Profecia de Fred desafia Fernando Diniz a gerenciar expectativa x realidade no Fluminense

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Fechado com Fernando Diniz, Fluminense precisa aprender com o São Paulo de 2020. Foto: Marcelo Gonçalves/FFC


Fred fez um bem é um mal ao Fluminense. Foi honesto ao decidir encerrar a carreira em vez de se arrastar até o fim da temporada. Desonerou a folha de pagamento e gerou possibilidades de contratações na janela de transferências. A questão é ter falado demais. Ao testemunhar que o trabalho de Fernando Diniz e do elenco são bons e que o time pode “bater campeão”, aumentou a responsabilidade sobre um elenco curto que tem atuado no limite da capacidade.

A classificação diante do Cruzeiro com goleada por 5 x 1 no placar agregado — 3 x 0 nesta terça, no Mineirão depois de 2 x 1, no Rio — empolga ainda mais a torcida tricolor. Faz parte. A questão é se Fernando Diniz conseguirá gerenciar expectativa versus realidade quando a Cipa do Brasil e o Brasileirão afunilarem. Embora o treinador tenha formação em psicologia, não controlou o impacto de uma eliminação na época em que São Paulo, assim como o Fluminense, estava de vento em popa.

Em 2020, o time paulista liderava a Série A e havia eliminado o Flamengo de forma imponente nas quartas de final. Mais do que isso: o futebol encantava, arrancava suspiros até a eliminação nas semifinais do mata-mata nacional diante do Grêmio. A partir dali, o São Paulo desandou no Brasileirão. Foi de dois títulos possíveis a um fim de temporada caótico. Insustentável, Diniz perdeu o emprego e o São Paulo fechou a temporada 2020 sob as ordens de um interino.

Fernando Diniz deve ter aprendido muito com aquele trabalho. Da pinta de que amadureceu. Faz muito com tão pouco no Fluminense. Sabe se comportar fora de casa. Baixou as linhas contra o Cruzeiro, e explorou os contra-ataques. Máxima eficiência com direito a golaços no Mineirão. Impressionante o faro de Germán Cano, o artilheiro do Brasil na temporada. Um senhor sucessor para o ídolo Fred. O tricolor acumula sete partidas de invencibilidade — um empate e seis vitórias consecutivas. Apenas dois gols sofridos em 630 minutos. Tudo muito bom.

Do outro lado, muito bonita a atitude da torcida do Cruzeiro. O choque de realidade era inevitável. Um time da Série B contra um da elite haveria de sofrer. E assim foi. Em vez de vaias, aplausos e gritos de incentivo da parte de quem entende o momento. A luta do clube celeste é para voltar à primeira divisão e o time vai muito bem nessa missão. Lidera com 38 pontos, uma folga de quarto à frente do vice, Vasco (34). O acesso é questão de tempo. É o que interessa.

Por falar em elite, as eliminações de Cruzeiro e Bahia transformaram a Copa do Brasil em um torneio restrito a times da Série A a partir das quartas. O tricolor deu sinal de que reagiria contra o Athletico-PR. Fez 1 x 0 na Arena da Baixada, mas sofreu a virada. Era o roteiro esperado na série entre os dois clubes, principalmente quando em um dos lados do campo há um time comandado pelo técnico Luiz Felipe Scolari. Que restrospecto pessoal impressionante do treinador mais vitorioso da Copa do Brasil. Felipão acumula 13 presenças nas quartas de final em 15 disputas. Sensacional.

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Marcos Paulo Lima

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