Pedro verbaliza o que as comemorações de gol sem a tradicional reverência indicavam faz tempo

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Em certos casos, gestos falam mais que palavras. Pedro dava sinais de insatisfação com a reserva e os poucos minutos sob o comando de Paulo Sousa desde o gol marcado contra o Boavista na Taça Guanabara, o primeiro turno do Campeonato Carioca. Chamava atenção a mudança de comportamento do centroavante nas comemorações. Uma das marcas é o sinal de reverência depois de colocar a bola na rede. Pedro não fez nas celebrações diante do Nova Iguaçu, Botafogo e Altos neste ano. Foi até meio blasé na vitória por 3 x 0 no clássico do primeiro turno, no estádio Nilton Santos, ao abrir o placar na casa do adversário.

O fato de Pedro abrir mão da maneira preferida de festejar gol era sinal de descontentamento. Recado para a diretoria, finalmente verbalizado na virada por 2 x 1 contra o Altos, no Albertão, em Teresina. Setoristas do clube carioca alertaram mais de uma vez para isso. Parte da torcida fingia não ver. Achava intriga. Pedro falava com gestos. Para os maus entendedores, faltavam as palavras.

“As pessoas querem ditar o que eu devo fazer ou não. A carreira é minha, quem manda sou eu. Claro que jogar poucos minutos não é o que eu gosto, não é o que eu quero, mas o Paulo (Sousa) tem conversado comigo para ditar o que eu devo fazer em campo. O que eu devo fazer é o que está ao meu alcance, que é trabalhar, dar o meu melhor no dia a dia. É o que eu venho fazendo, focando no meu trabalho”, disse o centroavante, em Teresina.

O resto do desabafo teve tom enigmático sobre o possível desejo de ser emprestado ou negociado. “No meio do ano (janela de transferências), a gente conversa, vê o que é melhor para todos nós. Sempre que eu estiver aqui no Flamengo, vou dar a minha vida. Agradeço muito o carinho dos torcedores, de todos que o Flamengo sempre me deu”, disse.

Pedro tem direito de externar insatisfação. Faço uma ponderação. A aceitação ou não da reserva indica se um jovem como ele está pronto ou não para atravessar o Oceano Atlântico ea defender uma camisa pesada da Europa. O Flamengo só conta, hoje, com Gabriel Barbosa e Pedro, porque ambos não toleraram o banco de reservas na Itália. Mostraram-se imaturos na Internazionale e no Benfica, caso de Gabigol; e Pedro na Fiorentina.

Gabriel Jesus e Roberto Firmino ensinam a Gabigol e a Pedro sobre tolerância e maturidade. Os atacantes do Brasil na última Copa do Mundo são mais reservas do que titulares nesta temporada com as camisas do Manchester City e do Liverpool. Nove da Seleção na Rússia, em 2018, Jesus marcou sete gols nas últimas seis partidas, mas, até pouco tempo, não era integrante da comissão de frente na trupe de Pep Guardiola.

Jesus respeita os concorrentes Riyad Mahrez, Raheem Sterling, Phil Foden e Jack Grealish. Em vez de bufar,  trabalha para superá-los e conquistar um cantinho entre eles no time titular. Começou entre os 11 contra Real Madrid e Liverpool recentemente. Firmino disputa posição com Diogo Jota, Luis Diáz, Mohamed Salah e Sadio Mané. Nem por isso faz biquinho. Costuma entregar gols e assistências quando é acionado. Saiu do banco e marcou duas vezes contra o Benfica nas quartas de final da Liga dos Campeões.

Firmino e Jesus são exemplos de perseverança. Os modelos que Pedro deveria seguir. Compreende-se a frustração por não ter ido aos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 e o incômodo com a reserva no Flamengo, mas, como ele mesmo explicou, quem manda na carreira é ele. Portanto, a escolha de trocar a Fiorentina pelo Flamengo é pessoal. Administra o momento de dificuldade e superá-lo também.

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Marcos Paulo Lima

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