Tim Ream Tim Ream jogou a Copa em 2022 e 2026 e defende o Charlotte na MLS. Foto: Timothy A. Clary/AFP via Getty Images Tim Ream jogou as Copas de 2022 e 2026 e defende o Charlotte FC na MLS. Foto: Timothy A. Clary/AFP via Getty Images

Um bate-papo com Tim Ream, capitão dos EUA na Copa do Mundo 2026

Publicado em Esporte

Nova York — Aos 38 anos, o zagueiro Timothy Michael, o Tim Ream, teve uma nobre missão na Copa do Mundo. A braçadeira de capitão de um dos três países anfitriões estava exposta no braço do jogador de 1,85m nascido em St. Louis, Missouri, em quatro das cinco partidas em casa dos Estados Unidos contra Austrália, Paraguai, Turquia, Bósnia e Herzegóvina e Bélgica.

 

Homem de confiança do técnico argentino Mauricio Pochettino, o jogador do Charlotte FC passou pelo evento de abertura da temporada da Major League Soccer “The Next Chapter” na sede da liga no complexo do Madison Square Garden e conversou com os jornalistas, entre eles o blog Drible de Corpo do Correio Braziliense, sobre o desempenho do país no torneio, idêntico ao de 1994 na primeira edição disputada em solo norte-americano, a unificação do calendário da MLS ao da Uefa, ou seja das principais ligas nacionais e continentais da Europa — a partir da temporada 2027/2028 e da formação nas categorias de base do país.

 

A seleção igualou o desempenho de 1994 e caiu nas oitavas de final após a derrota para a Bélgica. Qual é a avaliação do grupo sobre o resultado?

Nós gostaríamos de ter ido mais longe. Não jogamos bem o suficiente contra a Bélgica no final, e isso é bastante desapontador. Quando você joga um torneio em casa, o objetivo é sempre buscar o título, então fica o sentimento de frustração por não ter avançado às quartas de final para enfrentar a Espanha.

 

Qual é o legado para o futebol do país?

Se olharmos de uma perspectiva mais ampla, acho que atingimos um dos nossos objetivos secundários mais importantes. Queríamos mudar a forma como o esporte é visto aqui, ajudá-lo a progredir e inspirar gerações de crianças a se apaixonarem pelo jogo do mesmo jeito que nós nos apaixonamos. Nesse aspecto, a missão foi cumprida.

 

A MLS vai passar a ser disputada no calendário de julho a maio a partir de 2027/2028. Qual é a sua leitura sobre essa transformação?

A mudança é extremamente positiva. Quando você alinha a agenda com a Europa, a dinâmica do mercado facilita muito. Seja comprando, vendendo ou negociando atletas em fim de contrato, os clubes não vão mais precisar trabalhar em janelas mais curtas ou fora de sintonia com o resto do mundo.

 

Como essa virada impacta a gestão dos clubes e o nível de competitividade da liga?

Os diretores de futebol e os executivos vão atuar no mesmo tempo das grandes ligas da Europa. Isso muda o nível do que a MLS pode oferecer a novos reforços e cria mais oportunidades para times europeus fazerem pré-temporadas no país, já que as competições vão rodar em paralelo.

 

A MLS demanda renovação constante. O que dizer para crianças engajadas em jogar futebol nos Estados Unidos?

Acredite. Acredite nesse sonho. Tudo bem sonhar, é incrível sonhar, mas o caminho é muito diferente agora. Quando eu comecei na liga, havia 16 times. Agora há 30, há o MLS Next, a MLS Next Pro, as academias… Acredite nesse sonho, porque é isso que vai te levar até onde você quer chegar. Não dê ouvidos às pessoas que dizem que você não consegue. Diga a si mesmo que você consegue, mãos à obra e encontre um caminho para transformar esse sonho em realidade.

 

Como introduzir esses novos jogadores na MLS e conciliar com a chega de outros jogadores?

Acho que você tem que dar chances a eles. Eles têm que conquistar as oportunidades, claro, mas você tem que colocá-los em campo. Você precisa descobrir — e eles precisam descobrir — o que conseguem e o que não conseguem fazer, com o que conseguem ou não se safar. O que eles fazem no nível da MLS Nex Pro, como driblar seis ou sete caras, você não consegue fazer no nível da MLS. Simplesmente não acontece, a menos que você seja uma das raríssimas exceções.

 

Vai muito além de habilidade…

Não é nem tanto sobre quem eles são, mas sobre o quanto conseguem suportar. Eles conseguem lidar com os altos e baixos? Para descobrir isso, você precisa dar oportunidades. Falamos de desenvolvimento desde muito jovens, treinamentos, estrutura, desempenho… Mas esses jogadores precisam sentir como é na prática. Quanto mais oportunidades têm, melhor eles entendem a si mesmos — mental, física e emocionalmente. Como superam momentos difíceis e aproveitam os bons?

 

Logo, a linha de produção está mais exigente?

Eu só comecei aos 22 anos. Acompanhei, por exemplo, a trajetória de jogadores como Michael Bradley, depois nos tornamos companheiros de equipe e aprendi demais com ele. Você precisa de referências assim para aprender. Hoje existem caminhos em vários níveis. A questão é: eles conseguem aproveitar essas chances quando chegam ao time principal na MLS? Quando conseguem, você começa a ter vários exemplos de jovens de 19, 20, 21 anos fazendo isso, e é aí que se cria uma verdadeira linha de formação. Esse ecossistema do qual ele faz parte é algo que todos os jovens jogadores deveriam buscar como inspiração.

 

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