EUA x Irã: O dia em que o futebol combateu a guerra entregando flores

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Um dos três países sede da Copa do Mundo de 2026 ataca um dos 48 classificados para o torneio desde a manhã deste sábado. Não era assim em 21 de junho de 1998. Naquele dia, o planeta testemunhou uma das maiores demonstrações de afeto, respeito e tolerância em um jogo de futebol: EUA x Irã.

Estádio Gerland, Lyon. Irã e Estados Unidos se enfrentavam pela segunda rodada do Grupo F da Copa do Mundo da França. Um dos dias mais aguardados do evento desde o sorteio realizado em dezembro de 1997. Foram seis meses de tensão até a entrada das duas seleções no gramado. Culpa do campo de batalha que se tornou a relação diplomática entre as duas nações ao longo dos anos 1970 e 1980.

Em 1979, a embaixada dos Estados Unidos em Teerã foi invadida com o apoio do governo iraniano. Na sequência, houve a guerra Irã-Iraque. A Casa Branca escolheu ficar ao lado dos iraquianos. A queda de braço só terminou em 1988. A Fifa aproveitou os 10 anos do fim da guerra para promover o fair play justamente no duelo entre Irã e Estados Unidos na Copa.

Enquanto o governo do Irã tratava a partida como mais uma guerra, os jogadores escolheram a contramão. Em 1984, o regime imposto no país matou o então capitão da seleção iraniana, Habib Khabiri. Ele era acusado de ter ligações com os Estados Unidos.

O Irã deu de ombros para o governo e entrou em campo para jogar futebol. Venceu a partida por 2 x 1, gols de Estili e Mahdavikia. McBride descontou para os Estados Unidos. O duelo mediado pelo suíço Urs Meier ficou em segundo plano. A entrada das duas seleções no gramado do Estádio Gerland foi histórica.

Houve a execução dos respectivos hinos nacionais. Na sequência, os jogadores posarem juntos para uma foto. Os iranianos ofereceram flores aos americanos. Os jogadores se abraçaram e trocaram presentes. Houve confraternização nas arquibancadas entre alguns torcedores dos dois países. Eles exibiam as respectivas bandeiras.

Irã e Estados Unidos deram adeus à Copa na fase de grupos, mas os iranianos cumpriram a missão. Venceram apenas uma partida, aliás, o jogo contra os Estados Unidos. Quebraram um tabu: a primeira vitória de um país do Oriente Médio em 20 anos.

O presidente do Irã à época era Mohammad Khatami. Bill Clinton ocupava a Casa Branca. Havia um pouco mais de juízo dos dois lados e o esporte tinha o poder de funcionar como extintor de incêndio.

Depois daquele histórico 21 de junho de 1998, Irã e Estados Unidos se enfrentaram duas vezes. A primeira em um amistoso em solo norte-americano com empate por 1 x 1. A última na Copa de 2022. Os EUA venceram por 1 x 0. O craque Christian Pulicic fez o gol da vitória no Al Thumana Stadium, em Doha, diante 42.127 torcedores. A maioria iranianos. O país é um dos grandes aliados do Catar, fica próximo e tem uma imensa colônia no país.

Será que o clima respeitoso de 1998 e de 2022 se repetirá nos gramados norte-americanos na Copa de 2026 ou a geopolítica? O Irã está no Grupo G na primeira fase. Enfrentará a Nova Zelândia e a Bélgica em Los Angeles; e o Egito em Seattle.

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Marcos Paulo Lima

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