{"id":36142,"date":"2026-06-29T16:00:46","date_gmt":"2026-06-29T19:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/?p=36142"},"modified":"2026-06-29T17:17:38","modified_gmt":"2026-06-29T20:17:38","slug":"paciencia-de-ancelotti-faz-brasil-virar-mata-da-copa-apos-24-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dribledecorpo\/paciencia-de-ancelotti-faz-brasil-virar-mata-da-copa-apos-24-anos\/","title":{"rendered":"Paci\u00eancia de Ancelotti faz Brasil virar &#8220;mata&#8221; da Copa ap\u00f3s 24 anos"},"content":{"rendered":"<p><strong>New Jersey \u2014<\/strong> O Brasil n\u00e3o virava uma partida eliminat\u00f3ria de Copa do Mundo desde 2002. Coincidentemente, naquela campanha do penta, tamb\u00e9m precisou ter paci\u00eancia para se levantar de um erro. L\u00facio falhou no dom\u00ednio da bola, Michael Owen abriu o placar para a Inglaterra e coube a Rivaldo e Ronaldinho Ga\u00facho conduzirem a rea\u00e7\u00e3o por 2 x 1 nas quartas de final. Vinte e quatro anos depois, a hist\u00f3ria se repetiu em outro contexto, mas com o mesmo desfecho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Danilo errou na sa\u00edda de bola pela direita e permitiu o contra-ataque do Jap\u00e3o. O chute rasteiro de Kaishu Sano no canto esquerdo de Alisson despertou fantasmas, entre eles o gol de empate da Cro\u00e1cia nas quartas de final de 2022. Por que Alisson n\u00e3o vira o nosso super-her\u00f3i quando mais precisamos dele? A bola era indefens\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Jap\u00e3o testou a paci\u00eancia do Brasil. O sistema defensivo organizado por Hajime Moriyasu, com linhas baixas e movimentos sincronizados, parecia uma coreografia ensaiada para irritar o advers\u00e1rio. O Brasil dominava a posse de bola, mas sofria para transformar o controle em finaliza\u00e7\u00f5es contra a meta do iluminado Zion Suzuki.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na apresenta\u00e7\u00e3o do jogo publicada pelo Correio Braziliense, chamei a aten\u00e7\u00e3o para o goleiro do Parma. H\u00e1 sete anos, ele defendia o Jap\u00e3o na Copa do Mundo Sub-17 disputada no Brasil. Atuou no Est\u00e1dio Bezerr\u00e3o, no Gama, contra o M\u00e9xico. Evoluiu ao ponto de assumir a meta de um clube por onde passaram Taffarel, Buffon e Frey.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Suzuki come\u00e7ou a empilhar milagres. Pela primeira vez, um goleiro parou Vinicius Junior nesta Copa. Assim como Rom\u00e1rio em 1994, o camisa 7 n\u00e3o balan\u00e7ou a rede no quarto jogo do Mundial. Mesmo sem marcar, foi protagonista. Criou, acelerou, desequilibrou e quase marcou um gola\u00e7o no segundo tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Frio \u00e0 beira do campo, Carlo Ancelotti chegava a ser irritante de t\u00e3o tranquilo. Exibia a paci\u00eancia de J\u00f3 e a confian\u00e7a de quem conquistou cinco t\u00edtulos da Champions League e ergueu trof\u00e9us nas cinco principais ligas nacionais da Europa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O italiano observava o cen\u00e1rio sem alterar a express\u00e3o, como se soubesse exatamente quando a muralha japonesa come\u00e7aria a apresentar rachaduras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Endrick entrou para atuar ao lado de Rayan pelo corredor direito. A ideia era alargar o campo e criar superioridade naquele setor. Do outro lado, Gabriel Martinelli passou a formar uma dobradinha constante com Vinicius Junior. Era press\u00e3o por todos os lados contra um sistema defensivo montado por um dos melhores t\u00e9cnicos da Copa.<\/p>\n<p>A posse de bola brasileira bateu 69%, a maior da era Ancelotti. O Brasil tinha o controle absoluto da partida. Faltava encontrar a brecha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ela surgiu pelo alto, exatamente como a B\u00e9lgica feriu o Jap\u00e3o nas oitavas de final de 2018. Gabriel Magalh\u00e3es apareceu como lateral-esquerdo e cruzou com precis\u00e3o para Casemiro. O volante surgiu livre na \u00e1rea e cabeceou com viol\u00eancia, no limite da linha de impedimento, para aliviar a torcida brasileira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O jogo de paci\u00eancia aproximava-se perigosamente da prorroga\u00e7\u00e3o. O Brasil, por\u00e9m, continuava procurando o gol. Tocava a bola, mapeava espa\u00e7os, testava alternativas e anunciava o momento do bote. Insistia nos cruzamentos e tamb\u00e9m nas bolas roladas para a entrada da \u00e1rea. Uma delas encontrou Gabriel Martinelli.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Caprichoso como costuma ser no Arsenal, ele tirou tanto a bola do alcance de Suzuki que precisou da ajuda da trave esquerda para decretar a primeira virada do Brasil em um mata-mata de Copa do Mundo em 24 anos. Nos dois casos, em 2002 e em 2026, um erro individual foi compensado pela for\u00e7a coletiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Jap\u00e3o outra vez n\u00e3o merecia a elimina\u00e7\u00e3o. O trabalho realizado no pa\u00eds \u00e9 admir\u00e1vel. Os japoneses derrotaram Espanha e Alemanha na Copa do Catar, venceram Brasil e Inglaterra em amistosos neste ciclo e chegaram a este Mundial capazes de encarar qualquer pot\u00eancia sem complexo de inferioridade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O azar do Jap\u00e3o foi cruzar o caminho de um t\u00e9cnico imune ao desespero. Carlo Ancelotti n\u00e3o abandonou o plano, n\u00e3o permitiu que o Brasil se perdesse emocionalmente e sufocou o Jap\u00e3o at\u00e9 a \u00faltima bola. A Sele\u00e7\u00e3o errou, sofreu, insistiu e encontrou a recompensa. Vinte e quatro anos depois, voltou a buscar uma virada em um mata-mata de Copa do Mundo. E fez isso com a cara do treinador: calma, serena e tranquila. At\u00e9 demais<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\n<p><strong>X: @marcospaulolima<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><strong>Instagram: @marcospaulolima.jor<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>New Jersey \u2014 O Brasil n\u00e3o virava uma partida eliminat\u00f3ria de Copa do Mundo desde 2002. Coincidentemente, naquela campanha do penta, tamb\u00e9m precisou ter paci\u00eancia para se levantar de um erro. 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