De promessa itinerante, tornou-se l\u00edder. De talento em forma\u00e7\u00e3o, virou refer\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A bra\u00e7adeira de capit\u00e3o n\u00e3o foi um detalhe. Representou a confian\u00e7a de um clube inteiro em algu\u00e9m que, durante anos, ouviu que seu potencial era enorme, mas raramente teve o ambiente ideal para demonstr\u00e1-lo. Arteta enxergou algo al\u00e9m da qualidade t\u00e9cnica. Identificou personalidade para liderar um processo de reconstru\u00e7\u00e3o em uma das institui\u00e7\u00f5es mais tradicionais da Inglaterra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o extrapolou Londres. Durante d\u00e9cadas, a Noruega produziu talentos espor\u00e1dicos sem conseguir construir uma gera\u00e7\u00e3o competitiva. Hoje, a sele\u00e7\u00e3o gira em torno da parceria formada por Odegaard e Haaland. Um fornece a imagina\u00e7\u00e3o. O outro, a for\u00e7a e os gols. Juntos, devolveram protagonismo internacional a um pa\u00eds ausente das fases decisivas dos grandes torneios desde 1998.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Embora Haaland monopolize manchetes, a influ\u00eancia do capit\u00e3o lembra a exercida por Modric na Cro\u00e1cia. N\u00e3o se resume a assist\u00eancias ou passes decisivos. Trata-se da capacidade de controlar o ritmo das partidas, conectar setores e oferecer sentido coletivo a uma equipe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 uma ironia elegante nesse reencontro. Quando Ancelotti lan\u00e7ou Odegaard no Real Madrid, Vinicius Junior ainda era uma promessa das categorias de base do Flamengo. Onze anos depois, o italiano conhece a Noruega como advers\u00e1rio e vai preparar o Brasil para enfrentar justamente o jogador que ajudou a apresentar ao futebol mundial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">Mais simb\u00f3lico ainda: entre os integrantes daquele lend\u00e1rio meio-campo merengue estava Casemiro. Agora, o volante brasileiro ter\u00e1 a miss\u00e3o de reduzir os espa\u00e7os do jogador. Odegaard amadureceu observando os movimentos dele nos treinamentos de Valdebebas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste domingo, Ancelotti reencontra um personagem muito diferente daquele adolescente lan\u00e7ado aos holofotes em Madri. O t\u00e9cnico da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira abriu a primeira porta. Arteta escancarou as demais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Poucos jogadores traduzem t\u00e3o bem o valor da persist\u00eancia em uma era obcecada pela precocidade. Durante anos, Odegaard carregou o peso de expectativas quase imposs\u00edveis de atender. Hoje chega \u00e0s oitavas de final da Copa do Mundo como capit\u00e3o, c\u00e9rebro da Noruega e s\u00edmbolo de uma verdade frequentemente esquecida no futebol: nem todo prod\u00edgio floresce imediatamente. Alguns precisam percorrer um caminho mais longo para encontrar o lugar onde realmente pertencem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"OgWcuEjKWB\"><p><a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/personagem-do-dia-19-bounou-o-canadense-que-virou-icone-marroquino\/\">Personagem do dia 19: Bounou, o canadense que virou \u00edcone marroquino<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"\u201cPersonagem do dia 19: Bounou, o canadense que virou \u00edcone marroquino\u201d \u2014 Blog Drible de Corpo\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/personagem-do-dia-19-bounou-o-canadense-que-virou-icone-marroquino\/embed\/#?secret=6Nz5sNxNDH#?secret=OgWcuEjKWB\" data-secret=\"OgWcuEjKWB\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\n<p><strong>X: @marcospaulolima<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><strong>Instagram: @marcospaulolima.jor<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>New Jersey \u2014 O duelo entre Brasil e Noruega reserva um encontro curioso nas oitavas de final da Copa do Mundo. 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