Blog Drible de Corpo
Marcos Paulo Lima
Esporte 5 min de leitura
De Pedrinho no Palmeiras às raízes vascaínas de Leila Pereira
Passado a limpo: presidente cruzmaltino foi campeão da Série B no Alviverde; dama de ferro do Palestra tem laços de família com o Gigante da Colina na infância
A semifinal da Copa do Brasil entre Palmeiras e Vasco reúne mais do que duas camisas tradicionais do futebol brasileiro na disputa por uma vaga na decisão. Os presidentes dos clubes, Leila Pereira e Pedrinho, carregam histórias particulares que aproximam as trajetórias do adversário.
De um lado, o dirigente cruzmaltino vestiu a camisa alviverde e participou de uma conquista importante na história do Palestra. Do outro, a mandatária alviverde cresceu em uma família vascaína, embora faça questão de afastar qualquer dúvida sobre a preferência clubística.
A coincidência ganha contornos ainda mais interessantes às vésperas da disputa por um lugar na final única, marcada para 6 de dezembro, no Mané Garrincha, em Brasília. Pedrinho conhece por dentro o ambiente do Palmeiras. Leila tem no Vasco uma ligação familiar com origem na infância em Cabo Frio, no litoral fluminense.
Pedrinho foi campeão pelo Palmeiras
Antes de assumir a presidência do Vasco, Pedrinho construiu uma relação profissional com o Palmeiras. O ex-meia chegou ao clube paulista em 2001, depois de uma primeira passagem pelo futebol europeu, e permaneceu até 2005. Foram 127 partidas e 32 gols com a camisa alviverde.
Um dos capítulos mais marcantes dessa trajetória ocorreu em 2003. Pedrinho integrou o elenco que conquistou o Campeonato Brasileiro da Série B e devolveu o Palmeiras à elite nacional. O meia participou da campanha comandada por Jair Picerni e dividiu o protagonismo com nomes como o goleiro Marcos, o atacante Vágner Love e o volante Magrão.
A experiência deixou lembranças compartilhadas publicamente pelo próprio dirigente. Em entrevista ao ge, em 2012, Pedrinho recordou a pressão enfrentada pelo clube na segunda divisão e a dificuldade de conviver com a obrigação de conquistar o acesso.
“Estive por cinco anos no Palmeiras, então atravessei todo tipo de situação. A Segunda Divisão com certeza foi a mais complicada”, afirmou Pedrinho.
A passagem pela Academia de Futebol não apagou a identificação com o Vasco, clube formador e pelo qual conquistou títulos expressivos, entre eles, duas edições do Campeonato Brasileiro, em 1997 e 2000, e a Libertadores de 1998. A história, porém, fez dele um personagem com credenciais nos dois lados da semifinal.
Leila cresceu cercada por vascaínos
A relação de Leila Pereira com o Vasco tem outra natureza. Nascida no Rio de Janeiro, a presidente do Palmeiras, cujo sotaque não nega, cresceu em Cabo Frio, em uma família na qual o futebol tinha uma preferência bem definida: o pai e os dois irmãos eram torcedores cruzmaltinos.
Em entrevista ao UOL, a empresária explicou como a proximidade familiar alimentou os comentários sobre uma possível torcida pelo Vasco. A dirigente faz questão de negar a associação. “Não sou vascaína. Não. Deixo claro isso”, declarou.
Quando criança, Leila acompanhava os familiares em passeios ao Maracanã. O pai a levava com os irmãos para assistir aos jogos. Segundo ela, o vínculo com o esporte não nasceu de uma escolha pelo clube de São Januário.
A aproximação com o Palmeiras veio por influência do marido, José Roberto Lamacchia, palmeirense desde a infância. Leila conheceu o empresário ainda jovem e passou a acompanhar o clube por causa dele. A relação cresceu até se transformar em uma parceria empresarial. Posteriormente, na chegada da dirigente à presidência alviverde.
A identificação é tamanha que ela também rebateu as dúvidas sobre a paixão pelo time paulista: “Eu sou mais palmeirense que o meu marido”, garante.
A camisa do Vasco entregue a Leila
As histórias se cruzaram presencialmente em 10 de outubro de 2023. Naquele ano, Pedrinho era candidato à presidência do Vasco e cumpria uma agenda de reuniões em São Paulo. Uma das visitas foi à Academia de Futebol do Palmeiras, onde reencontrou ambientes que conhecia dos quatro anos em que defendeu o clube.
Recebido por Leila Pereira, o então candidato presenteou a dirigente com uma camisa do Vasco. O registro do encontro foi publicado nas redes sociais do ex-jogador. Na ocasião, Pedrinho agradeceu à presidente pela recepção e destacou a estrutura do centro de treinamento palmeirense.
A fotografia dos dois segurando a camisa cruzmaltina ganhou repercussão entre torcedores dos dois clubes. Para os vascaínos, a cena tinha um ídolo do clube em visita à dirigente palmeirense. Entre os alviverdes mais xiitas, o presente provocou brincadeiras sobre a suposta ligação de Leila com o rival carioca.
Três anos depois, a imagem ganha novo significado. Pedrinho e Leila voltam a ocupar lados opostos de uma disputa entre Vasco e Palmeiras, agora com a responsabilidade de representar institucionalmente os clubes em uma semifinal nacional.
A história não transforma a presidente palmeirense em vascaína, nem diminui a identificação de Pedrinho com o clube que o revelou. Apenas acrescenta uma camada curiosa ao confronto: o dirigente cruz-maltino comemorou um título com a camisa alviverde, enquanto a mandatária do Verdão tem raízes familiares fincadas em São Januário. Inclusive, agora. Enteado de Leila, Marco Faria Lamacchia está comprando a SAF do Vasco e promete um novo tempo ao clube em 2027.
No futebol, as camisas definem os lados. As histórias, nem sempre.