Juventus começou a Série B 2006/2007 com -9 pontos e foi campeã com seis de sobra
O Cruzeiro vive uma crise sem precedentes no ano em que precisa colocar a casa em ordem para voltar à Série A do Campeonato Brasileiro e festejar com dignidade o centenário, em 2 de janeiro de 2021. O problema é que, quanto mais a torcida celeste reza, mais assombração aparece. Como se não bastasse o escândalo administrativo, o rebaixamento no ano passado, a eliminação precoce da Série B contra o CRB, e gasto com cartão corporativo em casa de “entretenimento adulto”, em Portugal, a novidade é a perda de seis pontos na Série – que nem começou.
A Fifa puniu o Cruzeiro por causa de dívidas relativas ao empréstimo do volante Denílson. Em 2016, o clube deveria ter pago 800 mil euros ao Al Wahda, dos Emirados Árabes Unidos. Deu calote e a dívida está em R$ 5,3 milhões. Além de largar com -9 pontos na Série B, o time mineiro terá cinco meses para quitar o débito sob pena de sofrer sanção mais grave: cair para a Série C.
Em meio ao caos administrativo, há uma inspiração esportiva lá na Itália. Rebaixada na temporada 2005/2006 devido ao escândalo Calciopoli (esquema de manipulação de resultados), a Juventus foi condenada a disputar a Série B. O diretor executivo do clube, Luciano Moggi, foi apontado à época como o principal articulador das escolhas dos árbitros e da consequente contaminação das partidas). Uma das penas era começar a segunda divisão com -30 pontos. Recorreu e caiu para -17. Recorreu novamente e caiu para -9.
Tapetão à parte, a Juventus comprou a briga dentro das quatro linhas quando a bola rolou para a temporada 2006/2007 da Série B do Italiano. Sob o comando do técnico francês Didier Deschamps, que levou a França ao bicampeonato mundial na Copa da Rússia em 2018, a Velha Senhora conquistou o título por antecipação e retorno à elite. Claro: a diferença financeira em relação aos outros 21 concorrentes era absurda. O elenco tinha o goleiro Gianluigi Buffon, o zagueiro Giorgio Chiellini, Alessandro Del Piero, David Trezeguet e Pavel Nedved.
A Juventus conquistou o título da segunda divisão com 85 pontos, seis a mais do que o vice Napoli. Foram 28 vitórias, 10 empates e 4 derrotas. Marcou 83 gols e sofreu 30. Nadou de braçada com uma campanha incontestável. De volta à elite na temporada 2007/2008, fechou o Campeonato Italiano em terceiro lugar numa prova definitiva de que o gigante havia se levantado da queda.
Não basta a Velha Senhora de 122 anos de idade servir de inspiração para Velha Raposa quase centenária. É preciso querer se reinventar com juízo, o que tem faltado – e muito – ao clube mineiro. No início do ano, mostrei numa entrevista com o técnico que resgatou o River Plate da Série B como o clube argentino poderia motivar o projeto celeste. Agora, cito a Juventus. Não adianta se a diretoria continuar colocando a guerra política acima de uma instituição gigante.
Siga o blogueiro no Twitter: @mplimaDF
Siga o blogueiro no Instagram: @marcospaul0lima
Siga o blog no Facebook: https://www.facebook.com/dribledecorpo/
A repetição é a mãe da retenção. Abel Ferreira manteve a escalação inicial do…
Gustavo Marques conseguiu piorar uma das semanas mais vergonhosas do futebol nesse sábado na eliminação…
A tolerância zero com técnicos de futebol chegou ao futebol feminino. Atual pentacampeão da…
As entrevistas coletivas de Filipe Luís são ótimas. Dificilmente deixam perguntas sem respostas. No entanto,…
Luiz Carlos Souza tinha um tabu pessoal. O técnico do Gama jamais havia passado da…
O Botafogo acumula seis derrotas consecutivas na temporada. Perdeu duas vezes para o Fluminense e…