Wesley acompanhou a construção do lance e finalizou com perfeição. Foto: Alexandre Loureiro/AFP
O Flamengo não perde há nove jogos porque o ansioso Jorge Sampaoli aprendeu: é preciso saber viver um jogo de cada vez até o elenco atingir o nível de excelência cobrado pelo técnico argentino. Isso demanda tempo, fôlego, muitos ensaios e repertório. A pausa de 12 dias da Data Fifa é imprescindível para o encaixe do time às ideias do treinador.
Enquanto a intertemporada não chega, o time rubro-negro se adapta às necessidades de cada partida. Teve um comportamento na partida de ida das oitavas da Copa do Brasil contra o Fluminense e outro totalmente diferente na da volta. O plano para o clássico contra o Vasco mudou em relação ao confronto dessa quinta-feira na vitória por 2 x 1 sobre o Racing nesta pela penúltima rodada da fase de grupos da Libertadores. Considero positivo o planejamento jogo a jogo de acordo com o adversário e a necessidade.
As manias de Sampaoli são conhecidas pelos técnicos argentinos. Afinal, ele comandou a seleção na Copa de 2018. Levou o Chile ao título da Copa América de 2015 justamente contra a trupe de Lionel Messi no Estádio Nacional, em Santiago. Talvez, por isso, tenha mudado a formação inicial em relação ao time da goleada por 4 x 1 contra o Vasco. Queria surpreender Fernando Gago. Assim, Everton Ribeiro substituiu Matheus França, mas o sistema de jogo se manteve inalterado: 4-2-2-2. Pulgar e Thiago Maia na proteção, Matheus França e Gerson na construção como homens de força e chegada na área e Arrascaeta outra vez ocupando a faixa de campo do ausente Gabriel Barbosa na direita ao lado de Pedro.
Sampaoli teve a escolha premiada por uma cobrança de escanteio bizarra do Racing. Acima da média, Everton Ribeiro puxa o contra-ataque e Gerson, cada vez mais em forma, serve o jovem lateral Wesley. Tenho alertado que o técnico rubro-negro gosta de laterais construtores. Citei a transformação de Guilherme Arana na análise do Atlético-MG. Teve o dedo de Sampaoli.
Wesley fez o gol porque é cobrado a acompanhar a construção da jogada. Ele obedeceu e se deu bem. No futebol posicional defendido por Sampaoli, aquela bola rolada por Gerson para o meio da área do Racing não é aleatória. Todos sabem que ela chegará naquele ponto. Quem assimila e compreende o processo aparece para chutá-la, justamente como fez o menino do Ninho.
Quando digo que o Flamengo está vivendo um jogo de cada vez basta observar a necessidade do segundo tempo. Arrascaeta, Everton Ribeiro e Thiago Maia são imprescindíveis no esquema, mas o gás do trio havia acabado para competir com intensidade até o fim. Sampaoli baixou a média de idade ao trocá-los por Everton Cebolinha, Matheus França e Victor Hugo, respectivamente. Acertou ao mudar a dinâmica do confronto.
O golaço de Rojas explora uma falha da retaguarda rubro-negra. Concentrado no que acontecia do lado esquerdo, o time deixou uma avenida nas costas de Ayrton Lucas para o camisa 10 atacar o espaço. Quanto a defesa se virou, Rojas estava ajeitando o corpo para fazer um gol de placa.
Para sorte de Sampaoli, o Flamengo está aprendendo a viver um jogo de cada vez até o fim. Se o Clássico dos Milhões foi resolvido com a assinatura dos meninos de Xerém Ayrton Lucas e Pedro, autores de dois dos quatro gols, na noite dessa quinta-feira as crias do Ninho do Urubu assumiram o protagonismo. Erick Pulgar serviu Victor Hugo e o moleque garantiu três pontos.
O Flamengo está nas quartas de final da Copa do Brasil, em quinto no Campeonato Brasileiro e encaminho a classificação para as oitavas de final da Libertadores. O teste final antes da pausa para a Data Fifa é o duelo deste domingo com o Grêmio, no Maracanã. Dá oportunidade ao Flamengo de ir para o intervalo no G-4, cada vez mais próximo dos líderes. Portanto, é preciso tratar o duelo à parte com Renato Gaúcho como mais uma partida pontual. Afinal, a essa altura da temporada, até o quase carioca Jorge Sampaoli aprendeu que beleza não é fundamental.
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