Blog Drible de Corpo
Marcos Paulo Lima
Esporte 4 min de leitura
Raphinha resgata a mística do “R” como falso 9 do Barcelona
14 gols e 3 assistências em 8 partidas: inspirado em Romário, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho, Raphinha vira protagonista — e o "Kai Havertz" de Hansi Flick no time catalão
A mística da letra erre está de volta ao Barcelona. Depois de Romário, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho, os três eleitos melhores do mundo vestindo a camisa do Barcelona, o clube catalão curte a fase de Raphinha. O protagonista de três gols na virada contra o Sevilla pelo Campeonato Espanhol ostenta incríveis 14 gols em 8 jogos na temporada.
Mais do que os números absolutos, chama a atenção a capacidade de reinvenção de Raphinha. O atacante já foi ponta direita, meia, ponta esquerda e assume a função de centroavante no sistema tático do criativo e ousado técnico Hansi Flick.
Falso nove não é novidade no repertório do alemão. Kai Havertz e Musiala, por exemplo, assumiram esse papel quando ele comandou a seleção germânica. Diferente de um pivô tradicional que fixa os zagueiros, Havertz tinha liberdade para recuar até a intermediária ofensiva. Quando ele saía da área para buscar a bola, arrastava um dos beques adversários. O movimento quebrava a compactação da linha defensiva rival. Consequentemente, abria um “buraco” central na retaguarda do adversário.
O objetivo desse recuo era criar corredores de infiltração para os meias-atacantes de alta intensidade que vinham de trás. Jogadores rápidos e verticais aproveitavam o espaço gerado por Havertz: Thomas Müller e Musiala.
No modelo de jogo de Hansi Flick há exigência por sufocar a saída de bola adversária. O posicionamento de Havertz era crucial. Ele era o jogador mais avançado. Iniciava os gatilhos de pressão com intensa mobilidade, fechava linhas de passe dos zagueiros e forçava o erro dos adversários na construção da saída de bola.
Raphinha cumpre esse papel na versão de 2026/2027 do Barcelona. Joga centralizado no ataque com Lamine Yamal e Anthony Gordon. Atrás dele, ótimos passadores capazes de coloca-lo na cara gol nos lançamentos em profundidade: Rodri, Pedri e Fermin eram os meias na vitória por 3 x 1 contra o Sevilla no Estádio Ramón Sanchez Pizjuan.
Além da mobilidade, Raphinha entrega repertório nas finalizações. Gol de perna direita, esquerda e de cabeça. Perícia no acabamento dos lances em lances distintos com exigentes demandas de habilidade para colocar a bola dentro da rede. Ele conseguiu.
Hoje, Raphinha é artilheiro disparado do Campeonato Espanhol com 12 gols contra 7 do francês Kylian Mbappé. São 14 na temporada incluindo a Champions League. A pergunta do torcedor brasileiro é óbvia: por que Raphinha não é protagonista na Seleção?
A resposta é simples. Quem costuma jogar em várias posições geralmente costuma ficar sem nenhuma. Vinicius Junior bloqueia a ponta a esquerda. Estêvão deve ser o cara da direita. Matheus Cunha fazia o papel de falso 9 na Copa de 2026.
Bruno Guimarães dividiu o papel de articulares do meio de campo com o ataque catalão. A indefinição da posição gera insegurança. Raphinha iniciou os últimos dois mundiais como titular, mas foi minguando ou se lesionando ao longo da competição. Não foi o que esperávamos. Parece que a camisa da Seleção pesa para Raphinha. A do Barça, não.
Convocado pelo técnico Carlo Ancelotti para os amistosos contra Austrália e Índia no início do ciclo para a Copa de 2030, Raphinha se apresentará à Seleção na Oceania como potencial dono da “9” na concorrência com o especialista Pedro e o híbrido Endrick. Ele só precisa de uma dose alta de confiança injetada na veia pelo técnico Carlo Ancelotti.