Leonardo Jardim orienta o primeiro treino como técnico do Flamengo. Foto: Adriano Fontes/Flamengo
O Flamengo de Filipe Luís teve a maior posse de bola do Campeonato Brasileiro em 2025: 62,1%. Terceiro colocado, o Cruzeiro de Leonardo Jardim ficou em 14º com 47,7%. Sinal de que o time rubro-negro dará um cavalo de pau e trocará o estilo propositivo pelo reativo, com bloco defensivo baixo e rápidas transições no contra-ataque? Não necessariamente! O luso-venezuelano tem, sim, um estilo dupla face.
É preciso observar os trabalhos dele no Al Hilal e no Olympiacos. Em 2021/2022, Leonardo Jardim ostentou 61,1% de média da posse de bola com o time da Arábia Saudita. O meio de campo tinha jogadores com perfil de controle do jogo, bom passe e permitia um estilo de jogo impositivo. O volante colombiano Cuéllar e os meias peruano André Carrillo e o brasileiro Matheus Pereira contribuíam para a retenção da bola na maioria das exibições.
Quando comandou o Olympiacos na temporada de 2012/2013, Leonardo Jardim ajudou o clube a conquistar o título da Superliga da Grécia com a segunda maior posse de bola do campeonato nacional: 61%. Ficou atrás apenas do PAOK, vice-campeão com 62,1%.
Leonardo Jardim herdou o cargo do espanhol Ernesto Valverde. Montou aquele Olympiacos. Liderou o time de 5 de junho de 2012 até 19 de janeiro de 2013. Quando foi demitido, o time dele ocupava o primeiro com 10 pontos de vantagem. Acumulava 17 jogos, com 14 vitórias e três empates. Foi dispensado pelo presidente Evangelos Marinakis por causa de um suposto escândalo extracampo envolvendo Athanazia Marinakis, esposa do dirigente. Jardim negou a época.
Em campo, o Olympiacos valorizava circulação de bola, linhas compactas e domínio territorial. O padrão de jogo foi mantido pelo sucessor, o espanhol Michel. As características do elenco ajudaram Leonardo Jardim a construir um time com posse territorial, pressão alta, recuperação rápida da bola e ataque vertical.
O plantel do Olympiacos tinha controladores da posse de bola. Ariel Ibagaza era o maestro da equipe. Paulo Machado sabia retê-la. David Fuster, Giorgios Maniatis e Rafik Djebbour sabiam determinar o ritmo das partidas. Havia garantia de passes curtos, apoio dos laterais pontas capacitados a oferecer algo a mais: ações ofensivas pelo meio. Estilo posicional.
Os trabalhos no Olympiacos e no Al Hilal são pontos fora da curva. Os trabalhos dele mostram três padrões diferentes. Quando assume um clube dominante na liga, como são os casos do Flamengo e do Palmeiras, por exemplo, a posse de bola costuma nortear o trabalho com média na casa dos 60%.
Em ligas competitivas como o Brasileirão e o Francês, o Cruzeiro e o Monaco oscilaram de 48% a 52%. Em times reconhecidamente inferiores aos concorrentes, Leonardo Jardim armou sistemas reativos e ficou entre 40% e 45%. Um exemplo na prática é o Al Rayyan durante o trabalho do Campeonato do Catar. A ver como será no Flamengo.
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