FBL-RECOPA-FLAMENGO-LANUS O retrato do início de temporada do Flamengo depois do vice contra o Lanús. Foto: Mauro Pimentel/AFP O retrato do início de temporada do Flamengo depois do vice contra o Lanús. Foto: Mauro Pimentel/AFP

Os 7 pecados capitais do Flamengo em um começo de temporada caótico

Publicado em Esporte

A derrota do Flamengo para o Lanús na Recopa Sul-Americana, com direito a gols de pelada como o primeiro e o terceiro do time argentino no Maracanã, indica problemas além das quatro linhas. A crise do Flamengo tem pitadas de tensão extracampo e dentro do vestiário rubro-negro. Não há um culpado. A crise nos dois primeiros meses do ano tem a rubrica de vários responsáveis – e não somente do questionado Filipe Luís.

 

A falha de Ayrton Lucas no recuou da bola para Rossi e o escorregão do goleiro é a parte visível de uma crise técnica. A opção de Pedro no banco de reservas diz muito sobre uma maneira inflexível de o treinador pensar o futebol. A pressão desnecessária pela perda de dois títulos que não deveriam constar na lista de prioridade neste início de temporada é reflexo dos discursos nada cautelosos e até de menosprezo aos concorrentes por parte do presidente rubro-negro.

 

Filipe Luís não é o único culpado e nem deve ser crucificado sozinho. Os números e os títulos blindam o treinador dos devaneios. O treinador completou 99 jogos oficiais no cargo. Acumula 62 vitórias, 21 empates e 16 derrotas. Houve, ainda, empate em um amistoso contra o São Paulo no início da temporada passada. O time marcou 182 gols e sofreu 76. O aproveitamento é de 70%. O técnico tem muito crédito, mas não pode torre-lo. É preciso mostrar habilidade no primeiro grande vento de crise.

 

A seguir, o blog analisa os pecados capitais do Flamengo em uma início de temporada caótico marcado pelas perdas do título da Supercopa do Brasil e da Recopa Sul-Americana. O que está ruim pode piorar em caso de perda do título do até então desprezado Campeonato Carioca.

 

  1. SOBERBA

 

Você ouviu mais de uma vez o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, dizer e repetir a exaustão a seguinte frase: “Ganhar a porra toda”. Dar entrevistas projetando o Flamengo como Real Madrid das Américas. Em entrevista à imprensa espanhola, afirmou: “Se trouxe o Paquetá, por que não posso trazer (Jurgen) Klopp?”. O dirigente também afirmou: “O Flamengo está hoje no Brasil por acaso porque o Flamengo é uma ilha no Brasil. Nosso sucesso não é porque o Flamengo seja maior, está melhor gerido.

 

  1. AVAREZA

 

Filipe Luís iniciou a temporada escorado no sistema de jogo vitorioso do ano passado e na formação de gala preferida e resiste a mudar a maneira de o time jogar. Ele não abre mão, por exemplo, de uma estrutura com dois pontas e um autêntico ou falso nove por uma dupla de ataque. É apegado à dupla de zaga formada por Léo Ortiz e Léo Pereira. Ambos voltaram mal das férias – e ele tem Vitão pedindo passagem. Não desapega de Gonzalo Plata e de Samuel Lino. Teima a contragosto com Bruno Henrique de falso 9.

 

  1. LUXÚRIA

 

O presidente do Flamengo encerrou a temporada passada gabando-se: “Se eu tiver que gastar R$ 1 bilhão para continuar ganhando a p… toda, eu posso gastar. Uma coisa é você querer gastar e não poder porque não pode pagar”. Na prática, o clube tirou dinheiro questionável dos cofres para investir 40 milhões de euros para tirar o meia Lucas Paquetá do West Ham e reassumir o posto de protagonista da contratação mais cara da história do futebol brasileiro depois de o Cruzeiro torrar uma grana na aquisição de Gerson.

 

  1. IRA

 

Há focos de revolta e insatisfação incubados. A negociação da renovação de Filipe Luís desgastou o relacionamento dele, de José Boto e de Bap. Tenho as minhas dúvidas se o elenco respeita ou tolera o dirigente português. Algumas entrelinhas de declarações dos jogadores indicam a segunda opção. Pedro engole as preferências do técnico por Bruno Henrique, Plata, Arrascaeta e até Carrascal de falso 9. Everton Cebolinha não aguenta mais pedir passagem na bola e ser preterido pelo concorrente Samuel Lino. Luiz Araújo é outro descontente interessado em sair.

 

  1. GULA

 

A gestão de Bap acertou ao estabelecer prioridades no ano passado: a meta era voltar a ganhar o Campeonato Brasileiro. O Flamengo atingiu com direito ao bônus do Campeonato Carioca e da Libertadores. O discurso de ganhar a “porra toda” parece ter sido incorporado em 2026. Em vez de abrir mão de taças menores neste início de ano como o Carioca, a Supercopa do Brasil e a Recopa Sul-Americana, o time se desgastou fisicamente e emocionalmente por essas taças em um momento de pré-temporada.

 

  1. INVEJA

 

O Flamengo colocou olho grande no centroavante Kaio Jorge e foi às últimas consequências na tentativa de contratá-lo. Adquiriu Lucas Paquetá porque havia necessidade ou para mostrar poder de fogo depois que o Cruzeiro deixou a torcida rubro-negra com dor de cotovelo ao fechar com Gerson? A cobiça também fez o time ir atrás de John Arias para minar o concorrente Palmeiras. Ouviu não do colombiano por causa da identificação do meia com o Fluminense, pelo qual ganhou seis títulos – e é ídolo.

 

  1. PREGUIÇA

 

Este é o maior dos pecados capitais do Flamengo neste início de temporada. O elenco mais caro do país iniciou a temporada desleixado, distraído, displicente, acomodado… O time está frágil fisicamente, tecnicamente e mentalmente. A indolência contagiou até o elenco sub-20 e desencadeou problemas na temporada do plantel profissional. Os Meninos do Ninho ganharam 1 pontos em 9 disputados e obrigaram a tropa de choque a evitar o incêndio de disputar o torneio do rebaixamento no Campeonato Carioca.

 

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