Gerson ergue a Supercopa Rei, o segundo título do Flamengo na era Filipe Luís. Fernando Torres/CBF
De um lado, um técnico obcecado por vencer. Do outro, um mau perdedor incapaz de admitir a superioridade do outro e de admitir o desleixo com que tratou no mês de janeiro o Botafogo, atual campeão do Brasileirão e da Libertadores. Filipe Luís levou o Flamengo ao título da Supercopa Rei do Brasil porque se programou. Enquanto isso, a holding do empresário John Textor concentrava forças na salvação do Lyon e tratava o Glorioso como algo menor. Em vez de assumir o gravíssimo erro administrativo, o empresário estadunidense preferiu menosprezar o triunfo rubro-negro por 3 x 1 no Estádio Mangueirão, em Belém do Pará.
“Eu não estou preocupado com o resultado da Supercopa. Acho que o calendário de 11 meses é ridículo e não podemos manter a intensidade alta por 11 meses e ganhar todos os títulos. Meu foco é no Brasileirão, na Libertadores e no Mundial de Clubes”, afirmou John Textor em entrevista à colega Roberta Barroso da ESPN Brasil.
Menosprezar a Supercopa Rei é um erro. O acerto está na crítica ao calendário. A data do jogo mais prejudica do que ajuda. O Flamengo entrou em campo com mais tempo de trabalho do que o Botafogo. O time de Filipe Luís entrou em férias em 8 de dezembro.
O alvinegro iniciou o descanso cinco dias depois do retorno da Copa Intercontinental em Doha, no Catar. Poderia ter sido pior se a equipe alcançasse a final em 18 de dezembro. No entanto, o problema não é exclusividade do Botafogo. O Flamengo sentiu na pele na Supercopa de 2022 contra o Palmeiras. O calendário achatado antes do Mundial de Clubes na Arábia Saudita obrigou o time a queimar etapas antes do duelo com o Palmeiras.
O Flamengo perdeu Fabrício Bruno, Gabriel Barbosa e David Luiz. O Botafogo se desfez de Luiz Henrique, Thiago Almada. Júnior Santos, Tiquinho Soares e Eduardo nesta janela de transferências. Houve perdas e danos dos dois lados. O Glorioso retardou contratações e escolheu ter um técnico interino na Supercopa Rei. John Textor preferiu fazer uma força-tarefa pelo Lyon a reconstruir um time competitivo para competir com o Flamengo.
O plano de jogo do técnico Filipe Luís engoliu o de Carlos Leiria. O Flamengo dominou a decisão do início ao fim com uma exibição soberba de Bruno Henrique no papel de 9, com Michael aberto na direita e Gonzalo Plata na direita. De La Cruz dominou o meio de campo. Wesley brilhou novamente nas dobradinhas com Gerson.
Gostei muito de um detalhe: a saída de bola consciente do goleiro Rossi. As boas recuadas para ele não foram aleatórias. Ele fez lançamentos conscientes. Um deles resultou no segundo gol rubro-negro. A estratégia lembra a utilizada por Pep Guardiola com o goleiro brasileiro Ederson no Manchester City. A “casquinha” depois do passe longo de Ederson quase sempre encontra o centroavante Erling Haaland em condição de balançar a rede. Do outro lado, o zagueiro Lucas Halter teve uma tarde para ser esquecida no Mangueirão. A ausência do titular Bastos foi muito sentida.
Acho cedo para a torcida do Flamengo soltar fogos a ponto de afirmar que o time está pronto para brigar por conquistas. A série de clássicos no Campeonato Carioca contra Fluminense, Botafogo e Vasco mostrará se o ponto de equilíbrio foi atingido (ou não). Os inícios do Campeonato Brasileiro e da Libertadores serão outros indicadores relevantes.
A torcida do Flamengo pode comemorar o título com moderação. Afinal, a temporada é longa e traiçoeira. Um detalhe importante é a competitividade na disputa por vagas. Faz muito bem ao elenco. A do Botafogo deve lamber as feridas da derrota sem precipitação. Sim, a derrota foi acachapante, mas é preciso cobrar de John Textor a contratação de um técnico e reposição qualificada de quem saiu. Não será fácil encontrar “clones” capazes de cumprir as funções do técnico Arthur Jorge e dos ídolos Luiz Henrique e Thiago Almada.
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