Gabi fez dois gols, tem 14 pelo Fla em Libertadores e está a dois de igualar Zico. Foto: Alexandre Vidal/Flamengo
O Flamengo pós-Jorge Jesus tem um defeito gravíssimo: dispõe de munição para implodir os rivais, mas adora viver perigosamente. Era assim na maioria das exibições com Doménec Torrent. Continua sob a batuta de Rogério Ceni. Há potencial imenso para transformar jogos ou campeonatos difíceis em vitórias ou conquistas fáceis. No entanto, o time prefere flertar com o acaso. Entregar o destino à sorte ou ao azar. Alimenta o vício de que pode resolver partidas e torneios quando bem entender. Só desperta sob pressão.
Nem sempre será assim. Não funcionou em 2020, por exemplo, nas eliminações contra o Racing nas oitavas de final da Libertadores. Nem diante do São Paulo nas quartas da Copa do Brasil.
Vou explicar na prática. O Flamengo chegou à última rodada do Campeonato Brasileiro dependendo de si para conquistar o título. Perdeu para o São Paulo e entregou a própria sorte nas mãos do Corinthians. O Timão segurou o incompetente Internacional e carimbou o bi rubro-negro.
Sob o comando de Rogério Ceni, o time virou a final da Supercopa do Brasil contra o Palmeiras, no Mané Garrincha, porém, novamente, ganhou a taça por um triz, com uma improvável virada na decisão por pênaltis. Até o título da Taça Guanabara teve requintes de crueldade. Valente, o Volta Redonda insistiu na tentativa de empatar, mas perdeu por 2 x 1.
A história se repetiu na noite desta terça na goleada por 4 x 1 sobre o Unión La Calera. O vice-campeão chileno estava entregue no primeiro tempo. Rendido. Em vez de ampliar a vantagem, o Flamengo desacelerou, recuou. Deu colheres de chá ao adversário com aquelas costumeiras bobeiras e trapalhadas do sistema defensivo. Sendo bem direto: Rogério Ceni tem recaídas de técnico de time pequeno. A realidade no Fortaleza, por exemplo, era uma. No Flamengo, outra totalmente diferente.
Rogério Ceni precisa corrigir essa mania de recuar quando abre vantagem. Vale lembrar que o próprio Internacional rondou a área rubro-negra quando tinha um jogador a menos naquela vitória por 2 x 1, no Maracanã, na penúltima rodada do Brasileirão 2020. Em vez de avançar, a tropa deu passos atrás desnecessariamente no momento em que tinha de liquidar a batalha.
Culpa do técnico, mas, também, do time. A displicência do Flamengo no segundo tempo contra o Unión La Calera foi impressionante. Cruzamentos sem capricho, passes desleixados, vários contra-ataques fáceis desperdiçados e a retaguarda flertando com o perigo nas raras investidas do Unión La Calera. Resultado: o time segue sofrendo muitos gols. Desde a volta do elenco principal das férias, só não foi vazado nas vitórias contra o Bangu e o Botafogo. São sete jogos consecutivos buscando a bola ao menos uma vez dentro da própria rede: 14 gols sofridos em 11 partidas.
Para sorte da torcida rubro-negra, o Flamengo tem Gabigol. O camisa 9 chegou a 14 gols com o “manto sagrado” na Libertadores. Está a três de ultrapassar o recorde de Zico. Pode acontecer nesta fase de grupos. Sorte de ter Pedro no banco. Aliás, que desperdício. O centroavante assinou um golaço. Sorte, ainda, contar com Arrascaeta.
Mas, repito, é preciso se ligar. O acaso nem sempre vai proteger o Flamengo enquanto o time andar distraído.
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