Blog Drible de Corpo
Marcos Paulo Lima
Esporte 3 min de leitura
Seleção: dá para convocar sem quem joga no Brasil? Fiz esse exercício
Em dia de Carlo Ancelotti, montei uma lista com 26 nomes sem usar jogadores em ação no Campeonato Brasileiro devido ao fim da temporada. A carência de meias é impressionante
Seria simpático, mas não é fácil deixar jogadores em atividade no Brasil fora da convocação desta quinta-feira para os amistosos da Seleção contra o Japão e Singapura na Data Fifa de novembro na Ásia. O motivo é simples: faltam opções no setor mais importante.
Carlo Ancelotti olha para o mapa da Europa e não enxerga meias. No Brasil, ele tem pelo menos Lucas Paquetá (Flamengo) e Matheus Pereira (Cruzeiro). Há outras opções como Andreas Pereira (Palmeiras), Gerson (Cruzeiro), Danilo (Botafogo) e Fred (Atlético-MG). Não há essa “fartura” de jogadores para a função em clubes de ponta do Velho Continente.
O italiano convocará até 26 jogadores para os amistosos. Fiz o exercício. Não foi fácil prescindir de quem disputa o Campeonato Brasileiro. Para o gol, mantive Alisson e pensei em duas novidades: Luiz Júnior (Villarreal) e Lucas Perri (Torino) merecem oportunidade.
Temos boas opções para as duas laterais e a zaga; abundância de volantes; alguns capacitados para o papel de meia, como Bruno Guimarães, mas a convocação emperra no momento de selecionar jogadores com o perfil de organizadores, o velho camisa 10.
Temos pelo menos duas opções, mas ambas fora de posição na Europa. Luis Guilherme surgiu como meia no Palmeiras. O Sporting tem utilizado a cria alviverde aberto pela direita como se fosse um ponta. Pepê surgiu no Grêmio como meia, uma espécie de camisa 8. Sergio Conceição usava o jogador centralizado. Sob nova direção, tem jogado pelas pontas. Bruno Guimarães assumiu esse papel na Copa do Mundo. Era praticamente um falso 10.
A solução para a carência no meio de campo vem da versatilidade e da mobilidade tática de alguns atacantes. Estêvão surgiu como meia no Palmeiras. Raphinha tem facilidade para cumprir essa função. Matheus Cunha recuava para isso na Copa do Mundo.
O Brasil vive um drama sem precedentes no meio de campo. A solução é transformar volantes em meias, atacantes em meias ou apostar na readequação de quem é meia e tem atuado fora da posição em candidato a “10” na Seleção. Se optar apenas por estrangeiros na lista, Carlo Ancelotti pode investir em Gabriel Sara. Ele faz esse papel no Galatasaray.
Não seria nada mal, por exemplo, enfrentar o Japão com essa formação sem jogadores do Campeonato Brasileiro: Alisson; Wesley, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Andrey Santos, Bruno Guimarães e Gabriel Sara; Estêvão, Raphinha e Vinicius Junior.
É possível formar uma boa Seleção somente com estrangeiros.
Mas não é fácil!
Minha convocação somente com “estrangeiros”
» Goleiros
Alisson (Liverpool)
Luiz Júnior (Villarreal)
Lucas Perri (Torino)
» Laterais
Wesley (Roma)
Vanderson (Monaco)
Kaiki (Como)
Douglas Santos (Zenit São Petersburgo)
» Zagueiros
Éder Militão (Real Madrid)
Gabriel Magalhães (Arsenal)
Bremer (Juventus)
Vitor Reis (Manchester City)
Volantes
Andrey Santos (Chelsea)
Douglas Luiz (Juventus)
João Gomes (Aston Villa)
André (Wolverhampton)
» Meias
Gabriel Sara (Galatasaray)
Bruno Guimarães (Arsenal)
Luis Guilherme (Sporting)
Pepê (Porto)
» Atacantes
Rayan (Bournemouth)
Raphinha (Barcelona)
Estêvão (Chelsea)
Gabriel Jesus (Barcelona)
Vinicius Junior (Real Madrid)
Endrick (Real Madrid)
Matheus Cunha (Manchester United)