Blog Drible de Corpo

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Marcos Paulo Lima

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Síndrome do time emergente explica eliminação do Vasco contra o Boca

Flamengo, Palmeiras, Botafogo e Cruzeiro enfrentaram frustrações na reconstrução. O investimento e a recuperação financeira não são garantias de conquistas imediatas

Leandro Paredes decidiu o jogo: o Boca Juniors fez três gols e calou o Maracanã três vezes na semifinal. Foto: Pablo Porciuncula/AFP

A eliminação do Vasco nas semifinais da Copa Sul-Americana pelo Boca Juniors pode ser explicada pela síndrome do emergente. Quando um time começa a se libertar da crise técnica e financeira, o sentimento de que a volta às finais e aos títulos será imediata, como o toque de Midas, contagia a arquibancada. Biblicamente falando, nem sempre a saída do Egito e a abertura do Mar Vermelho significa acesso imediato à terra prometida. Há um deserto pela frente — e é necessário ter resiliência para atravessá-lo.

O Flamengo, por exemplo, dá os primeiros sinais de riqueza em 2015, mas só dá o salto definitivo quatro anos depois ao conquistar o Campeonato Brasileiro e a Libertadores. Antes disso, amargou o vice na Sul-Americana em 2017 no Maracanã contra o Independiente, perdeu uma final de Copa do Brasil para o Cruzeiro no mesmo ano, caiu nas semifinais contra o Corinthians em 2018, foi eliminado pela Raposa nas oitavas da Libertadores… O dia da glória parecia distante e as chacotas com o “cheirinho” irritavam os rubro-negros em meio a uma série de boas campanhas sem taça na Série A até que 2019 mudou o enredo.

O Palmeiras passou por esse deserto no processo de reconstrução liderado pelo presidente Paulo Nobre. O Cruzeiro amarga um momento semelhante na gestão do empresário Pedro Lourenço. Perdeu a final da Sul-Americana para o Racing. Voltou a ganhar o Mineiro nesta temporada depois de sete anos, mas caiu na Libertadores contra o Flamengo e na Copa do Brasil no duelo com o Galo.  

O Botafogo protagonizou o maior cavalo de pau da história do Brasileirão em 2023 ao despencar da liderança para o quinto lugar e se reerguer na temporada seguinte com as conquistas da Libertadores e da primeira divisão nacional na gestão de John Textor.

É absurdo pedir paciência ao torcedor do Vasco, mas a terra prometida está mais perto. Os últimos quilômetros de caminhada no deserto indicam isso. Quebrado, o time chegou às semifinais da Copa do Brasil em 2024 contra o Atlético-MG e foi vice-campeão no ano passado contra o Corinthians. Emergente, amarga a eliminação nas semifinais da Sul-Americana contra o Boca Juniors e está novamente nas semifinais do mata-mata nacional. O saldo econômico deve ser consolidado nesta sexta-feira com a oficialização da SAF.

O pacote da transição de clube pobre para emergente, e de emergente para rico inclui a descoberta de que alguns jogadores não servem para acessar a terra prometida. A derrota por 3 x 1 no Maracanã deixou isso claro. O ponta David foi uma decepção no lugar de Andrés Gómez. Abandonou o lateral-esquerdo Cuiabano no combate a Villa e gerou problemas. Como o colombiano expulso na vitória por 1 x 0 em La Bombonera fez falta. Saldivia enervou o torcedor. Embora seja o artilheiro do Vasco na competição continental com cinco gols, Adson sentiu o tamanho da partida. Lescano nem se fala…

Léo Jardim falhou no segundo e, principalmente, no terceiro gol marcado por Paredes, mas consome um crédito imenso com a torcida cruzmaltina. Ele também foi responsabilizado pelo primeiro gol do Corinthians na final da Copa do Brasil ao hesitar na marca do pênalti na finalização do centroavante Yuri Alberto depois do lançamento do lateral Matheuzinho.

Outros dois jogadores ficaram devendo. Tiago Mendes lembrou Raphinha antes do clássico contra a Argentina em Buenos Aires. Provocou o rival e afinou no Monumental de Núñez na goleada albiceleste por 4 x 1. O volante cruzmaltino publicou uma imagem rasgando o escudo do Boca Juniors, encolheu no Maracanã e viu Leonel Flores devolver na mesma moeda ao divulgar uma foto repartindo o emblema do Vasco ao meio.

Santiago Sosa é experiente, mas foi colocado no bolso pelo competitivo meio de campo formado por Battaglia, Ascacibar e Delgado.  Houve melhora sensível quando Hinestroza e Pumita Rodríguez, autor do gol do Vasco, entraram na etapa final, mas foi muito pouco. Faltava um jogador com o peso do campeão mundial Paredes para resolver. Ele vestia a camisa do Boca Juniors e simplesmente silenciou 66.026 torcedores no Maracanã.