Os três tenores do maestro Filipe Luís no recital do Flamengo contra o Inter

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Futebol se ganha no meio de campo. Para alegria da torcida do Flamengo, o técnico Filipe Luís é rubro-negro e conhece a tradição do clube. Em dezembro de 81, o time colocou os ingleses do Liverpool na roda com Andrade, Adílio e Zico. No ano da graça de 2019, o setor contava com Willian Arão, Gerson, Éverton Ribeiro e Arrascaeta. O atual treinador fazia parte daquela equipe na lateral esquerda. Ousado no décimo mês na nova profissão, ele entrou no Beira-Rio com Jorginho, Saul e Arrascaeta para defender vantagem de 1 x 0 contra o Inter.

Poucos técnicos do futebol brasileiro fariam isso no comando do melhor elenco da América do Sul. A maioria cometeria o pecado de utilizar no mínimo um volante de contenção, ou seja, com mais habilidade para marcar do que fazer o time jogar. Filipe Luís escolheu a contramão.

A vitória por 2 x 0 tem tudo a ver com o meio de campo escolhido pelo técnico. Jorginho, Saul e Arrascaeta controlaram a partida no alçapão colorado e fizeram papel picado do Inter na terceira partida consecutiva em oito dias. A soma dos resultados em dois duelos pela Libertadores e um no Brasileirão é 6 x 1. Dois desses triunfos construídos na casa do adversário, em Porto Alegre.

Guardadas as devidas proporções, repito, guardadas as devidas proporções, o meio de campo do Flamengo lembra o talento de um setor que marcou época no futebol mundial com a camisa do Barcelona: Busquets, Xavi e Iniesta. Não havia um volante brucutu. Todos se enquadravam ao inesquecível tiki-taka.

Jorginho, Saul e Arrascaeta marcaram o Inter com a posse da bola. Sem ela, minavam o adversário simplesmente no posicionamento, auxiliados pelos pontas Gonzalo Plata e Samuel Lino, pela sincronia dos laterais Varela e Alex Sandro, que por várias vezes recuou para formar trio de defensores pela esquerda com Léo Pereira e Léo Ortiz, e pelo primeiro combate de Bruno Henrique na saída de bola colorada. Isso o diferencia de Pedro.

O esforço de Filipe Luís para dar um padrão de jogo europeu ao Flamengo foi coroado com gols de jogadores inseridos no centro de uma arrastada discussão. Há quem clame por Pedro e Arrascaeta juntos na formação principal. O futebol de alta performance ensina o contrário. Não existe time titular. Há, sim, oportunidade para todos e quem está no banco deve estar preparado quando for acionado.

Arrascaeta abriu o placar com uma belíssima finalização de perna direita depois de uma assistência inteligente de cabeça do equatoriano Gonzalo Plata. Pedro saiu do banco para entrar no lugar de Bruno Henrique e consolidou a classificação completando o cruzamento de outro excelente jogador egresso da reserva: Luiz Araújo.

Com a presença ilustre do técnico Carlo Ancelotti, a Libertadores testemunhou uma inesquecível noite de imposição tática e técnica do Flamengo sobre o Internacional, no Beira-Rio. Algo parecido com o que havia feito Jorge Jesus no primeiro duelo da semifinal de 2019 contra o Grêmio.

Como diz a canção Papo Cabeça, de Lulu Santos, há pedras no caminho rubro-negro (Estudiantes, Racing e Vélez Sarsfield), que ainda assim é belo até a final da Libertadores.

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Marcos Paulo Lima

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