Jesus no Lar: como o livro influencia na liderança de Dorival Júnior

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Dorival e o filho Lucas Silvestre celebram a Supercopa Rei no Mané. Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

 

Dorival Júnior não se limita à leitura tática. Aprecia livros e não abre mão deles nas viagens. O paulista de Araraquara trouxe a Brasília a obra Jesus no Lar. Estava com ele no quarto do Windsur Brasília, a concentração do Corinthians na véspera da conquista do bicampeonato da Supercopa Rei (1991 e 2026) contra o Flamengo, por 2 x 0, no Mané Garrincha.

 

Jesus no Lar é um livro psicografado por Chico Xavier pelo Espírito Neio Lúcio. A obra trata dos ensinamentos morais de Jesus aplicados à vida familiar e cotidiana. Segundo Dorival Júnior, o livro não tem uma aplicação prática na gestão do elenco do Corinthians, mas particular na maneira de se relacionar com o grupo: “Apenas ser claro com os jogadores”, disse ao blog depois de dar o troco no Flamengo na Copa do Brasil. Em 2020, ele perdeu a decisão por 3 x 0 para o time carioca no Mané. À época, comandava o Athletico-PR.

 

O livro de cabeceira do Dorival Júnior imagina Jesus reunido semanalmente na casa do apóstolo Pedro, em Cafarnaum, ao lado dos discípulos, familiares e amigos. Nas reuniões, Ele comenta passagens do Evangelho e orienta sobre questões humanas comuns.

 

Cada capítulo é estruturado como um diálogo, no qual surgem temas práticos do dia a dia: amor e perdão dentro da família, paciência nas relações pessoais, educação dos filhos, convivência com diferenças e dificuldades, caridade, humildade e compreensão e o lar como espaço de crescimento espiritual. Uma das lições é que pequenas atitudes diárias têm grande valor moral. Coincidência ou não, treinadores tratam elencos como famílias.

 

O livro de cabeceira do técnico Dorival Júnior em Brasília na Supercopa Rei

 

Embora seja um livro espírita, o texto tem sido usado por atletas, treinadores e gestores como ferramenta de formação humana, emocional e ética. No esporte, menos como obra religiosa e mais como manual de convivência e valores. É ferramenta para fortalecer o espírito coletivo, reduzir conflitos internos e trabalhar a tríade paciência, respeito e empatia.

 

A carreira de Dorival Júnior é marcada pela relação com craques. Algumas fáceis, outras nem tanto. Ele comandou Neymar, Paulo Henrique Ganso e Robinho no Santos em 2010. Lida diariamente com o gênio de Memphis Depay no Corinthians. Gerenciou as vaidades de Pedro, Gabriel Barbosa, Arrascaeta, Éverton Ribeiro, Bruno Henrique, Filipe Luís e companhia nas conquistas da Copa do Brasil e da Libertadores em 2022. Teve nas mãos recentemente Vinicius Junior, Raphinha, Rodrygo, Alisson e outros figurões da Seleção.

 

A mensagem central de Jesus no Lar fala sobre controle das emoções, humildade na vitória e resiliência na derrota. Colabora com Dorival Júnior no que diz respeito a tomada de decisão ética, gestão de pessoas e mediação de conflitos em uma modalidade na qual os desafios diários são a pressão, o ego, a frustração e a exposição pública. União, respeito, autocontrole e responsabilidade coletiva. O livro de cabeceira do Dorival Júnior não faz gol, não decide jogos nem é garantia de títulos, mas influencia na liderança do treinador “zen”.

 

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