União e comprometimento foram os diferenciais da vitória digna do Flamengo. Foto: Divulgação/Flamengo
Não gosto daquela expressão “a gente soube sofrer”, mas ela poucas vezes combinou tanto com a fase de transição do Flamengo. O time que mais fez os adversários sofrerem no ano passado, agora também sabe sofrer. Sofrer a dor de um 5 x 0 diante do Independiente del Valle 10 meses depois de encantar a América goleando o Grêmio por 5 x 0 na semifinal da Libertadores. Sofrer com as críticas do vexame e recuperar-se vencendo o jogo seguinte com 11 desfalques – sete deles infectados pela covid-19. Sofrer para vencer por 2 x 1 praticamente sem banco.
O Flamengo sofre com a troca recente de técnico. Sofre com a mudança de ideias, conceitos implementados pelo técnico Domènec Torrent. Sofre com a ausência da torcida. Sofre muitos gols no processo de adaptação e precisa corrigir urgentemente a defesa. Sofre com a críticas a um time que estava em outro patamar e hoje tem dificuldades para se impor. Sofre por ter baixado o nível do seu jogo e permitir aos concorrentes que tirem o encanto daquele Flamengo.
Parece irônico, mas Domènec Torrent também está aprendendo a sofrer. O ex-auxiliar de Pep Guardiola dificilmente viveu a experiência da semana que passou no Equador. Viagem longa do Rio a Quito para uma partida na altitude. Derrota por 5 x 0 para um excelente time comandado por um compatriota dele. Cinzas de um vulcão cancelando treinamento. Sete jogadores infectados pelo coronavírus e outros quatro por lesões e suspensão. O ineditismo de um duelo com o xará do Barcelona em que ele trabalhou com Guardiola a partir da temporada de 2009.2009. Até cartão amarelo o tranquilo Dome recebeu na vitória desta terça.
Apesar das críticas a algumas tentativas de erro e acerto, o técnico do Flamengo acertou ao deixar Gerson livre para criar problemas ao Barcelona. Boa sacada. Por sinal, que assistência para o gol de Pedro. O centroavante é diferente. Tem nove gols com a camisa rubro-negro. Enquanto Gabigol dá piti ao recusar-se a sentar no banco, Pedro sofre calado no papel de estepe. Quando há brecha, entra e faz gol.
Autor do segundo gol, Arrascaeta tem uma baita virtude: gosta de aparecer na área como se fosse um falso camisa 9. Ele é assim desde os tempo em que defendia o Cruzeiro. Sabe se posicionar e finaliza bem. Everton Ribeiro sabe onde encontra-lo e protagonizou o passe para o gol da vitória marcado pelo uruguaio. Gerson, Pedro e Arrascaeta foram os nomes da partida.
Lá atrás, o zagueiro Thuler soube sofrer no papel de falso lateral-direito. Isla e Matheuzinho estão em quarentena. João Lucas chegou em cima da hora a Guayaquil. Léo Pereira aguentou o tranco ao lado do excelente Rodrigo Caio. Os goleiros reservas do Flamengo continuam decepcionando. Foi assim com Thiago na final da Copa do Brasil 2017, com César e Gabriel Batista. O elenco precisa de um goleiro reserva à altura de Diego Alves faz tempo.
A situação do Flamengo não é confortável na Libertadores, mas poderia ser pior. O atual campeão divide a liderança com o Independiente del Valle com nove pontos. A goleada do Junior Barranquilla por 4 x 1 sobre o Independiente mantém a equipe colombiana acordada no grupo com seis.
O próximo duelo será contra o eliminado Barcelona. Suponhamos: se o Independiente derrotar o Flamengo na próxima semana e o Junior Barranquilla também superar o Barcelona, o Flamengo decidirá vaga em um confronto direito com os colombianos na última rodada. Para sorte rubro-negra, as últimas duas partidas contra Independiente e Junior Barranquilla serão no Maracanã.
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