Philippe Coutinho é mais um ídolo a dar um basta na relação tóxica com torcedores que dizem amá-lo, idolatrá-lo, querê-lo com o uniforme do clube do coração. O fim da relação do camisa 10 com o Vasco, manifestada em uma carta aberta publicada na conta pessoal do jogador de 33 anos no Instagram, não deveria ser assim.
Ele é mais um a não suportar a cobrança insana de quem espera dele resolver em campo problemas estruturais de um clube centenário. Philippe Coutinho é ser-humano, não o super-herói projetado pela paixão de uma torcida ferida pelos maus tratos. A estrela da companhia não veio bem da Europa. Teve lampejos no retorno a São Januário. Balançou a rede do Flamengo no último clássico de 2024, evitou a derrota e saiu ovacionado.
Os últimos capítulos da relação não foram como aquele no Maracanã. Parte da torcida depositou em Philippe Coutinho e no técnico Fernando Diniz o peso do insucesso. O astro não suportou. Chegou ao limite na classificação contra o Volta Redonda para as semifinais do Campeonato Carioca. Substituído por Johan Rojas, a cria de São Januário interpretou o ocaso como fim do ciclo de 124 jogos, 22 gols e 10 assistências.
Ele não é o primeiro nem o único. Willian retornou ao Corinthians por amor. Não suportou a pressão da Fiel, inclusive direcionada à família dele. Registrou boletim de ocorrência mais de uma vez até escolher retornar ao futebol inglês. Deixou a Europa recentemente para outra tentativa de voltar ao Brasil ao assinar com o Grêmio.

Neymar foi pressionado pela torcida do Santos no ano passado. Lucas Moura também no São Paulo. As conquistas da Copa do Brasil em 2023 e da Supercopa do Brasil no ano seguinte amenizaram as cobranças. O lateral-esquerdo Marcelo e o zagueiro Thiago Silva administraram a tensão até saírem das Laranjeiras pela porta dos fundos.
Fernandinho retonrou ao Athletico-PR, cansou e foi honesto ao assumir: “No futebol não tem nada que me motive mais, já fui bem realizado no futebol. Tudo que eu pude aproveitar, eu aproveitei. Agora, é um tempo de aproveitar com a família”, despediu-se.
Há outros jogadores sentido o peso da pressão na relação com a torcida que o idolatra. Arthur se esforça para honrar o Grêmio. Entre tapas e beijos, Hulk pensou em deixar a Cidade do Galo, mas resiste no Atlético. Venceu a queda de braço com Jorge Sampaoli. Gabriel Barbosa tenta manter a política de boa vizinhança e reconquistar a torcida do Santos. Aliás, você lembra como o Gabigol foi intimidado na apresentação? Lucas Paquetá acaba de reativar o elo com a exigente nação rubro-negra.
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