Seleção lembra aluno displicente que faz de tudo para ficar de recuperação

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Em tempos de ano letivo caminhando para o fim no país, a Seleção pode ser comparada a um estudante blasé, desinteressado com as notas e sem o mínimo senso de urgência da necessidade de aprovação para entrar em férias feliz — e deixar o ambiente leve no Natal e no réveillon da família. Pela terceira vez consecutiva no ciclo para a nova tentativa do hexa, o Brasil encerra o ano sem vencer, abaixo da média, de recuperação e com futuro incerto.

Há potencial para encarar o Enem das seleções, ou seja, a Copa do Mundo, mas a 205 dias do início das provas nos Estados Unidos, no Canadá e no México, os alunos do professor Carlo Ancelotti preferem empurrar com a barriga, agem como legítimos brasileiros na relação com o italiano e deixam tudo para a última hora no estilo “no fim tudo se resolve”.

De onde ainda não se esperava maturidade vem o melhor exemplo. Aos 18 anos, Estêvão se comporta na sala de aula do mestre Ancelotti como representante da turma. Quando o Brasil perdia por 1 x 0 para a Tunísia, ele pegou a bola, cobrou o primeiro dos dois pênaltis inventados pelo árbitro francês Jêróme Brisard e salvou a turma de uma vexame.

O jovem Estêvão fez o que se esperava de uma marmanjo como Lucas Paquetá. Dez anos mais velho do que o calouro, decepcionou o mestre. Carlo Ancelotti deu ordem ao capitão Marquinhos para Paquetá bater o pênalti inexistente em Vitor Roque. Ele desperdiçou no empate por 1 x 1 com a Tunísia. O lance merece debate no Conselho de Classe.

Em vez de bater com firmeza para consolidar o retorno à Seleção Brasileira depois de ficar privado dela durante a investigação por suposto envolvimento em manipulação de resultados no futebol inglês, o meia mandou a bola por cima do travessão. Desperdiçou a oportunidade de decretar a virada, fechar o ano em alta e evitar um filme repetido.

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A Seleção se despediu de 2023 com derrota para a Argentina por 1 x 0, no Maracanã. Deu adeus a 2024 com empate amargo diante do Uruguai, por 1 x 1, em Salvador. Agora, frustra a torcida ao empatar com a Tunísia por 1 x 1. Por sinal, o retrospecto do Brasil contra africanos é terrível desde a Copa: derrotas para Camarões, Marrocos e Senenal, empate com a Tunísia e a vitória do último sábado contra Senegal, em Londres.

Lucas Paquetá não é o único nome a ser discutido no Conselho de Classe. Wesley teve péssima atuação na lateral direita. Caio Henrique nada acrescentou na esquerda. Vitor Roque sofreu pênalti que não houve e criou alguns lances. Nem o “decano” Danilo passou.

A turma do Brasil dá adeus a 2025 com carências graves e mal resolvidas nas laterais. Não há um centroavante minimamente confiável. Nenhum homem de área balançou a rede nas oito partidas sob o comando de Carlo Ancelotti. Richarlison, em jejum na Seleção desde as oitavas de final da Copa de 2022 contra a Coreia do Sul, sequer foi usado nesta Data Fifa.

A Seleção vai virar o ano com um problema que parecia não existir. O goleiro Alisson lida com lesões. Éderson mostrou insegurança contra Senegal na saída com os pés, justamente o diferencial dele. Bento não passou confiança no primeiro tempo contra a Tunísia.

A despedidas de ano da Seleção na década

2025: Brasil 1 x 1 Tunísia

2024: Brasil 1 x 1 Uruguai

2023: Brasil 0 x 1 Argentina

2022: Brasil 1 (2) x 1 (4) Croácia

2021: Brasil 0 x 0 Argentina

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Marcos Paulo Lima

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Marcos Paulo Lima
Tags: Brasil Carlo Ancelotti Estêvão Lucas Paquetá Seleção Tunísia

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