Mancuello e Jorge Almirón: meia foi capitão, artilheiro do Independiente e chegou à seleção
Muricy Ramalho estava no caminho certo. Zé Ricardo tentou e até inventou moda. Reinaldo Rueda não faz muita questão de insistir. Jorge Almirón decifrou o enigma. Finalista da Copa Libertadores da América contra o Grêmio, o técnico do Lanús foi o responsável pela melhor fase da carreira de um dos jogadores subaproveitados pelo Flamengo neste segundo semestre: o argentino Federico Mancuello.
Jorge Almirón era o técnico do Independiente na temporada de 2014/2015, quando o jogador de 28 anos se tornou o artilheiro do time argentino. Mancuello fez 13 gols em 37 jogos e deu duas assistências. Bem posicionado e cheio de moral com o treinador, virou capitão, foi eleito o melhor em campo quatro vezes em exibições na competição, decidiu o clássico contra o arquirrival Racing e até ouviu a torcida clamar pela sua convocação para a seleção. A voz do povo foi atendida pelo comandante Gerardo Martino. Em 15 de março, Mancuello marcou, de falta, o segundo gol da vitória da Argentina sobre El Salvador, no FedEx Field, em Landover. Na sequência, enfrentou o Equador no MetLife Stadium, em New Jersey.
Jorge Almirón não inventou moda. Na maioria dos jogos, escalou Mancuello como segundo volante. Comparando com o atual sistema tático do Flamengo, ele usava o xodó como uma espécie de Willian Arão. Com um volante cão de guarda ao seu lado, Mancuello tinha liberdade para transitar do meio para a esquerda, apoiar o ataque em lances por dentro e explorar o que tem de melhor — as finalizações de fora da área. Em outras variações táticas e situações de jogo, atuava aberto na esquerda em uma linha de três ou de quatro meias.
Com Muricy Ramalho, Mancuello formou um tripé de volantes com Cuéllar ou Márcio Araújo e Willian Arão. Tinha um posicionamento parecido ao adotado por Jorge Almirón no Independiente. Muricy saiu, Zé Ricardo assumiu e passou a enxergar Mancuello em outra função. Prejudicado, passou a atuar aberto pela direita. Tinha a função de apoiar o ataque e auxiliar Pará ou Rodinei na marcação. Algo parecido com o que fazia o colombiano Berrío antes de sofrer a grave contusão que o afastou desta temporada.
“Eu só perguntei se ele (Mancuello) estava disposto a atuar mais pelo meio. Eu queria que ele tivesse mais contato com a bola porque aberto ele ficaria um pouco isolado, sua contribuição seria mais física do que técnica. Ele virou o líder do Independiente”
Jorge Almirón, em entrevista à revista El Gráfico em novembro de 2014
Sob o comando de Reinaldo Rueda, Mancuello tem apenas 66 minutos em campo. Começou como titular no empate por 1 x 1 com o Avaí no segundo turno do Campeonato Brasileiro e deu lugar a Felipe Vizeu. O argentino tem 27 jogos em 2017 e fez quatro gols. No ano passado, foram cinco em 36. A tendência é que não permaneça no elenco em 2018.
Em entrevista à conceituada revista argentina El Gráfico, em novembro de 2014, Jorge Almirón falou sobre a excelente fase de Mancuello no Independiente sob o seu comando. “É mérito dele. Eu só perguntei se ele estava disposto a atuar mais pelo meio. Eu queria que ele tivesse mais contato com a bola porque aberto ele ficaria um pouco isolado, sua contribuição seria mais física do que técnica. Ele entendeu, se preparou e virou líder do time. Mancuello tem muita confiança, estabilidade emocional e hoje (em 2014) é um bárbaro”, elogiou.
A pergunta que não quer calar é: algum treinador do Flamengo teve a humildade fazer um telefone, passar um e-mail ou mensagem de whatsApp para Jorge Almirón querendo saber um pouquinho mais sobre a melhor fase da carreira de Mancuello?
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