Diniz foi o técnico mais longevo da era Pedrinho no Vasco. Foto: Matheus Lima/Vasco
Demitir Fernando Diniz é fácil. Difícil é assumir os erros que levaram a isso. Há dois meses, o trabalho do técnico enchia o Maracanã. A torcida do Vasco esperava pelo título da Copa do Brasil contra o Corinthians depois de se impor contra o adversário dentro da Neo Quimica Arena na primeira partida no empate por 0 x 0. A expectativa não se confirmou na derrota por 2 x 0 no Maracanã e de repente tudo parecia errado.
Não. Erros e acertos seriam cometidos depois. Sim, era impossível rejeitar uma pilha de propostas por Rayan. O Vasco precisa de dinheiro. Há necessidade de gerar receita e o clube. A joia da base rendeu ao clube 28,5 milhões de euros. Impossível apontar erro.
O equívoco foi a falta de mobilização para convencer o centroavante Pablo Vergetti a ficar. Demovê-lo da ideia de aceitar a oferta do Cerro Porteño. Juntos, Rayan e Vergetti entregaram 49 gols no ano passado. Liberar a promessa custou a perda de 22 gols. Perder o argentino implicou na dispensa de 27 bolas na rede. Era preciso manter um e esse um era justamente o camisa 9 raiz. Em tese, custaria menos ao clube.
Dos negócios para o campo. A relação entre Vergetti e Fernando Diniz não era boa. O técnico não apostava nele como titular. O centroavante considerava-se carta fora do baralho e preferiu seguir rumo ao futebol paraguaio. Impossível um time vender 49 gols e passar impune no início da temporada. Quem chegou, casos de Brenner e de Spinelli, não teve tempo para conquistar Diniz e muito menos o maltratado coração cruzmaltino.
O Vasco fez 94 gols na temporada passada. Rayan e Vergetti foram responsáveis por 49, ou seja, mais da metade. Adicionemos a esse problema as quedas de rendimento de Philippe Coutinho e de Nuno Moreira. Houve perda de conexão entre o meio de campo e o ataque. As saídas dos engenheiros Rayan e e Vergetti deixaram os construtores sem os operários responsáveis pelo acabamento das jogadas. Custou caro.
Embora seja psicólogo formado, Fernando Diniz tem dificuldade para lidar com o próprio ego. As informações nos bastidores indicam desgaste com Vergetti e Philippe Coutinho. Relacionamentos mal resolvidos começam a minar o vestiário. Enfraquecem a liderança. Vulnerável, principalmente depois da decisão irreversível de Philippe Coutinho ao deixar o clube, o técnico não suportou a derrota para o Fluminense e caiu.
Pedrinho precisava dar uma resposta à imensa torcida infeliz. O ex-comentarista (dos bons!) precisou agir no papel de presidente do Vasco na contramão do que tanto pregou nas análises. Arrebentou a corda do lado mais fraco. O sucessor de Fernando Diniz será o quinto técnico diferente na gestão do dirigente. O tempo médio de trabalho é de 150 dias. Míseros cinco meses para fazer magia com o frágil elenco disponível.
Vi um presidente abatido, cansado, desanimado no anúncio da saída de Fernando Diniz. Depois de Álvaro Pacheco (29dias), Rafael Paiva (156 dias), Fábio Carille (129 dias) e de Fernando Diniz (287 dias), Renato Gaúcho é a nova velha prioridade em São Januário. O quarto lugar na Copa do Mundo de Clubes da Fifa pelo Fluminense é um incentivo ao acerto. Foi um bom trabalho de verão nos Estados Unidos.
A impaciência joga contra. A maneira como ele deixou o tricolor carioca no ano passado não indica ser ele a melhor escolha para encarar o tamanho das dificuldades do Vasco. É possível ter paciência. Muita! Exatamente o que ele não demonstrou no discurso do adeus às Laranjeiras.
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