O título do Gama é o quarto no Mané desde a reinauguração do estádio. Foto: Filipe Fonseca/Gama
O Gama está para o Campeonato do Distrito Federal como o Real Madrid para a Liga dos Campeões da Europa. Ambos têm um pacto com essas competições. Uma prova disso é a coleção de taças de cada um nos respectivos torneios. O Alviverde é recordista no Candangão com 15 taças. O time merengue também ostenta 15 no principal torneio de clubes da Europa.
A conquista invicta nos pênaltis pelo segundo ano consecutivo contra adversários diferentes, Capital e Sobradinho, consolida uma campanha praticamente impecável de um time bem treinado pelo técnico Luiz Carlos Souza, focado nos objetivos na temporada e com uma força mental impressionante para se levantar da eliminação na Copa do Brasil — jogando bem — contra o Goiás, manter a cabeça e conquistar o título local com todos os méritos.
A seguir, aponto 15 razões para o 15º título nesta edição do Candangão.
1. Goleiro
Todo grande time começa por um camisa 1 de respeito. Renan Rinaldi fez falta na decisão por pênaltis contra o Goiás na segunda fase da Copa do Brasil, mas brilhou pelo segundo ano consecutivo na final do Candangão e fez a diferença na conquista do 15º título doméstico.
2. Defesa
Escrevi sobre isso no blog, mas vale repetir: o Gama dificilmente leva mais de um gol em uma partida sob o comando do técnico Luiz Carlos Souza. Só o Goiás conseguiu isso na segunda fase da Copa do Brasil. O time alviverde sofreu seis gols na campanha. Dois em um jogo? Jamais!
3. Artilheiro
Felipe Clemente fez um Candangão extraordinário: nove gols. Merecia 10. Como diria Renato Gaúcho, dá para fazer um “DVD” das obras-primas assinadas pelo centroavante na campanha do 15º título doméstico. Dos 18 gols do Gama, ele marcou simplesmente a metade: 50%.
4. Regularidade
O Gama ainda não perdeu no tempo regulamentar sob o comando do técnico Luiz Carlos Souza. Lá se vão 18 partidas do time alviverde com ele no comando: 10 vitórias e 8 empates. Sim, o Goiás eliminou o Gama da Copa do Brasil, mas houve empate por 2 x 2 com bola rolando.
5. Respeito
Campeões da Copa do Brasil com Grêmio e Palmeiras, respectivamente, os atacantes Henrique Almeida e Luan podem até ter ficado chateados com o banco de reservas na campanha do Gama, mas foram profissionais ao respeitar a excelente fase do artilheiro Felipe Clemente.
6. Sequência
Dos 11 titulares no início da final contra o Sobradinho, cinco começaram a decisão de 2025 contra o Capital: Renan Rinaldi, Michel, Lucas Piauí, Lúcio e Ramon. Outros estavam no banco de reservas, como o capitão Moisés e o experiente Luan, o protagonista da arrancada em 2025.
7. Campeonato à parte
O Gama sabia que havia um triangular a ser jogado dentro do Candangão e conseguiu somar sete pontos dos nove disputados contra Brasiliense, Samambaia e Aruc. Derrotou o maior rival por 2 x 1 no Serejão; empatou com o Samambaia em casa por 0 x 0 e derrotou a Aruc por 2 x 0.
8. Profissionalismo
Nada como ter um executivo de futebol experiente. Zuza Falcão teve uma baita escola antes de desembarcar no Gama. Ele trabalhou simplesmente no São Paulo. Conviveu com os melhores. Passou pelo Goiás. Aprendeu com o exigente Rogério Ceni. Sorte do Gama tê-lo ao lado.
9. Governança
Administrar o caos não é fácil. O presidente Wendell Lopes e os investidores levam o Gama ao bicampeonato dois anos depois de o Gama entrar em recuperação judicial em setembro de 2024. Superou o Capital na final do Candangão do ano passado e agora supera o Sobradinho.
10. Torcida
Isso não se compra em supermercado. A média de público do Gama como mandante foi de 6.394 pagantes em cinco jogos como mandante no Bezerrão. O show à parte foi consumado pela presença maciça no Mané Garrincha na decisão deste sábado contra o Sobradinho.
11. Fator Bezerrão
O Bezerrão é disparado o estádio mais temido do Candangão. Ali, o Gama venceu Real Brasília, Paranoá, o Ceilândia duas vezes, a Aruc e empatou com o Samambaia. Dos 21 pontos disputados na casa própria como mandante, 18 foram conquistados no “Ninho do Periquito”.
12. Saúde
O Gama disputou 14 jogos nesta temporada: 12 no Candangão e dois na Copa do Brasil. Dois jogadores importantíssimos estiveram em campo em 13! Os fominhas Lucas Piauí e Felipe Clemente explicam parte do sucesso na conquista do Candangão. Michel e Ramon jogaram 12.
13. Média de idade
A média de idade do elenco do Gama é de 29,4 anos. Excelente se tratando de um plantel para o Candangão, Centro-Oeste, Copa do Brasil e Série D do Campeonato Brasileiro. Está de bom tamanho na comparação com grupos inchados. Faixa etária faz a diferença no futebol moderno.
14. Casa de Festas
O novo Mané Garrincha foi inaugurado em 2013. O Gama tem quatro títulos na principal arena do DF. Em 2015 contra o Brasília. Em 2019, deu a volta olímpica na decisão com o Brasiliense. Em 2025, superou o Capital. O Sobradinho paga o pato em 2026. Em 2020, ganhou no Bezerrão.
15. Luiz Carlos Souza
O técnico de 62 anos mostra mais uma vez que é vitorioso. Detalhe: em diferente épocas. Em 2014, levou o Brasília ao título da Copa Verde em um Mané Garrincha lotado contra o Paysandu. No ano passou, voltou à casa de festas predileta para levar o Gama ao título local. Neste ano, retornou ao estádio para brindar a torcida alviverde com o bicampeonato.
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