Ricardo Oliveira e as incoerências de Dunga no confuso projeto para a Copa do Mundo de 2018

Publicado em Sem categoria
Há um mês, perguntei a um amigo na redação do Correio Braziliense se seria absurda a convocação de Ricardo Oliveira para a Seleção Brasileira. A resposta foi imediata: “seria”. Na minha opinião, depende do que Dunga pretende fazer. E ele não sabe.
A CBF deu muito poder a Dunga. Olhando de longe, sinto que o técnico e seu fiel escudeiro, Gilmar Rinaldi, estão perdidos. A menos de um ano do início dos Jogos do Rio-2016, a Seleção Olímpica Sub-23 não existe. Vimos um bando perder para a França por 2 x 1 no último amistoso. A duas semanas do início das Eliminatórias, a Seleção Principal também não existe. Parecia que sim até a Copa América, mas o fracasso no Chile mostrou que não.
Senhor da coerência, Dunga nunca foi tão incoerente. É uma atrás da outra nessa primeira passagem pelo cargo. A palavra de ordem não era renovação? Por que convocar Ricardo Oliveira, agora, em um momento em que gente mais jovem como Gabigol e Alexandre Pato enchem as redes de gol no Campeonato Brasileiro com as camisas do Santos e do São Paulo. Sem contar Vagner Love, Luan, do Grêmio, e até Luiz Adriano, do Milan, que chegou a ser testado por Dunga nesta segunda era.
Dunga dirá que Ricardo Oliveira é o artilheiro do Brasileirão e do Brasil no ano. Correto. Alegará também que o centroavante acrescenta experiência ao grupo. Opa, peraí, peraí, peraí… Mas não era de Kaká o papel de vovô-garoto da turma? Por que raios então Kaká serve para os amistosos e não para as partidas oficiais. O melhor do mundo em 2007 não foi chamado para a Copa América. Também ficou fora da lista das Eliminatórias.
Admiro Ricardo Oliveira. Não tenho dúvida de que, aos 35 anos, ele pode ser útil contra o Chile e a Venezuela na largada para a Copa do Mundo de 2018. Hulk foi bem no papel de centroavante nos amistosos, mas é bom ter um autêntico 9 nem que seja no banco. Como era importante ter Alexandre Pato e Gabigol no grupo.
Repito. O problema não é Ricardo Oliveira. É a cabeça mal resolvida do Dunga. Não há coerência no início do trabalho. Quer outro exemplo? Cadê o Géferson, lateral do Internacional premiado com uma vaga na Copa América sem jamais ter sido testado pelo Dunga? Ninguém sabe ninguém viu. Não é sequer um dos dois laterais das Eliminatórias. 
Sorte do Dunga que o patrão dele, Marco Polo Del Nero, não está vendo o festival de lambanças. Parece muito mais preocupado em cancelar compromissos internacionais.