Rueda está entre a "nação rubro-negra" e o bicampeão continental Chile. Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
Sonho de consumo da seleção do Chile para a Copa América de 2019 no Brasil e as Eliminatórias para a Copa de 2022 no Catar, o técnico do Flamengo, Reinaldo Rueda, tem fama de cumprir seus contratos até o fim nos clubes e nas seleções por onde passou, mas toda regra tem exceção. Há 15 anos, o treinador deixou o Independiente Medellín após quatro meses de trabalho — justamente o tempo em que está no Flamengo — para comandar as promessas da equipe nacional sub-20 da Colômbia. Aquele foi um dos raros “abandonos” de emprego no currículo. De lá para cá, Rueda cumpriu rigorosamente os acordos com Colômbia, Honduras, Equador e o Atlético Nacional.
Por enquanto, a situação da novela é a seguinte: Arturo Salah e seu vice-presidente, Andrés Fazio, já se encontraram pessoalmente com Reinaldo Rueda. Apresentaram o projeto esportivo da seleção chinela e ficaram de levar a oferta financeira aos representantes do técnico. Refém há 12 anos de treinadores estrangeiros, A Associação Chilena inclusive aceita pagar a multa rescisória ao clube carioca. Dinheiro não falta. O grupo Turner de televisão ganhou em junho a licitação para transmitir as Eliminatórias para a Copa de 2022 e abastecerá o caixa da ANFP com US$ 120 milhões nos próximos anos. A entidade também recebeu os prêmios pelos títulos da Copa América Centenário 2016, nos Estados Unidos, e do vice na Copa das Confederações deste ano, na Rússia.
O Flamengo tem conhecimento de que há uma negociação em andamento. A diretoria rubro-negra está convicta de que vencerá a difícil queda de braço com o Chile, mas, se Rueda sair, Alexi Stival, o Cuca — velho desejo do presidente Eduardo Bandeira de Mello — é a primeira alternativa. Curiosamente, o time carioca já tentou tirar um técnico da seleção chilena recentemente, quando sondou Jorge Sampaoli.
Reinaldo Rueda é muito fiel aos acordos verbais e assinados no papel. Saiu de férias incomodado com os vices na Copa do Brasil e na Copa Sul-Americana. Perfeccionista, quer deixar no clube mais popular do país uma imagem vencedora. Isso pode ser decisivo para a permanência no Flamengo. Porém, a saída não seria novidade. Rueda já trocou o trabalho em um clube pelo projeto de uma seleção. Em 2002, era técnico do Independiente Medellín quando recebeu proposta para assumir a seleção sub-20 da Colômbia. Como estava sob pressão no time no Campeonato Nacional, não pensou duas vezes e topou o novo desafio. Rueda acumulava 10 jogos à frente da equipe e uma péssima campanha: três vitórias, três empates e quatro derrotas. Largou o Independiente em 13º lugar após um empate por 0 x 0 com o Santa Fe.
Um ano depois de levar a Colômbia ao terceiro lugar no Mundial Sub-20 de 2003, Rueda assumiu a seleção principal em 18 de fevereiro de 2004. Só deixou o cargo em 30 de setembro de 2006, após fracassar nas Eliminatórias na tentativa de classificar o país para a Copa.
Reinaldo Rueda passou três meses desempregado até assinar contrato com a seleção de Honduras. Assumiu em 25 de janeiro de 2007 até a Copa da África do Sul em caso de classificação. Levou Los Catrachos ao Mundial e só saiu em 28 de julho de 2010, um mês depois da eliminação de Honduras na fase de grupos.
No mês seguinte, aceitou a proposta do Equador. Novamente firmou contrato por um ciclo de Copa do Mundo. Assumiu 10 de agosto de 2010 e cumpriu o acordo até 26 de junho de 2014. Classificou a seleção para o Mundial do Brasil e foi eliminado na fase de grupos.
Depois de um ano sabático, topou o desafio de assumir o Atlético Nacional, da Colômbia, em 6 de junho de 2015. O projeto era de dois anos. Reinaldo Rueda só saiu em 21 de junho deste ano, justamente dois anos depois do período acertado. Na despedida, o treinador manifestou o desejo de permanecer, mas atribuiu sua decisão ao desgaste com a diretoria e os torcedores.
Portanto, a carreira profissional de Reinaldo Rueda mostra que ele só abrirá mão do contrato com o Flamengo por desses dois motivos: excelente oferta de uma seleção, como a que ele recebeu em 2002 da Colômbia quando estava sob pressão no Independiente Medellín; ou um possível desgaste na relação com a diretoria do Flamengo. Vale lembrar que dois treinadores de ponta deixaram o rubro-negro justamente por esse motivo na era Eduardo Bandeira de Mello: Mano Menezes e Vanderlei Luxemburgo.
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