Nem o Flamengo piorou nem o Corinthians passou de abóbora a carruagem. Finais em jogo único são conquistadas estrategicamente. Dorival Júnior foi mais competente do que o colega Filipe Luís no planejamento tático. Programou o campeão da Copa do Brasil de 2025, para explorar fragilidades conhecidas do detentor do título do Campeonato Brasileiro.
Quem com ferro fere usando as bolas aéreas treinadas à exaustão pelo assistente técnico Rodrigo Caio com ferro foi ferido pela dupla de zaga do Corinthians.
Quem esperava, por exemplo, a bola na cabeça do jogador mais alto da partida como destino final, ou seja, Gustavo Henrique, de 1,95m, viu o beque virar arco em vez de flecha.
Ele escora para Gabriel Paulista, de 1,87m, estufar a rede de Rossi. A trama teve as participações de Memphis Depay, Breno Bidon, André Carrillo e Matheuzinho. Todos envolveram a defesa rubro-negra até a bela conclusão.
Em marcha lenta, o Flamengo não conseguia jogar pelas pontas, insistia nas ações pelo centro e desperdiçou uma oportunidade inadmissível devido à gula de Pedro. Em vez de servir Plata, que passava livre pela direita entrando em diagonal, portanto melhor posicionado, o centroavante foi fominha.
Um dos méritos de Dorival Júnior foi usar a estratégia que o consagrou em conquistas no próprio Flamengo, no São Paulo e agora no Corinthians. Ele gosta de formatar times no contestado 4-3-1-2. Breno Bidon se desdobrava na retaguarda com André, Carrillo e o Raniele funcionando quase como um terceiro zagueiro em uma linha de cinco defensores sem a posse da bola. Havia sincronia, treino, proposta, um plano.
A imprudência e a irresponsabilidade do colombiano Carrascal ao dar uma cotovelada em Breno Bidon, flagrada com calma pelo VAR no intervalo e consumada pela expulsão antes do início do segundo tempo, minaram a possibilidade de reação do Flamengo.
Mesmo com um jogador a menos, o Flamengo acertou o travessão de Hugo Souza com o volante Pulgar. Lucas Paquetá estreou desperdiçando o gol do empate nos acréscimos.
Na sequência, Yuri Alberto recebeu passe em profundidade e Dorival Júnior explorou uma outra fragilidade rubro-negra: as linhas altas. Kaio Cesar acionou o camisa 9 e o centroavante não perdoou. Com o campo defensivo rubro-negro vazio, encobriu Rossi e quase entrou com bola e tudo.
Carlo Ancelotti assistiu a tudo isso da tribuna de honra. Ex-técnico da Seleção, Dorival Júnior coloca no mínimo um ponto de interrogação na cabeça do italiano.
Breno Bidon merece uma oportunidade na convocação para os amistosos contra França e Croácia. Está batendo um bolão em um setor carente do Brasil para a Copado Mundo: o meia de campo. Jovem, faz mais de uma função. O teste é muito válido.
Filipe Luís começa a temporada conhecendo o outro lado da moeda. Perde a segunda final consecutiva. Havia sido derrotado nos pênaltis pelo Paris Saint-Germain na Copa Intercontinental. Neste início de ano, é derrotado pela terceira partida consecutiva: Fluminense, São Paulo e Corinthians.
Não achei Pedro conformado ao ser substituído — e esse pode ser o maior desafio de Filipe Luís na segunda temporada no cargo: administrar vaidades, sobretudo em semestre de Copa do Mundo.
Dorival Júnior mostra resiliência ao celebrar o segundo título no Corinthians depois da demissão na Seleção Brasileira. Passou por Palmeiras e Cruzeiro na Copa do Brasil antes do título contra o Vasco. Agora, impõe o placar de 2 x 0 diante do Flamengo. Triunfos contra os três times mais ricos do país em meio ao caos financeiro e administrativo do Corinthians.
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