Quarto goleiro brasileiro campeão da Champions League, Ederson consolida indústria nacional

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O joelho salvador de Ederson fechou o gol para Lukaku. Foto: Franck Fife/AFP

O Brasil teve apenas um jogador na final da Champions League neste sábado na conquista do Manchester City por 1 x 0 contra a Internazionale no Estádio Olímpico Atatürk, em Istambul, na Turquia, mas a exceção virou a regra para um país cada vez mais consolidado na fabricação de goleiros de alta performance. Depois de Dida (2003 e 2007), Julio Cesar (2010) e Alisson (2019), Ederson é o quarto herói com luvas verde-amarelo a assumir o protagonismo em uma decisão de Liga dos Campeões da Europa.

Sim, o gol foi do espanhol Rodri no segundo tempo depois de uma belíssima trama iniciada por Akanji e um passe do fora de série Bernardo Silva para o espaço vazio em que o volante chegou de frente para finalizar com categoria e estufar a rede do goleiro Onana.

O detalhe é o que aconteceu depois disso. Goleiro precisa dormir com duas mulheres: a companheira e a bola. Acariciá-la faz bem. Ederson teve essa cumplicidade e viveu o sonho de 1.001 noites na Turquia. De bem com o brinquedo estrelado da Champions League, viu a pelota manter-se fiel a ele depois do gol de Rodri. A trave impediu o gol de Dimarco dois minutos depois do êxtase da torcida inglesa, em Istambul. Na segunda tentativa do italiano, uma paredão chamado Lukaku posou de zagueiro para salvá-lo novamente.

Mas Ederson também teve méritos pessoais. Foram três intervenções relevantes na sequência da partida. Fechou a meta para Lautaro Martínez logo no início do segundo tempo. Usou o joelho para se impor na finalização do excelente Lukaku. No último lance, ele se agigantou na tentativa derradeira de Gosens.

Ederson é campeão da Champions League sem jamais ter disputado um jogo do Brasileirão. Passou pelo São Paulo. Azar o dele. Rogério Ceni era dono da situação. Fominha, não dava oportunidade nem para reserva. Imagina para o menino Ederson, ainda em formação nas divisões de base do clube paulista. O paulista de Osasco seguiu para o Benfica. Consolidou o aprendizado na base encarnada, topou intercâmbios em times menores como Ribeirão e Rio Ave, acumulou milhas no Barcelona B, aprendeu muito com Julio Cesar, finalmente assumiu as traves dos Encarnados e logo chamou a atenção do Manchester City.

Eficiente com as mãos e os pés, encaixou-se perfeitamente no estilo do clube inglês. Faz valer cada centavo do investimento de 40 milhões de euros na contratação dele. Barato até. O Real Madrid pagou 45 milhões de euros ao Flamengo pelo atacante Vinicius Junior.

Se Taffarel abriu as portas da Europa aos goleiros brasileiros, Dida, Julio Cesar, Alisson e Ederson souberam aproveitar. Foram campeões, respectivamente, com Milan, Internazionale, Liverpool e Manchester City. O quarteto está na história da Liga dos Campeões da Europa. Se até pouco tempos os motivos de orgulho eram os melhores do mundo Romário, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká, os heróis com luvas consolidam uma nova faceta da indústria nacional. Depois de Julio Cesar e Alisson, o país pode, sim, ter um terceiro arqueiro alçado ao topo. Ederson merece. Questão de tempo.

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Marcos Paulo Lima

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