Como Luiz Felipe Scolari e o Palmeiras podem se ajudar em cinco meses

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Apenas dois técnicos podem bater no peito e dizer que foram campeões mundiais com seleção e clube: Vicente del Bosque e Marcello Lippi. O espanhol levou o Real Madrid ao título da Copa Intercontinental de 2002 e a Espanha ao título inédito na Copa de 2010.  O italiano brindou a Itália com o tetra em 2006. Dez anos antes, havia conquistado o mundo com a Juventus. Luiz Felipe Scolari não é o terceiro sócio do grupo seleto por causa das derrotas do Grêmio para o Ajax, em 1995; e do Palmeiras para o Manchester United, em 1999.

Luiz Felipe Scolari orgulha-se de ser o mentor do último título da Seleção na Copa, em 2002. Depois do penta, é o único técnico que levou o Brasil às semifinais, em 2014. É o responsável pelo último título do Brasil — a Copa das Confederações de 2013. Porém, virou piada depois do 7 x 1 — a maior humilhação do futebol nacional. O Palmeiras também é motivo dia piada. É zoado pelos arquirrivais Corinthians, São Paulo e Santos por (ainda) não ter um Mundial. Eis a oportunidade de Felipão e o Palmeiras — que firmaram acordo até dezembro de 2020 — reconquistarem o respeito em cincos meses.

Luiz Felipe Scolari conhece os atalhos para o título da Libertadores. É bicampeão do torneio por Grêmio (1995) e Palmeiras (1999). Foi vice em 2000 ao perder a decisão para o Boca Juniors. Tem nas mãos o elenco mais caro da competição, que fez a melhor campanha da fase de grupos.  Nas oitavas, terá o Cerro Porteño pela frente. Se avançar, Corinthians ou Colo-Colo nas quartas. Se der Corinthians, é o tipo do jogo que ele gosta. Passou pelo rival no mata-mata de 1999 e de 2000. Dai em diante, podem pintar Boca Juniors, Libertad, Flamengo ou Cruzeiro. Felipão tem até o nome do primeiro reforço para a missão: Bernard, o menino com alegria nas pernas.

Se conquistar a Libertadores, Luiz Felipe Scolari pode alcançar Osvaldo Zubeldia e se tornar o segundo técnico mais vitorioso na história do torneio. O argentino foi tricampeão pelo Estudiantes em 1968, 1969 e 1970. À frente dele, só o tetracampeão Carlos Bianchi. Também entraria para a história como o brasileiro recordista de títulos. Telê Santana também tem dois.

O passo seguinte seria a conquista que lhe falta: o Mundial de Clubes da Fifa. O título perdido nos pênaltis em 1995 contra o Ajax, e no tempo normal no duelo de 1999 contra o Manchester United depois de uma falha bizarra do goleiro Marcos.

Até a final da última Champions League, poderíamos dizer com certeza que derrotar o Real Madrid numa hipotética final do Mundial de Clubes da Fifa seria uma missão impossível. O timaço do Grêmio que o dia na final do ano passado. Entretanto, o clube espanhol passa por transformações. Perdeu os maiores astros — o técnico Zidane e o craque Cristiano Ronaldo. Julen Lopetegui está reconstruindo o elenco, remontando o time.

Portanto, o contexto é perfeito para Luiz Felipe Scolari e o Palmeiras deixarem de ser piada nacional. A terceira aliança entre o técnico e o clube pode dar a chance de ambos novamente serem levados a sério. Felipão como o terceiro homem na face da terra campeão da Copa e do Mundial. E o Palmeiras, finalmente como campeão mundial de clubes, sem a necessidade de mendigar o reconhecimento da conquista da Copa Rio de 1951.

A terceira aliança entre Felipão e o Palmeiras vai até 2020. Mas os próximos cinco meses podem ser definitivos na relação.

Marcos Paulo Lima

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