Galo quebra soberania nacional de Flamengo e Palmeiras, e ameaça hegemonia continental

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Houve temor de que o Brasileirão passasse por um processo de espanholizarão, com dois times alternando-se no poder e o restante disputando vagas para torneios continentais. Imaginou-se que Corinthians e Palmeiras seriam esses protagonistas. Afinal, o time alvinegro ganhou a taça nas edições ímpares de 2015 e 2017, e o alviverde nas pares de 2016 e 2018.

Endividado e enfraquecido, o Corinthians saiu de cena. O Flamengo passou a fazer companhia ao Palmeiras. Foi vice em 2018, bi em 2019 e 2020, segundo de novo em 2021 porque o Atlético-MG se organizou para não deixar a Série A restrita a dois ou três times do Rio e de São Paulo. A tendência nos próximos anos é de que mais “atléticos” surjam e aumentem competitividade.

Os métodos de cada clube para chegar ou manter-se no pelotão de elite é um debate à parte. A boa notícia é que o Atlético-MG sai da fila e toma a frente na tentativa de estabelecer uma nova ordem. O chamado eixo Rio-São Paulo domina o Brasileirão desde 2015. Quatro conquistas paulistas, sendo duas de Palmeiras e duas do Corinthians; e duas cariocas, ambas do Flamengo.

Ao vencer o Bahia de virada por 3 x 2, na Arena Fonte Nova, e consumar o fim da fila de 50 anos no Brasileirão, o Atlético-MG avisa que, apesar do combalido Cruzeiro, o futebol mineiro continua vivo. Impõe respeito. O vice-campeão Flamengo, o terceiro Palmeiras e o emergente quarto colocado Corinthians olharão diferente para o Galo no ano que vem.

Mérito do Cuca. Ele havia feito excelente trabalho com o Santos na temporada passada. Perdeu a cabeça e o título nos minutos finais da Libertadores contra o Palmeiras, no Maracanã, no início do ano. Emenda mais um ótimo trabalho no Galo e se consolida como quebrador de jejuns. Em 2009, participou do início da campanha que tirou o Flamengo da fila de 17 anos no Brasileirão. Na edição de 2016, levou o Palmeiras ao degrau mais alto do pódio e encerrou abstinência de 22 anos. Agora, o Atlético-MG volta a conquistar o Brasileirão depois de meio século.

Depois de quebrar a soberania nacional de Flamengo e Palmeiras, o Atlético-MG terá como meta, em 2022, desbancá-los na América. As últimas três edições foram vencidas pelos dois finalistas da edição deste ano. O rubro-negro levou a taça em 2019, e o alviverde nas últimas duas edições. Não se engane. O Galo chegará mais forte na competição internacional em 2022. É desde já um dos favoritos ao título continental. Tem dinheiro, um bom técnico, time, elenco, o acima da média Hulk e, em breve, a Arena MRV, um estádio para chamar de seu.

A conquista do Atlético-MG é irretocável. Inferior apenas à daquele Flamengo de 2019 liderado por Jorge Jesus. O time rubro-negro deixou o sarrafo elevado demais ao arrematar a taça com 90 pontos. Fez da defesa menos vazada o diferencial em relação aos concorrentes e da torcida o doping emocional para superar traumas e colocar ponto final em 50 anos de espera.

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Marcos Paulo Lima

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