FBL-EUR-C1-BENFICA-REAL MADRID José Mourinho desvia o foco e questiona a forma de Vini festejar gol. Foto: Patricia de Melo Moreira/AFP Mourinho desvia o foco e questiona a forma de Vini festejar gol. Foto: Patricia de Melo Moreira/AFP

O papelão de Mourinho ao minimizar denúncia de racismo contra Vinicius Junior

Publicado em Esporte

José Mourinho é um dos melhores técnicos do século 21. Levou o Porto ao título da Champions League em 2024. Repetiu o feito com a Internazionale em 2010. Brindou o Manchester United com a Liga Europa e a Roma com a Conference League. Foi Special One durante um bom tempo. Rivalizou com Pep Guardiola. Era imperdível assistir a um duelo entre eles. Reconhecimentos à parte, o português erra ao lidar com a denúncia de racismo do atacante Vinicius Junior na vitória do Real Madrid contra o Benfica. O cinismo não está incluso no pacote de quem se autointitula Special One.

 

Erra ao desqualificá-la. Erra ao ficar no muro. Erra ao jogar a culpa na maneira escolhida por Vinicius Junior para celebrar gols. Logo ele, Mourinho, que um dia celebrou a classificação da Internazionale provocando a torcida do Barcelona no gramado do Campo Nou e viu profissionais do clube acionarem os esguichos para dar-lhe um banho na tentativa de jogar água fria na polêmica comemoração pessoal. A pergunta para ele seria a mesma feita por ele ao brasileiro: não dava para festejar de outro jeito?

 

José Mourinho fugiu da dividida sobre racismo porque foi julgado recentemente por esse motivo. Ele trabalhava na Turquia no ano passado. Comandava o Fenerbahçe. Em um clássico contra o Galatasaray, foi acusado de injúria devido às palavras usadas na entrevista coletiva concedida depois da partida em Istambul.

 

“Se fosse um árbitro turco, depois do mergulho no primeiro minuto… E o banco deles (Galatasaray), pulando como macacos em cima do garoto… Se fosse um árbitro turco, você teria um cartão amarelo com um minuto, e depois com cinco minutos eu teria que substituí-lo”, afirmou José Mourinho, ao responder uma pergunta sobre o zagueiro Yusuf Akcicek, do Fenerbahçe. A partida havia sido mediada pelo esloveno Slavko Vinci.

 

O Galatasaray denunciou José Mourinho. O vice-presidente do Fenerbahçe, Akun Ilacli, se apressou em defender o técnico português. “Que racismo é esse?” que José se referia a um grupo de pessoas pulando e reagindo exageradamente. Ele não estaria comparando alguém do clube com macacos”, argumentou o dirigente.

 

O episódio foi parar no Ministério Público de Istambul e a Justiça decidiu que não houve crime de José Mourinho ao usar a expressão “pulando como macacos”.

 

“Como resultado da queixa criminal apresentada pelo Galatasaray Club contra nosso Diretor Técnico, José Mourinho, com base em racismo, o Ministério Público de Istambul decidiu que nenhum crime ocorreu e que não havia necessidade de processo. Resumindo: a queixa-crime foi concluída com decisão de não acusação. Nós o apresentamos ao público”, disse o Fenerbahçe em um comunicado oficial.

 

A vitória na Justiça deu legalidade a José Mourinho para minimizar casos de racismo.  Daí o malabarismo do lusitano ao dizer que ouviu Prestianni, escutou Vinicius Junior e não podia se posicionar. Escolheu ficar no muro. Desqualificou a denúncia da vítima endossada por uma testemunha. O francês Kylian Mbappé ouviu cinco vezes “macaco”.

 

José Mourinho tem fama de “Dick Vigarista”. Enfiou o dedo nos olhos de Tito Vilanova, então auxiliar de Pep Guardiola no clássico entre Real Madrid e Barcelona pela Supercopa da Espanha. Fez sinal de silêncio em frente às câmeras em uma provocação aos torcedores do Tottenham depois de uma vitória do Manchester United. Em vez de questionar Vinicius Junior, José Mourinho deveria acolher o discurso da vítima – e não desqualifica-la. Ser Special One é muito mais do que empilhar títulos no currículo.

 

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